domingo, 31 de maio de 2015

Crítica: Terremoto - A Falha de San Andreas

Filme de desastre espetaculariza desastre, mas ignora problemas vitais.

Por Pedro Strazza.

Logo na introdução, Terremoto - A Falha de San Andreas já mostra a que veio com uma cena ao mesmo tempo peculiar e típica de resgate. Na situação, temos uma jovem presa dentro de seu carro, que se encontra instável na beira de um penhasco após ela cometer o pecado mortal de dirigir olhando o celular; uma equipe de socorro composta basicamente por homens musculosos e movidos à testosterona, prontos para acudir a garota; e uma equipe de jornal, que documenta os esforços e sacrifícios heroicos do time para salvar a vítima de seu fim precoce prontos para eternizá-los.
Como bem exemplifica a descrição acima, os clichês e lugares comuns do subgênero reinam no filme de desastre dirigido por Brad Peyton. Da família em crise que se reúne graças às forças da natureza ao "dramático" momento de morre-não-morre no fim do clímax, a história do longa se guia pelos caminhos mais óbvios possíveis sem no mínimo se preocupar em esconder isso. Não há aqui um drama que você já não tenha visto pelo menos outras três vezes na telona, e com menos de cinco minutos já se consegue prever aonde tudo aquilo vai.
E isso seria um problema gravíssimo se não fosse feito de maneira tão divertida pelo roteirista Carlton Cuse, que assume as trivialidades da trama para compor um filme honesto de entretenimento raso.
Para tal, Cuse facilita todas as dramas de sua história para reforçar o lado mais espetáculo do desastre que dá nome ao longa. Assim, enquanto prédios desabam como dominós e a terra racha e cria abismos gigantescos para matar milhões de figurantes aos quais vemos uma ou duas vezes em destaque, a família formada pelos personagens interpretados por Dwayne Johnson, Carla Gugino e Alexandra Daddario lutam para se reunir em meio ao caos, reformando uma instituição familiar que apesar de estar em crise não encontra tanto obstáculos para voltar a funcionar - os maiores opositores, o novo interesse romântico da esposa (papel de Ioan Gruffudd, no caso) e os erros do passado, são resolvidos antes de chegarmos à metade da trama.
O mérito maior do texto de Cuse, porém, é o de conseguir conceber situações criativas para seus personagens sobreviverem ao terremoto, e levá-los a estas com naturalidade. Seja nas manobras de um helicóptero para fugir de edifícios que desabam ou no "afogamento" progressivo de um prédio em construção, Terremoto sabe brincar bem com os efeitos da devastação que oferece ao fazê-lo um playground de destruição. E se ficamos confusos com a maneira como os personagens escapam da morte nestas ou na forma que chegam a elas, o filme se prontifica com explicações mínimas como "Meu guia tem tudo que a gente precisa", "Eu aprendi isso com meu pai" ou no núcleo liderado pelo especialista vivido por Paul Giamatti e a jornalista de Archie Panjabi.
Mas se nessa execução de gênero o longa se sai bem, de resto as rachaduras são evidentes. Muito em parte do próprio acúmulo dos clichês citados anteriormente, mas também do trabalho de Peyton na direção, que além de não saber trabalhar a claustrofobia dos ambientes (a cena da garagem é confusa do início ao fim) não tem habilidade suficiente para disfarçar os absurdos cometidos por Cuse em sua espetacularização do desastre - e aqui é impossível não citar o fato do personagem de Johnson ser um homicida tão grande quanto o Superman de O Homem de Aço ao abandonar o trabalho no momento mais vital somente para salvar sua família - e inclusão de simbologias desastrosas como a gigantesca bandeira estadunidense no fim da produção. Para piorar, Peyton se prova ineficaz em tirar da ação criada mais que o padrão, se bastando em fazer no segundo ato um inesperado porém pouco interessante falso plano-sequência.
Dessa maneira, Terremoto - A Falha de San Andreas entra em um desequilíbrio estável. Se cumpre bem com aquilo que se propõe a fazer, é inegável suas falhas no resto, acumuladas por defeitos abraçados desde o início. Alguns julgarão ser insuficiente; para outros, bastará as bases à beira do colapso e o heroísmo canastrão do núcleo principal.

Nota: 6/10

1 comentários :

Ótimo! Com Terremoto: A falha de San Andreas pôr de lado a complexidade. Tudo é muito simples, simples, mas divertido. Devemos ressaltar os efeitos especiais, boa taxa de quadros e, especialmente, sua estrela "La Roca" Músculos, poder, heroísmo, e (um favorito das meninas) charme. Uma boa opção para um dia de diversão e entusiasmo pela ação, talvez esquecer rapidamente, mas o momento de pipoca e refrigerante quem nós removê-lo.

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