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terça-feira, 11 de abril de 2017

Entrevista: Vincent Carelli (Martírio)

Diretor de documentário sobre caminho sofrido dos índios Guarani e Kaiowá conversou sobre a recepção do filme e sua relação pessoal com a obra.

Por Pedro Strazza.

Chega aos cinemas de mais de vinte cidades brasileiras nesta quinta-feira o filme Martírio, documentário dirigido por Vincent Carelli que disseca o percurso difícil vivido pelos índios Guarani e Kaiowá na tentativa pacífica de retomar suas terras sagradas. Estreando pelo projeto Sessão Vitrine Petrobrás, o filme de mais de duas horas e meia  de duração é também uma grande análise da opressão histórica vivida pelo índio na sociedade brasileira, aliando documentos oficiais, imagens de arquivo e o próprio testemunho do diretor para evidenciar o quão enraizado está na História o genocídio dessas aldeias pelas mãos do Estado - seja qual for a sua encarnação.

Com o filme terminando sua passagem pelo circuito de festivais - onde venceu prêmios em lugares como o Festival de Brasília (evento que também sediou sua premiere, poucos dias depois do impeachment da presidente Dilma), a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e o Festival Internacional de Cine de Mar del Plata - e prestes a entrar no circuito, O Nerd Contra-Ataca entrevistou o diretor, que falou mais sobre o processo de produção do longa e revelou alguns detalhes de seus próximos projetos. Confira o bate-papo na íntegra abaixo:
Vincent Carelli

Desde que o filme estreou no Festival de Brasília, Martírio vem sendo muito bem recebido. Antes do filme efetivamente estrear no circuito comercial, o senhor já está satisfeito com o resultado obtido pelo filme até aqui?

A gente está muito satisfeito. Começar por Brasília foi maravilhoso... foi uma catarse coletiva porque eram apenas alguns dias depois do golpe, então tinha um certo calor [risos]. A gente se sente contemplado com o esforço que foi fazer isso, foi uma espécie de surto necessário apesar do desafio. Então a gente está achando fantástico porque este filme é pra ser mais que um filme: é um alerta, um questionamento, uma releitura da História do Brasil.

O mais interessante é que as pessoas saem comovidas, toca no pessoal. Houveram muitos retornos para agradecer, tanto pela parte histórica, que as pessoas descobrem uma versão da História do país na versão dos vencidos, quero dizer, é um aspecto completamente oculto da realidade nacional, o relacionamento do Estado brasileiro com os povos indígenas; e outras saem muito abaladas, enfim... todo mundo sabe que isso está acontecendo, mas mergulhar na sala de cinema, naquela progressão...

Em relação à estreia agora pela Sessão Vitrine Petrobrás [projeto que lança produções brasileiras no circuito comercial de mais de vinte cidades do país], qual é a sua expectativa?

Eu não tenho essa experiência, então eu não fico criando expectativa, mas só o trailer tem meio milhão de visualizações. E quando você vai olhar a postagem [do Facebook], tem setecentos e tantos comentários e é uma batalha campal entre amantes de índios e agroboys insultando os índios. É um debate caloroso, mas indica que viralizou na internet. Se isso vai repercutir na sala nós vamos ver.

Vendo o filme, dá para perceber que ele faz várias críticas severas a diversas administrações governamentais, incluindo aí os mandatos presidenciais dos últimos 30 anos. Houve alguma resposta oficial de qualquer uma destas partes, sejam os partidos aos quais estes políticos integram ou a própria bancada ruralista?

De jeito nenhum. O gabinete da Gleisi Hoffmann me ligou, ainda em Brasília, dizendo que queria ver o filme - porque sabia que tinha sido citada – e eu respondi dizendo que o filme daqui a pouco estaria disponível na internet e tal. Foi o único sinal que eu recebi do lado de lá.

O filme combina constantemente um lado analítico, que é o processo histórico do índio no Brasil e a constante opressão de seus povos pelo Estado, com outro pessoal, que é o seu relato das suas próprias incursões por essas tribos. Como foi aliar estas duas partes no processo de montagem do longa?

Como a interpretação histórica é minha, creio que o filme continua no mesmo tom [risos]. A dimensão histórica foi crescendo no processo, a gente filmou primeiro e depois mergulhou na pesquisa histórica. Eu não pensei que esta parte não ganharia tamanha dimensão, mas é um caso raro de processo de expropriação documentada em documentos oficiais. Isso é prova jurídica, então daí a importância, o espaço que ganhou. Eu precisava mostrar dois mundos que são completamente antagônicos, então acredito que as filmagens da década de 80 proporcionam muito mais intimidade, mostrar com muito mais clareza o que é a religiosidade dos Guaranis. 

O resto é luta. A montagem se resolveu quando vi nos muitos casos de retomada que tinha em mãos aqueles que me permitiam puxar um momento, algum ciclo da História que tornasse a obra mais orgânica.

Então foi um filme que começou como uma obra completamente pessoal e foi evoluindo para este tratamento histórico? Essa percepção foi acontecendo aos poucos na produção?

Sim, na descoberta do material. E o filme é redigido na hora, foi sendo escrito e reescrito, teve muitas versões [risos].

Você já disse em entrevistas anteriores que estava com esse filme na cabeça há algum tempo, mas que você só decidiu fazer ele mesmo depois de receber a notícia da execução de um cacique Guarani em frente à sua própria aldeia e que depois sumiram com o seu corpo. Você conhecia este cacique?

Não, eu não conhecia ele pessoalmente. O chocante pra mim é desaparecer com o corpo, este é o castigo maior.

Percebo que este filme se tornou muito íntimo para você.

Sim, foi um surto de revolta. Eu estava escrevendo o roteiro de outro projeto na época inclusive, eu abandonei tudo para entrar com tudo nele.

Considerando que este é seu segundo longa-metragem [o primeiro foi Corumbiara, de 2009], você diria que até o momento este é o seu projeto mais pessoal?

Não, o Corumbiara e o meu próximo filme [Adeus, Capitão, que forma com Corumbiara e Martírio uma trilogia sobre a opressão do índio no Brasil] também são muito pessoais. Este último é sobre um povo que eu conheci em 1971, trabalhei quase duas décadas com eles e é também uma história em que a gente interveem, chama jurista, processa o Estado... enfim, ele tem toda uma ação e agora uma reflexão sobre este processo. A ideia da trilogia é isso: fazer uma reflexão sobre vários casos emblemáticos da questão indígena no Brasil.

Você termina o Martírio de uma forma muito pontual, com você permitindo aos índios que eles registrem com a câmera o terror que eles vivem. No Adeus, Capitão, que é o terceiro e último capítulo da sua trilogia, vai haver um prosseguimento desta linha de raciocínio?

Sim, sim, eu já dei oficina lá, já fiz filme com eles e certamente eles estarão integrados a este processo. O Adeus, Capitão é um filme mais complexo, ele não é um acaso dramático como é um genocídio, mas sim sobre como um processo de inserção capitalista desestrutura uma sociedade igualitária. É pegar o processo de um povo que quase se extinguiu em um momento de contato e ao longo das décadas conseguiu voltar à tona... enfim, é a saga de um povo. É um pouco singular no formato, na condução da narrativa. Depois eu planejo fazer um quarto filme que aí sim é mais uma linha memórias afetivas, sobre quando eu era adolescente e vivi entre os caiapós. Vai ser em outra linguagem, muito pautada em arquivos e fotos.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Oscar 2017: Indicados e vencedores

Sob clima de auto-homenagem, edição deste ano confirma novos rumos da premiação.

Por Pedro Strazza.

