Han Solo - Uma História Star Wars

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quinta-feira, 24 de maio de 2018

Crítica: Han Solo - Uma História Star Wars

O básico do básico não é suficiente para Han Solo.

Por Alexandre Dias.*

A volta de Star Wars aos cinemas não deixou de ser uma reformulação. Com uma nova mãe chamada Disney, retornar ao espírito aventuresco da trilogia original era compatível com a proposta da empresa, que também viria a promover a expansão da franquia nas telonas com os derivados e, possivelmente, vários outros projetos, como a produção que está sendo desenvolvida por Rian Johnson, diretor de Os Últimos Jedi. Esse “jeito Marvel” de lidar com a marca é uma boa aposta, mas que tem sido jogada com cautela.

As ideias de Rogue One e Han Solo – Uma História Star Wars são, em teoria, à prova de erros: uma missão referente à trama principal de Uma Nova Esperança e a origem de um dos personagens mais clássicos (e marvelescos) do universo em questão. São conceitos mais garantidos e menos arriscados, o que não significa que ambos os filmes não poderiam ser criativos ou de qualidade.

No caso do longa do malandro mais famoso do espaço, algumas características, em sua concepção, estariam praticamente implícitas: humor irônico, presença de anti-heróis, leveza e, acima de tudo, carisma. Essa última é a palavra que define o personagem que foi interpretado por Harrison Ford no passado e é o que deveria ser onipresente nesta aventura solo, independente das escolhas sobre o que contar e com quem. A falta disso é o defeito definitivo da obra.

O enredo prioriza as consequências em detrimento das causas, pois todos os fatos já conhecidos de Solo foram incorporados à história – o percurso de Kessel, a amizade com Chewbacca, os negócios com Lando. É um fator limitante, porém não é o que faz a produção ser sem graça. Tudo isso poderia ter acontecido se o roteiro de Lawrence Kasdan e Jonathan Kasdan fosse mais encorpado, especialmente no que se diz respeito à piadas e as relações entre os personagens, e as situações fossem mais empolgantes.

As cenas de ação, por exemplo, têm um potencial que não foi explorado. O assalto ao trem chega a ser um momento até inovador na franquia pelo modo como foi pensado e, apesar de satisfatório, há a constante sensação de espera por um algo a mais. Ou, por outro lado, a impressão que fica é estranha, porque existe a intenção de tornar um produto mediano em grandioso, como, nesse mesmo caso, com o elogio de Rio Durant (Jon Favreau) a Han Solo (Alden Ehrenreich) ao afirmar que ele realmente era um bom piloto, quando, na verdade, o rapaz só tinha assumido os comandos por uns dois minutos e não havia feito nenhuma manobra espetacular.

O próprio ambiente criminoso que envolve a trama conta com uma introdução muito instigante no planeta natal de Han e acaba por decepcionar, rendendo-se a artifícios mais fáceis. Em um extremo, está a necessidade de humanizar o protagonista ao colocá-lo em um romance mal desenvolvido e sustentá-lo na posição de “boa pessoa” (apenas uma vez isso soa natural, mas por conta de outro personagem), enquanto na outra ponta dessa linha está a pressão de ser um projeto de anti-heróis. Lando Calrissian é a prova máxima disso. O trapaceiro é forçado a ser mais caricato do que era com Billy Dee Williams, gerando uma interpretação esquisita de Donald Glover.

Aliás, outra atuação que deixa a desejar é a de Alden Ehrenreich. O estadunidense não faz feio, porém o carisma do artista não chega nem aos pés de Harrison Ford, que conseguiu estabelecer um co-protagonista sem grande aprofundamento como um dos grandes ícones da cultura pop. É claro que as ideias para o personagem nesse derivado foram um contribuinte para o que vemos na telona. Inclusive, de todos os outros, sendo a única boa mescla a de Woody Harrelson no papel de Beckett. O ator conseguiu transmitir seu estilo outsider ao mentor de Solo, que é o responsável por um dos pontos mais tocantes do longa-metragem ao interagir com o jovem malandro.

Com certeza, os problemas de bastidores afetaram o resultado e as decisões finais do filme. Ron Howard substituiu Phil Lord e Christopher Miller na direção, que abandonaram o cargo poucas semanas antes das filmagens estarem completas. Nunca saberemos se o trabalho deles seria melhor do que o que foi lançado, considerando que são cineastas que vieram da comédia e não seguem à risca os padrões de realização de uma produção cinematográfica como essa, algo que a Disney preza muito.