Há exatos quarenta e nove anos, Warren Beatty e Faye Dunaway eram protagonistas de Bonnie e Clyde - Uma Rajada de Balas, um dos cinco indicados ao prêmio máximo de um Oscar notável pelas mudanças, que via simultaneamente o progressivo fim da Velha Hollywood em contraste com o nascimento da Nova em meio ao ápice do movimento negro comandado por figuras como Malcolm X e Martin Luther King Jr. - este último cujo assassinato fez com que a cerimônia de premiação fosse adiada em alguns dias. Vencido por No Calor da Noite, o Oscar de 1968 foi um ponto de virada importante para a mentalidade dos votantes da Academia, que se em anos anteriores vinha consagrando grandes produções - como épicos históricos e musicais hollywoodianos - nas edições seguintes mudou por completo sua mentalidade, passando a eleger como filme do ano obras como Operação França, Perdidos na Noite e Rocky - O Lutador.

Nada mais justo então que quase cinquenta anos depois Beatty e Dunaway, símbolos de uma geração que "salvou" Hollywood de uma de suas maiores crises, também fossem protagonistas de uma das maiores confusões da História do prêmio. Escolhidos para realizar o ato final (justo por causa do aniversário de Bonnie e Clyde), a dupla anunciou na noite de ontem (26) o filme errado como vencedor do Oscar de Melhor Filme no final da cerimônia realizada no Dolby Theater. Os dois não tiveram culpa no processo - a organização forneceu erroneamente a eles um envelope reserva da categoria de Melhor Atriz - mas o verdadeiro papelão que aconteceu ao redor deles talvez tenha sido um dos atos mais simbólicos de uma nova mudança de mentalidade na Academia de Artes e Ciências Cinematográficas e seus votantes, até porque os longas envolvidos na troca representam dois tipos de produção que vem sendo centrais nas últimas edições da premiação.

Antes disso, porém, é preciso repassar a cerimônia. Com a audiência em queda livre já há alguns anos, o Oscar este ano apostou em Jimmy Kimmel para reformular a cerimônia e torná-la mais atrativa a todos os públicos, adequando as quase quatro horas de apresentação ao formato de um episódio do talk show comandado pelo apresentador, o Jimmy Kimmel Live. Com esquetes e piadas internas do programa incorporados aos números musicais e discursos de agradecimento - teve desde o famoso quadro Mean Tweets à eterna rivalidade de Jimmy com o ator Matt Damon - a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas viu seu principal evento acentuar os altos e baixos, já que ao mesmo tempo que tirava proveito da desenvoltura de seu host como mestre de cerimônias (o monólogo de abertura em especial foi um grande acerto) ele também sofria com esquetes forçados e mal encaixados entre as categorias - a brincadeira dos turistas aparecendo na cerimônia, por exemplo, pareceu como mais uma tentativa desesperada do Oscar de relembrar o sucesso viral do ano comandado por Elle DeGeneres, pelo menos em termos comerciais e midiáticos a apresentadora de maior sucesso das últimas edições.

Tudo isso foi envolto em um clima de solenidade bastante marcante para com a História da premiação, alto até mesmo para os padrões altamente narcísicos  da Academia. Depois de se render à sátira com a própria imagem no ano passado, o Oscar em 2017 foi do começo ao fim dedicado a relembrar os grandes momentos do prêmio, desde os clipes com os principais ganhadores das categorias de atuação (que precederam o anúncio de cada um dos quatro vencedores da área) às declarações de oscarizados sobre os filmes que marcaram suas vidas.

Enquanto este tom reverencialista apontava para uma permanência das tradições que circulam sobre a cerimônia desde sempre, a entrega dos prêmios em si trouxe várias surpresas, fruto talvez da mudança brusca do perfil dos votantes depois da medida tomada pela organização no ano passado de aumentar a diversidade de seus membros. Ainda que La La Land - Cantando Estações tenha saído da noite no fim com o maior número de prêmios - foram seis, incluindo o de Atriz para Emma Stone e o de Direção para Damien Chazelle - as primeiras categorias anunciadas já indicavam grandes reviravoltas, desde a inesperada vitória de Esquadrão Suicida em Melhor Maquiagem e Penteados (a primeira de um filme de super-herói no Oscar desde O Cavaleiro das Trevas em 2009) às duas estatuetas conferidas a Até o Último Homem, não apenas por ser um filme do recém-redimido pela Academia Mel Gibson como também por ter premiado em Mixagem de Som Kevin O'Connell, recordista de derrotas na categoria com 20 nomeações.

O fim do suplício de O'Connell foi o maior indicativo do quão propensa a Academia estava para justiças históricas na noite de domingo, seja presente ou passada. As vitórias de Mahershala Ali e Viola Davis em Ator e Atriz Coadjuvante puseram fim à onda do "Oscars So White" que assombrava a Academia já há dois anos; impedidos de comparecer à cerimônia por terem sua entrada no país barrada pelo presidente Trump, os realizadores de White Helmets e o celebrado cineasta Asghar Farhadi foram agraciados respectivamente com as estatuetas de Documentário em Curta-Metragem e Filme Estrangeiro, talvez por terem sido vítimas dos desmandos do governo; com o anúncio de Animais Fantásticos e Onde Habitam como grande vencedor da categoria de Figurino, a franquia Harry Potter enfim levou um Oscar para casa; e por causa de Piper - Descobrindo o Mundo a Pixar enfim conseguiu vencer a categoria de Animação em Curta-Metragem depois de mais de quinze anos na seca.

Isso nos leva, claro, ao principal prêmio da noite. Depois de ter confirmado seu favoritismo em Ator Coadjuvante e Roteiro Adaptado, Moonlight - Sob a Luz do Luar saiu com o Oscar de Melhor Filme, se tornando o primeiro filme LGBT da História do prêmio a receber a maior honraria da noite. A vitória do longa dirigido por Barry Jenkins soa como uma espécie de redenção a produções centradas na temática, principalmente Brokeback Mountain que, em 2006, teve suas grandes chances de levar a principal estatueta frustradas pelo fraco Crash - No Limite, tido por muitos como a escolha mais absurda feita pela Academia nos últimos anos.

Antes de saber que tinha vencido, porém, Moonlight acabou vendo o prêmio ser erroneamente anunciado por Beatty e Dunaway para La La Land, cuja grande quantidade de estatuetas arrebanhadas durante a noite - apesar de em número muito menor que esperado - reforçou a ideia de que sua vitória fosse natural.

É neste ponto que fica evidente o quão importante a confusão do anúncio foi para a compreensão do que pode ser a mais nova mudança de eixo da premiação dos melhores da indústria cinematográfica estadunidense. Nesta última década, o Oscar de Melhor Filme pertenceu em pelo menos três ocasiões (no caso O Artista, Argo e Birdman) a produções que de alguma forma faziam referência à Hollywood de forma a reverenciá-la, o que reforçava por sua vez a tendência dos votantes de consagrar o musical de Chazelle na categoria este ano. A vitória de Moonlight, entretanto, vai contra esses "princípios" até então dados como certos para os rumos atuais da premiação, que caía cada vez mais na celebração autoindulgente de seu passado e se tornava por consequência ultrapassada.

O filme de Jenkins a bem da verdade possui maior afinidade com outro vencedor recente da categoria, o campeão do ano passado Spotlight - que também levou poucas estatuetas na edição de 2016. Como no longa sobre Jornalismo de Tom McCarthy, impera em Moonlight a predominância de temáticas que muitos elogiam como "importantes" para o mundo de hoje, algo que acaba por prevalecer na mentalidade coletiva sobre as duas obras e as impulsionou para fazer História no Oscar. São trabalhos que atingem o status de grande obra por uma atribuição que sua qualidade em nada influencia: só de tocar em temas importantes e espinhosos às alas mais conservadoras (para Spotlight o abuso sexual em crianças, em Moonlight a homossexualidade e o negro) sua condição se eleva.

Assim posto, começa a se formar na temporada de premiações um novo cenário. Pelo menos nos próximos cinco anos, pode se esperar do Oscar e das instituições ligadas a ele a tendência de suas principais categorias escolherem produções que carreguem este signo de importância, uma suposta vitalidade à discussão pública e os assuntos vitais que regem seu funcionamento. A dúvida é o quão disposta a Academia e seus votantes estão de se empenhar nisso, porque pelo menos nestas últimas duas edições o que se viu foi um verdadeiro festival de hipocrisia (culpa talvez do clima solene que tanto permeia a premiação): quando se celebrou a importância do Jornalismo, o Oscar teve o perfil mais branco de indicados dos últimos quinze anos; enquanto se glorificava um filme considerado negro e de temática LGBT, dava-se prêmios a um filme comandado por um (ótimo) cineasta até então renegado na indústria por sua atribuição de anti-semita e racista e a honraria de Melhor Ator a Casey Affleck, que em tempos recentes viu ressurgir na imprensa acusações de assédio. Mesmos os discursos dos vencedores desta 89° cerimônia de premiação falharam em possuir uma maior carga política, com os campeões das categorias principais se restringindo a agradecimentos pessoais e emocionais.

Isso sem contar o fato de que há certas justiças históricas pendentes que mais uma vez foram frustradas pela Academia, incluindo aí o fato de nenhum negro na História do prêmio ter levado a estatueta de Melhor Diretor.

No fundo, a confusão iniciada por Beatty e Dunaway foi positiva por dois grandes motivos. O primeiro é que o caráter inusitado da zona deu à premiação um bem vindo respiro de autenticidade em meio à armação falsamente disfarçada de surpresa por Kimmel e seu talk-show montado em cima da cerimônia - que no próximo ano deve testar novos formatos depois de ver sua audiência cair de novo. A segunda vem da própria transição escancarada na passagem de estatuetas entre os indicados, que não apenas revelaram um senso de camaradagem - tirando a atitude nada agradável do produtor de La La Land Fred Berger, que mesmo consciente da derrota resolveu fazer um discurso de agradecimento, os responsáveis pelos dois filmes se mostraram muito conscientes da situação delicada em que se colocavam - mas também representaram ao vivo a passagem de bastão que a Academia aos poucos se encaminha enquanto os reais vencedores chegavam ao palco. Graças a um erro, o momento ali com certeza uniu para sempre os rumos de ambos os filmes.

Confira abaixo a lista completa da 89° edição do Oscar. Os vencedores estão em negrito.

Melhor Filme


Melhor Direção


  • Mel Gibson (Até o Último Homem)
  • Dennis Villeneuve (A Chegada)
  • Damien Chazelle (La La Land - Cantando Estações)
  • Kenneth Lonergan (Manchester à Beira-Mar)
  • Barry Jenkins (Moonlight - Sob a Luz do Luar)

Melhor Roteiro Adaptado


  • A Chegada
  • Estrelas Além do Tempo
  • Lion - Uma Jornada Para Casa
  • Moonlight - Sob a Luz do Luar
  • Um Limite Entre Nós

Melhor Roteiro Original


  • Mulheres do Século 20
  • La La Land - Cantando Estações
  • O Lagosta
  • Manchester à Beira-Mar
  • A Qualquer Custo

Melhor Ator


  • Andrew Garfield (Até o Último Homem)
  • Viggo Mortensen (Capitão Fantástico)
  • Ryan Gosling (La La Land - Cantando Estações)
  • Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar)
  • Denzel Washington (Um Limite Entre Nós)

Melhor Atriz


  • Isabelle Huppert (Elle)
  • Meryl Streep (Florence - Quem é Essa Mulher?)
  • Natalie Portman (Jackie)
  • Emma Stone (La La Land - Cantando Estações)
  • Ruth Negga (Loving)

Melhor Ator Coadjuvante


  • Michael Shannon (Animais Noturnos)
  • Dev Patel (Lion - Uma Jornada Para Casa)
  • Lucas Hedges (Manchester à Beira-Mar)
  • Mahershala Ali (Moonlight - Sob a Luz do Luar)
  • Jeff Bridges (A Qualquer Custo)

Melhor Atriz Coadjuvante


  • Octavia Spencer (Estrelas Além do Tempo)
  • Michelle Williams (Manchester à Beira-Mar)
  • Naomie Harris (Moonlight - Sob a Luz do Luar)
  • Nicole Kidman (Lion - Uma Jornada Para Casa)
  • Viola Davis (Um Limite Entre Nós)

Melhor Animação


  • Kubo e as Cordas Mágicas
  • Minha Vida de Abobrinha
  • Moana - Um Mar de Aventuras
  • The Red Turtle
  • Zootopia - Essa Cidade é o Bicho

Melhor Animação em Curta-Metragem


  • Blind Vaysha
  • Borrowed Time
  • Pear Cider and Cigarettes
  • Pearl
  • Piper - Descobrindo o Mundo

Melhor Documentário


  • A 13° Emenda
  • Eu Não Sou Seu Negro
  • Fogo no Mar
  • Life, Animated
  • O.J.: Made in America

Melhor Documentário em Curta-Metragem


  • 4.1 Miles
  • Extremis
  • Joe's Violin
  • Watani: My Homeland
  • The White Helmets

Melhor Filme Estrangeiro


  • O Apartamento
  • Land of Mine
  • Tanna
  • Toni Erdmann
  • Um Homem Chamado Ove

Melhor Fotografia


  • A Chegada
  • La La Land - Cantando Estações
  • Lion - Uma Jornada Para Casa
  • Moonlight - Sob a Luz do Luar
  • Silêncio

Melhor Montagem


  • Até o Último Homem
  • A Chegada
  • La La Land - Cantando Estações
  • Moonlight - Sob a Luz do Luar
  • A Qualquer Custo

Melhor Trilha Sonora


  • Jackie
  • La La Land - Cantando Estações
  • Lion - Uma Jornada Para Casa
  • Moonlight - Sob a Luz do Luar
  • Passageiros

Melhor Canção


  • "The Empty Chair" (Jim: The James Foley Story)
  • "Audition (The Fools Who Dream)" (La La Land - Cantando Estações)
  • "City of Stars" (La La Land - Cantando Estações)
  • "How Far I'll Go" (Moana - Um Mar de Aventuras)
  • "Can't Stop The Feeling" (Trolls)

Melhor Design de Produção


  • Animais Fantásticos e Onde Habitam
  • Ave, César!
  • A Chegada
  • La La Land - Cantando Estações
  • Passageiros

Melhor Figurino


  • Aliados
  • Animais Fantásticos e Onde Habitam
  • Florence - Quem é Essa Mulher?
  • Jackie
  • La La Land - Cantando Estações

Melhor Maquiagem e Penteados


  • Esquadrão Suicida
  • Star Trek - Sem Fronteiras
  • Um Homem Chamado Ove

Melhores Efeitos Visuais


  • Doutor Estranho
  • Horizonte Profundo - Desastre no Golfo
  • Kubo e as Cordas Mágicas
  • Mogli - O Menino Lobo
  • Rogue One - Uma História Star Wars

Melhor Edição de Som


  • Até o Último Homem
  • A Chegada
  • Horizonte Profundo - Desastre no Golfo
  • La La Land - Cantando Estações
  • Sully - O Herói do Rio Hudson

Melhor Mixagem de Som


  • 13 Horas - Os Soldados Secretos de Benghazi
  • Até o Último Homem
  • A Chegada
  • La La Land - Cantando Estações
  • Rogue One - Uma História Star Wars

Melhor Curta-Metragem


  • Ennemis Intérieurs
  • La Femme et le TGV
  • Silent Nights
  • Sing
  • Timecode

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Oscar 2017: Indicados

Academia repara erros e traz surpresas em sua 89° edição.

Por Pedro Strazza.

Na manhã desta terça-feira (24), a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas anunciou a lista de indicados à 89° edição do Oscar. A divulgação dos filmes nomeados, feita por meio de uma transmissão nas redes sociais, confirmou a presença de obras favoritas ao prêmio como La La Land - Cantando Estações e Moonlight - Sob a Luz do Luar nas principais categorias e trouxe grandes surpresas, além de atender os pedidos de muitos na questão de diversidade racial.