O caso é que Han Solo – Uma História Star Wars não era totalmente necessário, contudo era muito bem-vindo. Em uma época onde os Guardiões da Galáxia se tornaram uma das referências em blockbusters, seria maravilhoso ver uma história divertida e sem grandes pretensões do par romântico da Princesa Leia. De certo modo, o novo lançamento da marca Star Wars não escapa disso, ainda que esteja longe de retomar as atividades de Han Solo nos cinemas da maneira que ele merecia.

Nota: 5/10

*Alexandre Dias é jornalista e atualmente escreve no blog Arca do Cinema.

sábado, 17 de janeiro de 2015

Crítica: Os Pinguins de Madagascar

Melhor que a trilogia original, derivado acaba repetindo erros de Madagascar.

Por Pedro Strazza.

Ao contrário de quase todas as outras franquias de animações, Madagascar é uma série de filmes que desde seu início não mostrou qualquer potencial criativo. A história de quatro animais do zoológico de Nova York que vão parar na ilha africana regurgitou para a tela inúmeros clichês clássicos sem cuidado algum, e suas continuações não só fizeram questão de manter essa repetição como também acreditaram no aumento do ritmo como único diferencial para sua produção - E não há dúvidas de que esta tendência irá continuar quando o inevitável quarto capítulo for lançado em 2018.
O fato curioso do longa da Dreamworks, porém, é a sua capacidade de produzir personagens coadjuvantes mais interessantes que o quarteto protagonista, e o número de derivados originados da franquia prova isso. Pirados em suas concepções, o lêmure Rei Julien e os pinguins tiveram destaque suficiente para gerarem séries de sucesso próprias e, no caso dos últimos, um filme solo, que sozinho consegue ser muito mais eficiente que toda a trilogia de Alex, Marty, Melman e Gloria. E isso ocorre porque Os Pinguins de Madagascar possui em grande parte de sua trama a capacidade de rir tanto do convencionalismo de sua história quanto dos absurdos cometidos pelos personagens principais, uma característica pouquíssimo utilizada nas produções dos quais vieram.
Começando logo no final do terceiro Madagascar, o longa acompanha as aventuras de Capitão, Kowalski, Rico e Recruta em seu conflito contra Dave, um polvo decidido a acabar com a reputação dos pinguins com os humanos após ter sua vida arruinada por eles. Para ajudar no combate ao vilão, o quarteto conta com o auxílio do Vento do Norte, uma força-tarefa liderada por Secreto e com o melhor equipamento tecnológico possível, mas as duas equipes entram em rota de colisão devido ao choque de liderança.
Escrito a dez mãos e com bom ritmo narrativo, o roteiro encontra seus melhores momentos na maneira como ri do gênero da espionagem. Mesmo que não seja inédito (assim como a produção no geral), a comédia em cima do clichê dá à trama frescor suficiente para o público rir das situações e do caos realizado ao longo da história pelos pinguins, que também divertem por suas identidades desprovidas de bom senso. As sequências em Veneza e Tóquio são o ponto alto justamente por equilibrarem esse humor com a ação sem lógica, característica do universo estabelecido ali.
Mas o filme acaba traído por suas próprias concepções quando precisa inventar arcos dramáticos para os personagens, e no processo comete os mesmos erros de Madagascar. Enquanto a crise no relacionamento familiar entre Capitão e Recruta progressivamente ocupa a narrativa e priva o longa do humor (seu ponto mais forte), o roteiro se submete aos clichês que tirava sarro nos dois primeiros atos para no terceiro criar um clímax genérico e protocolar para resolver sem muitas complicações a trama principal.
Em comparação a toda a cronologia do produto do qual foi originado, Os Pinguins de Madagascar pode ser considerado um feito devido às suas qualidades cômicas e os protagonistas com maior potencial. Se for aplicado ao panorama atual vivido o gênero de animações ou a própria oferta recente de filmes da Dreamworks, entretanto, o derivado soa sem identidade, enfraquecido por aspectos originários da franquia de origem. Há como reparar os erros, mas a grande questão é: Haverá espaço no calendário para uma eventual sequência?

Nota: 5/10

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