Grande exemplo disso está nas categorias de atuação, que depois de dois anos com somente indicados brancos trouxeram em 2017 forte presença negra. Denzel Washington, Ruth Negga e Mahershala Ali foram lembrados respectivamente em Melhor Ator, Atriz e Ator Coadjuvante, ao passo que a trinca formada por Viola Davis, Octavia Spencer e Naomie Harris dominou as nomeações de Atriz Coadjuvante - que conta ainda com Michelle Williams e Nicole Kidman no páreo. Em Melhor Filme, uma grata surpresa: Dos nove indicados, três produções são protagonizadas por negros, o que por si só já evidencia a maior heterogeneidade das obras escolhidas como melhores do ano.

Nos números, quem dominou as atenções foi La La Land. Graças à lembrança dupla na categoria de Melhor Canção, o musical de Damien Chazelle chegou ao recorde de nomeações para um mesmo filme, empatando no histórico da premiação com A Malvada e Titanic com 14 indicações. Atrás dele ficaram Moonlight e A Chegada (que teve a nomeação para Amy Adams em Melhor Atriz esnobada), com 8 indicações, e Manchester à Beira-Mar, Lion - Uma Jornada Para Casa e Até o Último Homem, com 6.

Falando em Até o Último Homem, o filme foi protagonista de uma das grandes surpresas da manhã com sua indicação inesperada para Melhor Diretor - Mel Gibson, afinal, não é lá tão querido assim na indústria graças às suas inúmeras polêmicas nos últimos anos. Outras entradas de última hora foram Isabelle Huppert em Melhor Atriz - cuja vitória no Globo de Ouro impulsionou sua nomeação, apesar da interminável polêmica com relação ao filme que protagoniza, Elle -, Michael Shannon por Animais Noturnos em Melhor Ator Coadjuvante, a dupla indicação de Passageiros (para Trilha Sonora e Design de Produção!) e Esquadrão Suicida (?!) em Melhor Maquiagem e Penteados.

Os 62 filmes nomeados saberão se levaram a estatueta mais cobiçada de Hollywood na noite do dia 26 de fevereiro. Confira abaixo a lista final de indicados do Oscar 2017:

Melhor Filme

Melhor Direção

  • Mel Gibson (Até o Último Homem)
  • Dennis Villeneuve (A Chegada)
  • Damien Chazelle (La La Land - Cantando Estações)
  • Kenneth Lonergan (Manchester à Beira-Mar)
  • Barry Jenkins (Moonlight - Sob a Luz do Luar)

Melhor Roteiro Adaptado

  • A Chegada
  • Estrelas Além do Tempo
  • Lion - Uma Jornada Para Casa
  • Moonlight - Sob a Luz do Luar
  • Um Limite Entre Nós

Melhor Roteiro Original

  • Mulheres do Século 20
  • La La Land - Cantando Estações
  • O Lagosta
  • Manchester à Beira-Mar
  • A Qualquer Custo

Melhor Ator

  • Andrew Garfield (Até o Último Homem)
  • Viggo Mortensen (Capitão Fantástico)
  • Ryan Gosling (La La Land - Cantando Estações)
  • Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar)
  • Denzel Washington (Um Limite Entre Nós)

Melhor Atriz

  • Isabelle Huppert (Elle)
  • Meryl Streep (Florence - Quem é Essa Mulher?)
  • Natalie Portman (Jackie)
  • Emma Stone (La La Land - Cantando Estações)
  • Ruth Negga (Loving)

Melhor Ator Coadjuvante

  • Michael Shannon (Animais Noturnos)
  • Dev Patel (Lion - Uma Jornada Para Casa)
  • Lucas Hedges (Manchester à Beira-Mar)
  • Mahershala Ali (Moonlight - Sob a Luz do Luar)
  • Jeff Bridges (A Qualquer Custo)

Melhor Atriz Coadjuvante

  • Octavia Spencer (Estrelas Além do Tempo)
  • Michelle Williams (Manchester à Beira-Mar)
  • Naomie Harris (Moonlight - Sob a Luz do Luar)
  • Nicole Kidman (Lion - Uma Jornada Para Casa)
  • Viola Davis (Um Limite Entre Nós)

Melhor Animação

Melhor Animação em Curta-Metragem

Melhor Documentário

  • A 13° Emenda
  • Eu Não Sou Seu Negro
  • Fogo no Mar
  • Life, Animated
  • O.J.: Made in America

Melhor Documentário em Curta-Metragem

  • 4.1 Miles
  • Extremis
  • Joe's Violin
  • Watani: My Homeland
  • The White Helmets

Melhor Filme Estrangeiro

Melhor Fotografia

  • A Chegada
  • La La Land - Cantando Estações
  • Lion - Uma Jornada Para Casa
  • Moonlight - Sob a Luz do Luar
  • Silêncio

Melhor Montagem

  • Até o Último Homem
  • A Chegada
  • La La Land - Cantando Estações
  • Moonlight - Sob a Luz do Luar
  • A Qualquer Custo

Melhor Trilha Sonora

  • Jackie
  • La La Land - Cantando Estações
  • Lion - Uma Jornada Para Casa
  • Moonlight - Sob a Luz do Luar
  • Passageiros

Melhor Canção

  • "The Empty Chair" (Jim: The James Foley Story)
  • "Audition (The Fools Who Dream)" (La La Land - Cantando Estações)
  • "City of Stars" (La La Land - Cantando Estações)
  • "How Far I'll Go" (Moana - Um Mar de Aventuras)
  • "Can't Stop The Feeling" (Trolls)

Melhor Design de Produção

Melhor Figurino

  • Aliados
  • Animais Fantásticos e Onde Habitam
  • Florence - Quem é Essa Mulher?
  • Jackie
  • La La Land - Cantando Estações

Melhor Maquiagem e Penteados

Melhores Efeitos Visuais

Melhor Edição de Som

Melhor Mixagem de Som

Melhor Curta-Metragem

  • Ennemis Intérieurs
  • La Femme et le TGV
  • Silent Nights
  • Sing
  • Timecode

domingo, 4 de dezembro de 2016

Guardiões da Galáxia Vol. 2 na CCXP

Painel do filme deixa claro abordagem visual mais estilizada e colorida.

Por Pedro Strazza.

Se havia alguma dúvida de que Guardiões da Galáxia Vol. 2 é um dos filmes mais esperados pelo público brasileiro em 2017, ela foi dissipada no último painel de sábado do auditório Cinemark da Comic Con Experience 2016. A recepção das 3.500 pessoas presentes no salão ao diretor do filme James Gunn e aos trechos mostrados do filme foram de longe as mais explosivas da programação do auditório, fazendo o chão chegar a tremer em determinados momentos do painel dedicado à sequência da space opera super-heroica da Marvel Studios. Um fato que não passou despercebido por Gunn, que na sua conta no Instagram definiu o painel como um dos "grandes momentos de sua vida".

A animação do público presente não foi à toa. Além da divulgação do segundo trailer oficial (que você pode conferir logo abaixo), a apresentação de Guardiões da Galáxia Vol. 2 na CCXP contou com dois materiais inéditos, ambos provindos da Comic-Con de San Diego: Um trailer estendido, que mostra mais detalhes da produção e revela o visual dos papéis de Elizabeth Debicki, Sylvester Stallone e Kurt Russell; e uma cena, que parece combinar dois momentos da narrativa e mostra a fuga de Yondu (Michael Rooker), Rocket Raccoon (Bradley Cooper) e Baby Groot (Vin Diesel) da prisão dos Ravagers, grupo de mercenários antes liderados pelo primeiro e um dos vilões da história.

Nos três vídeos, o que impera são o humor e um visual estilizado, muito mais berrante na paleta em relação ao já colorido original. Como bem indica o topete tecnonógico protuberante de Yondu (que pelo trailer acentua seu controle sobre sua flecha dourada, agora muito mais rápida e letal), Gunn parece ter assumido aqui um cinema de poses para seu grupo de heróis desfuncionais, que com seus trajes tornam-se verdadeiras estrelas do rock. Isso fica claro não somente pelas silhuetas de Peter Quill (Chris Pratt), Gamora (Zoe Saldana) e Drax (Dave Bautista) em ação no início do trailer divulgado mas também na fuga de Rocket, Yondu e Baby Groot: o slow motion é uma constante na cena, tanto para mostrar a ação da arma do antigo líder dos Ravagers como no momento em que os corpos dos bandidos caem enquanto o trio caminha em uma plataforma, em um daqueles planos definidores dos personagens como objetos cool.

A comédia, porém, ainda deve ser o elemento fundamental para que tudo funcione na história da equipe. Pelo menos nas imagens divulgadas, Groot, Rocket e Drax continuam sendo os pilares de sustentação para os momentos de desarme cômico da trama, ao passo que as novas adições ao elenco carregarão o humor em seus perfis. Gunn prometeu no painel que o personagem de Stallone, cuja identidade ainda é desconhecida, será protagonista de várias piadas no longa, enquanto o Ego de Russell e a Mantis de Pom Klementieff prometem divertir por perfis bastante distintos.

Ainda sobre Kurt Russell, é válido mencionar que seu papel de planeta vivo incorporado em um corpo humano deve proporcionar ao novo Guardiões da Galáxia oportunidades de se desenvolver tanto no drama quanto na comédia. Pai de Quill, o personagem protagoniza uma das cenas mais engraçadas do trailer da Comic-Con de San Diego, quando ao explicar para o grupo como seu receptáculo humano foi feito ele é interrompido por Drax com a pergunta sobre ele ter ou não ter um pinto. A resposta divertida de Ego ("Eu tenho um pinto, e dos mais respeitáveis vale dizer") e a vergonha de Quill com o teor da questão são elementos que evidenciam o potencial do Vol. 2 dentro dos futuros lançamentos da Marvel Studios e o porquê deste grupo ter ganhado tanto destaque entre o público.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

O painel da Paramount na CCXP 2016

Estúdio traz o novo xXx e a adaptação de Ghost in the Shell para primeiro dia de evento.

Por Pedro Strazza.

A Paramount Pictures foi o primeiro grande estúdio a se apresentar na Comic Con Experience 2016, que começou nesta quinta (1) no São Paulo Expo e vai até o dia 4. Iniciando-se com dez minutos de atraso, o painel de pouco menos de uma hora e meia levou à loucura as 3.500 pessoas presentes no auditório Cinemark não apenas por trazer ao palco as estrelas Vin Diesel, Nina Dobrev e o lutador de UFC Michael Bisping mas também com materiais exclusivos de duas de suas produções de 2017, os filmes xXx - Reativado e Vigilantes do Amanhã - Ghost in the Shell.

Confira abaixo um resumo e opinião sobre os materiais divulgados no painel:

Vigilantes do Amanhã - Ghost in the Shell

Abrindo os trabalhos do painel, a Paramount apresentou duas sequências inéditas da adaptação estadunidense do mangá de Shirow Masamune para as telonas, as duas sendo exibidas pela primeira vez no Ocidente. A primeira é a sequência de abertura do longa, que ao som do tema musical do anime homônimo de Mamoru Oshii traz a montagem da protagonista, a ciborgue Major Motoko (Scarlett Johansson).

Já a segunda cena é uma de ação envolvendo o policial interpretado por Takeshi Kitano, que enfrenta um grupo de criminosos mascarados que fazem um atentado à sua vida. Depois de escapar da primeira saraivada de tiros a seu carro, ele entra em combate com os bandidos, um a um os abatendo com tiros e a mala que carrega. A cena termina com Kitano de pé perante ao último mascarado vivo, dizendo antes de matá-lo com um tiro e esvaziar seu revólver no morto que não se deve mandar coelhos para caçar uma raposa.

As duas sequências vem para mostrar o quão fiel a produção comandada por Rupert Sanders foi com a animação de Oshii. Principalmente a abertura do filme, que é idêntica à do anime, as cenas são plásticas e estilizadas, buscando e conseguindo exaltar a semelhança entre as duas obras. Pelo menos visualmente, os fãs da história cyberpunk estarão satisfeitos com o resultado.

A grande questão que fica para o filme neste campo, na verdade, é se o longa de Sanders conseguirá arranjar voz própria. As belas imagens até aqui divulgadas são bem claras nesta proposta de emulação, mas parecem estar tão atreladas ao anime de Oshii que não são capazes de se distinguir de outras produções hollywoodianas que abordam distopias. E com o desejo do estúdio de tornar a história em uma franquia, esse destaque é mais do que necessário.

xXx - Reativado

Além do painel com Diesel, Dobrev e Bisping e o material já existente na internet, a Paramount apresentou na CCXP os vinte primeiros minutos do filme, que apesar de algumas coisas ainda para serem finalizadas (os créditos iniciais e os gráficos surgem muito rápido) já apresenta o tom da continuação do longa de 2002.

O início de xXx é composto de três cenas. Na primeira, acompanhamos o Agente Gibbons (Samuel L. Jackson) apresentando e tentando recrutar para o projeto do título Neymar Jr., indo em dois segundos de um assalto frustrado pela ação heroica do jogador do Barcelona - que impede o crime chutando um porta guardanapo no assaltante (?) - à queda de um satélite com todas as explosões que a produção pode ter direito. Dali, o filme mostra uma reunião do governo promovida pela agente interpretada por Toni Collette no intuito de apresentar uma nova tecnologia de vigilância, mas que é roubada na hora por uma equipe liderada pelo personagem do artista marcial Tony Jaa, emendando em seguida com uma sequência radical que mostra Xander Cage (Vin Diesel) assaltando uma antena governamental - por motivos que não valem a pena serem revelados aqui - e fugindo de seus agentes através de esqui na terra e skate.

São vinte minutos que passam relativamente rápido e indicam o teor mais juvenil da produção, que brinca acima de tudo com as possibilidades extremas e irreais dos esportes radicais. Nesse sentido, o novo xXx parece ser bastante coeso com sua proposta: o diretor D.J. Caruso realiza suas sequências ditadas sobretudo pelo ritmo e as poses de seus personagens, com Diesel e Jaa não exitando em fazer caras e bocas em meio à ação que protagonizam, ao passo que a trama não parece possuir maior função que ser uma linha de condução a esses sets de ação. É um filme de exageros que se assume como tal, disposto a brincar sem maiores preocupações.

Ao mesmo tempo, porém, essa juventude do novo xXx dependerá muito da conexão que o público nutre com os personagens, algo que o longa parece só possuir com Diesel. Se o ator de 49 anos mostra carisma nas cenas que protagoniza (algo que repercute para a realidade, como a emoção do público perante a presença do ator na apresentação bem prova), o restante do elenco não mostra o mesmo vigor: Jaa soa mecânico nas piscadelas que dá ao espectador em meio à sua performance, enquanto Collette e Jackson estão a princípio presos em estereótipos governamentais. Já Neymar exala a inexperiência como ator em sua estreia em uma produção estadunidense, soando forçado nas poucas falas que diz e um pouco truncado em seus movimentos na cena que "divide" com Jackson.

Logo no início do painel de xXx - Reativado, Diesel foi enfático ao dizer que "estava morrendo de vontade de fazer um filme divertido" após o difícil momento emocional que viveu com a morte do amigo Paul Walker no meio das filmagens de Velozes e Furiosos 7. O termo "diversão" inclusive foi bastante repetido por ele e os outros dois atores no restante da apresentação na CCXP e está bastante presente nos momentos iniciais da produção. Resta saber se essa diversão será suficiente para suportar um longa-metragem de prováveis quase duas horas de duração.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Entrevista: Joel Saracho (Canção para um Doloroso Mistério)

Ator discute os desafios e a complexidade de se fazer um filme de oito horas.

Por Pedro Strazza.

Novo filme do filipino Lav Diaz, Canção para um Doloroso Mistério vem chamando a atenção do público desde que estreou e ganhou o prêmio Alfred Bauer no festival de Berlim desse ano, mas muito por causa de sua duração. São pouco mais de oito horas de duração, que acompanham primordialmente a jornada de personagens em busca do corpo de Andrés Bonifácio, um dos principais líderes da Revolução Filipina e cujo túmulo permanece perdido até hoje.

Em São Paulo para divulgar o filme, que teve duas sessões na 40° Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o ator Joel Saracho - que faz Karyo, no longa o único homem do grupo de busca comandado pela esposa de Bonifácio, Gregoria de Jesus (Hazel Orencio) - concedeu uma entrevista ao O Nerd Contra-Ataca, dando detalhes sobre como é trabalhar nas filmagens de um projeto tão grande e discutindo o conteúdo do filme, que combina elementos históricos, mitológicos e mesmo da literatura filipina. Confira a transcrição do bate-papo abaixo:
Joel Saracho
Como é trabalhar num projeto com uma duração tão grande? Qual é a diferença em relação à experiência de trabalhar com um filme de noventa minutos?

Deixe me contar primeiro o processo do nosso diretor. Quando ele [Lav Diaz] me convidou para trabalhar no filme, nós apenas conversamos sobre o perfil do personagem que eu interpretaria: um senhor de idade que se junta a esse grupo de mulheres na busca por um corpo. “Você irá procurar e morrer em determinado momento do filme”, era isso que eu sabia. Nós nunca tivemos a chance de ler o roteiro inteiro e final, eu só li o primeiro rascunho há cerca de 17 anos, que era bastante diferente do que foi filmado. Então todo dia você recebia no set uma folha de papel com as cenas que iam ser filmadas e os diálogos que tinha que dizer. Então eu pensava: “como vou fazer isso?”. Há um monte de cenas que são só sobre os personagens andando na floresta, então eu tinha que perguntar pro diretor coisas como há quanto tempo estávamos andando para mudar meus trejeitos, a forma de andar e mesmo a tosse, que eu tinha de intensificar aos poucos. Diferente de outros diretores, que diriam como mexer sua cabeça, quando olhar e mover suas mãos, Lav te mostra o plano e te diz “Este é seu espaço, você pode atuar aqui, daqui pra ali. Considere esse seu quadro e ‘pinte’ sua própria cena”. É realmente um grande desafio para atores. Você tem que focar no que você fez, no que você fará, daonde a cena vem e para onde ela irá. É divertido, mas também difícil.

Quanto tempo durou as filmagens? Qual foi seu maior desafio durante essas filmagens?

Você talvez não acredite nisso, mas as filmagens duraram apenas 24 dias. Nós concentramos as filmagens primeiro na parte sul das Filipinas. Ficamos lá por 21 dias e depois fomos para outra parte do país para filmar por outros três dias as cenas que ficamos sentados nas casas. A parte mais difícil foi de achar os fundos para custear o filme, mas depois disso tudo fluiu muito bem. Não sei quanto isso dá em dólares, mas o filme custa algo em torno de 12 milhões de pesos, o que é muito pouco.

Esse não é seu primeiro filme que você trabalha com Lav Diaz, você fez anteriormente um filme de cinco horas e meia chamado Do Que Vem Antes. Como ele trabalhou com você o personagem? Houve uma grande diferença na relação que você teve com o diretor de um filme para outro?

Não foi muito diferente. Deixe-me contar primeiro como é a rotina do Lav no set: Ele acorda às 3 da manhã, toca seu violão e mais tarde escreve seus roteiros para o dia, baseado no que ele escreveu inicialmente. Todo a produção acorda, toma o café-da-manhã, o assistente do diretor passa aos atores o roteiro do dia. Aí você está no set, ele fala pra você “você vem dali e vai pra lá, esse é seu enquadramento, você se pinta nele”. O problema é que ele gosta de fazer planos longos, então você tem que memorizar bem suas falas. Se você comete um erro você tem que refazer tudo desde o início. Você discute seu personagem com ele, mas ele não deixa muito implícito como você deve “atacar” o personagem, ele assume que você saiba. Em Canção você tem esses dois atores que fazem Isagani e Simoun, os dois revolucionários filipinos, que são atores muito populares no país. No primeiro dia de filmagens com os dois, eu nunca me senti tão estúpido na minha vida. Sabe, eles não estão acostumados ao modo de trabalho de Lav. Em filmes comerciais, o diretor te fala exatamente como fazer a cena; no cinema de Lav ele te dá o quadro e você se insere nele, e isso é uma experiência muito diferente pro ator. Como é um plano longo, chega um ponto em que você não sabe mais o que fazer, então algo orgânico só surge se você internalizar e entender a cena e seu personagem.

O seu personagem passa grande parte do filme com um grupo de quatro mulheres. Considerando o processo que vivemos hoje no cinema mais mainstream, em que a figura e o papel da mulher nesses filmes está mudando drasticamente, você chegou a considerar essa relação com essas mulheres na hora de trabalhar seu papel?

Não exatamente. Acredito que o cerne do personagem era de servir a Revolução. Ele queria se juntar à revolução, mas teve sua participação negada porque estava doente, tinha tuberculose. Mas ele queria participar da luta, então quando ele descobre que Gregoria de Jesus está atrás do corpo de Bonifácio, seu marido, acredito que ele toma como missão ajudá-la nessa tarefa para auxiliar a revolução, pelo menos até seu encontro com o tikbalang, um ser mitológico das Filipinas que diz ter a poção que pode curá-lo de seu mal. Então em termos de objetivo do personagem foi bastante claro o que ele queria, ele queria ajudar Gregória de Jesus em sua procura, e isso é a parte mais importante até o momento que ele quer ir embora.

Canção Para um Doloroso Mistério trabalha com elementos de religião cristã, como padres, cruzes e até uma Virgem Maria, mas também com um lado mais místico, a exemplo das criaturas mágicas e as brumas da floresta. Qual sua opinião sobre essa relação no filme?

Eu fiz exatamente esta pergunta para Lav no set. Nós temos três camadas no filme: Temos o lado histórico, que trata da procura pelo corpo de Andrés Bonifácio e é baseada em fatos; os dois revolucionários, que são personagens literários do livro de Doutor José Rizal; e o mito, que são as criaturas mitológicas que acompanham o tikbalang, uma criatura mitológica da cultura filipina que te desvia do caminho. Eu perguntei pro Lav como essas camadas iam se encontrar, e ele respondeu que elas iriam se encontrar na floresta. Na época eu não entendi. Depois tivemos aquela cena do grande jantar celebrada pelo culto, que mostra eles festejando, e essa é a única parte do filme que todos os personagens se encontram. Foi depois dela, quando fui descansar, que me dei conta que “Ah sim, é uma floresta da mente, tudo pode acontecer!”.

Então basicamente são os pensamentos, a consciência de Lav, sua mente pensante que possibilita que esses elementos possam se encontrar, porque a totalidade disso é o que faz o filipino. Literatura, História e mitologia estão incutidos no povo. É a grande consciência, os personagens mitológicos são simbólicos da religião, do mito, e eles podem te levar para a redenção ou te desviar do caminho. Me fascina como ele conseguiu pensar tudo isso para fazer o filme. Tem uma cena que o grupo que está à procura do corpo e as criaturas andam em volta de uma árvore. É muito teatral e representa como eles se perdem na floresta. Essa cena depois é incrível, mas na hora de filmar me soou muito estúpida. Eu me perguntava “O que nós estamos fazendo? O que é isso?” e tudo que podia fazer nessa hora era confiar no diretor.

De fato essa combinação de elementos faz muito sentido dentro do filme.

É, ela é incrível. Inclusive antes do filme ser terminado nós tínhamos medo de que o público não fosse entender como esse três elementos funcionam juntos. Foi somente quando o filme ficou pronto que a equipe falou “É, isso realmente funciona!”.

O mais interessante disso é que, quando o filme foi lançado nas Filipinas, depois da passagem do filme por Berlim, a produção ficou preocupada que o público não iria curtir essa complexidade e aguentar o tamanho do filme, abandonando-o na terceira hora. Surpreendentemente, o público no fim de semana da estreia ficou até o fim da projeção e aplaudiu! Então o filme funciona, e isso que é o mais importante.

O filme é muito sobre arrependimento e perdão. Há o homem que acompanha Isagani (Simoun) e uma mulher no grupo que de formas distintas traem a revolução e acabam com ela... mas tudo isso ocorre em um espectro regional, da realidade histórica filipina. Como então passar o filme desse caráter local para um mais universal, como fazer o público estrangeiro sentir o impacto do longa?

Eu acredito que a beleza do filme é que o diretor não tenta impor uma lógica de que “é assim que o mundo funciona, é assim que as coisas são”. Ele só fala que isso que é o que está acontecendo com o povo filipino, isso é o que temos, isso é o que fazemos e é assim que nós atuamos nessa situação particular. Essa particularidade ressoa para outras realidades porque é muito específica e real, então você enxerga a realidade de seu país de origem ali, a própria luta de seu povo. Não sei se isso faz sentido, mas é assim que eu encaro o filme. É sua particularidade temporal e espacial que o torna tão universal. Quando o filme estreou em Manilla as reações não foram unânimes: Teve quem gostou e quem não gostou. Mas o fato delas terem permanecido por oito horas no cinema e na maneira como o filme virou alvo de discussão em outros ambientes... nesse sentido Lav e o filme foram muito bem sucedidos.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

20 filmes para se ver na 40° Mostra SP

Conheça alguns dos mais de 300 filmes que compõem o mais tradicional festival de cinema de São Paulo.

Por Pedro Strazza.

Começa na próxima quinta (20) a 40° Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, tradicional festival de cinema que ocorre em vários locais da capital paulista. Com 322 filmes, o evento acontece até o dia 2 de novembro em várias salas espalhadas pela cidade, incluindo regiões centrais e periféricas.

Com tantos filmes interessantes passando ao mesmo tempo e em poucas sessões, talvez fique difícil para quem não acompanha o circuito escolher algo dentro da programação da Mostra. É pensando nisso que selecionamos abaixo vinte programas que com certeza estarão em destaque nas próximas duas semanas, incluindo tanto obras que esse ano saíram vencedoras dos festivais de cinema mais importantes quanto retrospectivas que valem a pena serem acompanhadas. Confira:

  • Retrospectiva Andrzej Wajda

Principal nome do Foco Polônia proposto pela curadoria da Mostra este ano, Andrzej Wajda foi um dos diretores que melhor retratou as transformações sociais do país no século 20, do fim da Segunda Guerra Mundial até o fim do comunismo. Dono de uma carreira prolífica, ele terá dezessete de seus filmes exibidos no festival, além de receber uma homenagem póstuma - Wajda morreu no último dia 9, somente um dia depois do evento divulgar sua lista de filmes e retrospectivas.

  • Animais Noturnos

Vencedor do Grande Prêmio do Júri no último Festival de Veneza e com passagem pelo Festival de Toronto, o segundo filme do famoso estilista Tom Ford tem ganhado vários elogios por causa de seu elenco estrelado, que conta com nomes como Amy Adams, Jake Gyllenhall, Michael Shannon e Aaron Taylor-Johnson. A trama, adaptação de um livro de Austin Wright, trata de uma mulher (Adams) que é assombrada por um romance dedicado a ela pelo ex-marido (Gyllenhaal).

Dias de exibição: 25/10 (21h55, Espaço Itaú Frei Caneca), 27/10 (18h, Cinesala), 29/10 (21h50, Espaço Itáu Augusta) e 1/11 (21h30, Cinemark Cidade São Paulo).

  • O Apartamento

Mais novo trabalho do cultuado cineasta iraniano Asghar Farhadi - bastante conhecido aqui por A Separação, longa vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2012 -, O Apartamento saiu do Festival de Cannes desse ano vitorioso com o prêmio de Melhor Roteiro, dado por seu desenvolvimento da história de um casal que começa a passar por dificuldades após ser obrigado a sair de casa.

Dias de exibição: 20/10 (19h30, Espaço Itaú Frei Caneca), 21/10 (17h50, Cinesesc), 22/10 (19h50, Cinearte), 24/10 (21h30, Cinemark Cidade São Paulo) e 30/10 (19h50, Cinesala).

  • Cameraperson

Filme que tem faturado prêmios em festivais ao redor do mundo e chamado a atenção da crítica e do público, Cameraperson marca a estreia na direção de Kirsten Johnson, cinegrafista que trabalhou em documentários celebrados como Citizenfour e The Oath. Aqui, a cineasta reúne imagens filmadas por ela ao longo da carreira para discutir algo que é intrínseco ao documentário: a relação entre objeto e observador.  

Dias de exibição: 23/10 (22h10, Cinearte), 25/10 (18h30, Reserva Cultural), 31/10 (16h40) e 2/11 (17h, Museu da Imagem e do Som).

  • Canção para um Doloroso Mistério

Para quem está com um tempo mais livre nas próximas duas semanas, vale a pena conferir um dos novos filmes do filipino Lav Diaz, em alta graças aos prêmios recebidos nos festivais de Veneza (Leão de Ouro) e Berlim (Urso de Prata), respectivamente por A Mulher que se Foi e este Canção Para um Doloroso Mistério. O programa, porém, exige dedicação: Tratando da história pela busca do corpo de um dos pais da Revolução Filipina, o filme tem nada menos que oito horas de duração. 

Dias de exibição: 23/10 (14h, Cinearte) e 25/10 (15h20, Espaço Itaú Frei Caneca).

  • Cinema Novo

Brasileiro que venceu em Cannes o prêmio de Melhor Documentário, Cinema Novo é um filme-ensaio do diretor Eryk Rocha (filho do famoso cineasta Glauber Rocha) sobre o movimento cinematográfico do título, um dos principais na América Latina nos anos de repressão e ditadura. Com o Cinema Novo sendo tão pouco conhecido pelo público nos dias de hoje, o longa é obrigatório para quem quer conhecer mais da História da produção cinematográfica nacional e da América. 

Dias de exibição: 31/10 (20h40, Espaço Itaú Frei Caneca) e 2/11 (20h20, Cinesala).

  • Depois da Tempestade

Filme que fez parte da mostra Un Certain Regard no Festival de Cannes desse ano, Depois da Tempestade é o novo trabalho do japonês Hirozaku Koreeda, que teve passagem pelos circuito comercial esse ano com Nossa Irmã Mais Nova. O diretor repete aqui sua predileção por temas familiares, tratando de um homem que procura desesperadamente fazer as pazes com a família. 

Dias de exibição: 22/10 (21h25, Reserva Cultural), 25/10 (19h45, Cinearte), 27/10 (13h30, Espaço Itaú Frei Caneca) e 29/10 (21h30, Cinemark Cidade São Paulo).

  • O Dia Mais Feliz da Vida de Olli Mäki

Falando em Un Certain Regard, o grande vencedor da seção marcará presença na 40° Mostra. Do finlandês Juho Kuosmanen, o longa segue um lutador de boxe que nos anos 60 quer o título mundial dos pesos-pequenos.

Dias de exibição: 23/10 (19h50, Espaço Itaú Augusta), 24/10 (21h50, Reserva Cultural), 25/10 (15h40, Espaço Itaú Frei Caneca) e 27/10 (15h50, Espaço Itaú Frei Caneca).

  • Elle

Novo e (como sempre) polêmico filme do holandês Paul Verhoeven (conhecido por obras como Robocop e O Vingador do Futuro), o longa - que trata de um estupro - foi bastante aplaudido em seu debute em Cannes, e mesmo não tendo levado nada no festival será o representante da França na corrida pelo Oscar de Melhor Filme Estrangeiro do ano que vem. Aproveitando a estreia do longa, a Mostra também passará na programação O Quarto Homem, um de seus primeiros trabalhos a lhe dar destaque internacionalmente. Ambos o filmes valem a visita no festival, ainda que Elle já estreie no circuito comercial em meados de novembro.

Dias de exibição: 21/10 (21h40, Cinearte), 23/10 (21h30, Cinemark Cidade São Paulo), 25/10 (15h, Cinesesc) e 27/10 (16h10, Espaço Itaú Augusta).

  • A Garota Desconhecida

Novo trabalho dos Irmãos Dardenne (que há dois anos vieram para a Mostra com Dois Dias, Uma Noite), o filme é mais uma obra da dupla que trabalha com temas do cotidiano: Uma jovem médica busca descobrir a identidade de uma mulher morta ao qual recusou atendimento no fim de seu expediente certa noite.

Dias de exibição: 20/10 (22h, Cinesala), 21/10 (19h, Cinemark Cidade São Paulo), 25/10 (16h, Cinearte), 30/10 (19h10, Cine Caixa Belas Artes) e 31/10 (13h30, Espaço Itaú, Frei Caneca).

  • The Handmaiden

O filme do sul-coreano Park Chan-Wook chamou bastante a atenção do público e da crítica em Cannes, e sua trama sobre um relacionamento lésbico entre uma herdeira de uma rica família e sua empregada durante a ocupação japonesa no país nos anos 30 promete deixar os espectadores brasileiros aturdidos. O cinema do cineasta, conhecido por aqui por obras como Oldboy e Mr. Vingança, opera afinal sobre este eixo.

Dias de exibição: 21/10 (21h15, Espaço Itaú Frei Caneca), 27/10 (21h10, Espaço Itaú Frei Caneca), 28/10 (18h55, Cine Caixa Belas Artes) e 2/11 (14h, Espaço Itaú Augusta).

  • O Ignorante

Outro que também vem de Cannes, O Ignorante é o novo trabalho do veterano do cinema francês Paul Vecchiali, que vem marcando presença na Mostra em caráter anual. Aqui, ele aborda um drama familiar com toques de dificuldade de comunicação e amores não atendidos, além de estrelar a própria obra junto de atores como Mathieu Amalric e Catherine Deneuve.

Dias de exibição: 20/10 (21h30, Cinemark Cidade São Paulo), 21/10 (13h30, Espaço Itaú Frei Caneca), 23/10 (21h45, Cinesala), 25/10 (15h50, Espaço Itaú Augusta) e 26/10 (14h50, Espaço Itaú, Frei Caneca).

  • Ma' Rosa

Vencedor do prêmio de Melhor Atriz em Cannes, o drama filipino segue uma dona de uma loja de conveniências de um bairro pobre na capital que um dia é presa junto do marido por causa de venda de drogas. O longa de Brillante Ma.Mendoza segue então as tentativas dos filhos do casal de tirá-los da cadeia.

Dias de exibição: 26/10 (21h45, Espaço Itaú Frei Caneca), 31/10 (21h20, Cinesala), 1/11 (13h30, Espaço Itaú Frei Caneca) e 2/11 (15h, Cinesesc).

  • Homenagem a Marco Bellocchio

Grande homenageado da Mostra este ano, o cineasta italiano Marco Bellocchio é um dos maiores nomes do cinema político do país nos anos 1960 e 1970. O diretor terá doze de seus filmes exibidos no festival, incluindo os recentes Belos Sonhos (foto) e Pagliacci. A retrospectiva de sua obra, que inclui trabalhos como De Punhos Cerrados, A China Está Próxima e Bom Dia, Noite, torna a Mostra mais aberta para discussões sobre o tema, algo fundamental para aproximar o evento da realidade vivida hoje pelo país.

  • Martírio

Antrópologo conhecido por seu trabalho com tribos indígenas, o francês Vincent Carelli vem pela primeira vez à Mostra com Martírio, documentário de mais de duas horas sobre a insurgência dos índios guarani-kaiowá para recuperar suas terras no Mato Grosso do Sul. O filme estreou no Festival de Brasília, onde foi bastante aplaudido e elogiado pela crítica pelo duro retrato da realidade.

Dias de exibição: 23/10 (18h30, Espaço Itaú Frei Caneca), 25/10 (15h50, Espaço Itaú Frei Caneca) e 29/10 (15h40, Cine Caixa Belas Artes).

  • Morte em Sarajevo

Vencedor do Grande Prêmio do Júri e do Prêmio da Crítica no Festival de Berlim, o longa bósnio-herzegovino promete ferver o festival com sua trama de enfrentamento ideológico, bem condizente com o cenário político brasileiro atual. O filme de Danis Tanovic trata dos preparativos de um hotel para a festa de gala em homenagem à morte do arquiduque Francisco Ferdinando - um dos eventos que gerou a Primeira Guerra Mundial - e da greve que funcionários planejam para estragar a celebração.

Dias de exibição: 27/10 (15h45, Espaço Itaú Frei Caneca), 29/10 (20h30, Sesc Osasco), 31/10 (13h30, Espaço Itaú Frei Caneca) e 1/11 (22h, Espaço Itaú Frei Caneca).

  • O Nascimento de uma Nação

Sensação no último Festival de Sundance e que era um dos principais concorrentes ao Oscar até seu diretor ser acusado de estupro, o filme de Nate Parker toma o título de uma das produções fundamentais e mais racistas da História do cinema para tratar da violenta repressão à rebelião liderada por um ex-escravo em uma região sulista dos Estados Unidos em 1831. O longa é o carro-chefe na lista de produções dispostas a acabar com Oscars So White no próximo ano, e considerando que as produções indicadas só chegam ao circuito comercial brasileiro só no ano que vem a Mostra se torna em uma ótima oportunidade para conhecer antecipadamente um dos aspirantes ao prêmio.

Dias de exibição: 28/10 (20h15, Cinearte), 29/10 (21h15, Espaço Itaú Frei Caneca) e 2/11 (20h40, Espaço Itaú Augusta).

  • Paterson

Novo filme do diretor estadunidense Jim Jarmusch - que também ganha na Mostra desse ano uma miniretrospectiva, reexibindo os trabalhos Estranhos no Paraíso, Férias Permanentes e Daunbailó -, Paterson foi bastante elogiado em sua estreia em Cannes. Estrelado por Adam Driver, o longa mostra o cotidiano de um jovem motorista de ônibus da cidade de Paterson, que inclui tanto o convívio com a esposa quanto seu trabalho com poesia.

Dias de exibição: 23/10 (19h30, Cinearte), 27/10 (21h40, Espaço Itaú Frei Caneca) e 28/10 (21h35, Cine Caixa Belas Artes).

  • O Segredo da Câmara Escura

Diretor prolífico e que vem aparecendo com mais frequência no circuito brasileiro - seja comercial ou de festivais -, o japonês Kiyoshi Kurosawa tem mais um de seus novos trabalhos exibidos na Mostra desse ano. Produzido em território francês, O Segredo da Câmara Escura promete mais um dos flertes sinistros com o sobrenatural do cineasta, que agora conta a história de um assistente de fotógrafo que começa a não conseguir mais distinguir imagem de realidade.

Dias de exibição: 26/10 (17h, Espaço Itaú Frei Caneca), 28/10 (23h, Cinesesc), 29/10 (17h, Espaço Itaú Frei Caneca), 30/10 (19h, Espaço Itaú Frei Caneca) e 31/10 (15h30, Cinearte).

  • Retrospectiva Willian Friedkin

O icônico diretor estadunidense é também alvo de uma miniretrospectiva no festival, contando com sua celebrada fase dos anos 70 e 80. Além dos famosos O Exorcista e Operação França, a Mostra também exibirá filmes menos conhecidos de Friedkin - mas não menos importantes - como Parceiros da Noite (longa ambientado na cena gay de Nova York com Al Pacino) e o tensíssimo suspense Comboio do Medo. Viver ou Morrer em Los Angeles, Possuídos e Killer Joe - Matador de Aluguel completam o pacote.

A dica: No domingo, dia 30, duas salas do Espaço Itaú Frei Caneca exibirão em sequência Viver ou Morrer em Los Angeles, Parceiros da Noite, Operação França e O Exorcista.