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sexta-feira, 21 de julho de 2017

Crítica: Transformers - O Último Cavaleiro

Quinto capítulo leva modo de operação da franquia a seu limite.

Por Pedro Strazza.

Primeiro filme que é fruto de uma sala de roteiristas criada pela Paramount e a Hasbro para esboçar o futuro da franquia, Transformers - O Último Cavaleiro não é muito discreto na hora de exibir os resultados desse esforço do estúdio em "organizar" a mitologia da série e prepará-la para o futuro. Depois de quatro episódios que mergulharam a trama do conflito entre Autobots e Decepticons em um verdadeiro caos de contradições e visitas cada vez mais distantes no passado, o quinto capítulo busca esboçar uma coerência na cronologia pela repetição da mesma metodologia elevada à décima potência, acumulando flashbacks dispostos a mostrar mais da relação a essa altura quase simbiótica entre a humanidade e transformers na História.

Não deixa de ser uma medida feita com boas intenções por parte dos realizadores, porém essa necessidade de estabelecer uma mitologia é no fundo o grande motor contraprodutivo que sabota não apenas as ambições deste filme mas também de toda a série. Presa à lógica de aumentar a escala de seu espetáculo sem se importar com as consequências, Transformers nunca mostrou vocação para estabelecer uma continuidade entre seus episódios mas sim para a grandiosidade de atos epopeicos, duas noções que visivelmente se confundem a todo instante nos inúmeros macguffins e histórias secretas reveladas em toda a franquia. A síntese de todo este enrolo rocambolesco está na figura de Optimus Prime (Peter Cullen), líder dos Autobots que embora seja o mais poderoso do panteão dos robôs ainda consegue saber quase nada sobre a história de Cybertron e de seus inimigos.

O que O Último Cavaleiro faz à partir disso é levar essa questão a seu limite pela ampliação do escopo do conflito, uma medida feita não só para atender à demanda megalomaníaca crescente da série como para acomodar todos os apêndices históricos enxertados pelo roteiro escrito por Art Marcum, Matt Holloway e Ken Nolan em qualquer oportunidade possível. O resultado, como é de se esperar, é um longa exaustivo, cujo inchaço já bastante visível é potencializado por tabela na direção fadada a excessos de Michael Bay: a trama de perseguição, que basicamente envolve Cade Yager (Mark Whalberg) e os Autobots de novo correndo contra o relógio para salvar o mundo enquanto são caçados pelos Decepticons, está a todo momento mudando seus objetivos na mesma velocidade com que troca de cenário (num piscar de olhos vai-se da situação de guerra à cidade pequena e da viagem submarina à batalha campal), em um caso de total falta de concentração amplificado pela sede do texto em amarrar pontas mesmo elas não fazendo o menor sentido - uma operação que chega ao cúmulo quando Transformers 5 revela uma linha hereditária de heróis composta por todo tipo de figura histórica apenas no intuito de justificar a importância dada a seus protagonistas.

Posto dessa maneira, não seria muito difícil do filme entrar em estado de inanição completa em suas quase duas horas e meia de duração, mas Bay, dentro do que é possível na obra e em sua direção, consegue fazer todo o caos soar menos sofrível do que ele é. Embora esteja disposto a dar ao longa toda a sensação de grande escala pelo qual ele tanto implora, o diretor mostra-se até controlado na maneira como orquestra os grandes conflitos entre robôs da vez, diminuindo cacofonias tradicionais de seu cinema - o número de bandeiras estadunidenses é sensivelmente menor e seu fetiche pela cultura militar transparece menos, por exemplo - para se concentrar em seu objetivo de tirar dos cenários de ação a maior plasticidade que eles lhe oferecem. Isso tudo, é claro, dentro dos limites do possível em seu cinema, que exibe a lógica disfuncional de sempre nas relações de amizade masculinas exacerbadas e no acúmulo de imagens dentro do plano - uma atitude aqui apenas em parte responsável por fazer a produção ser tão exaustiva.

A verdade é que mesmo tendo se consolidado na carreira no comando de blockbusters de ação gigantescos e milionários, Bay como diretor se sai melhor quando abraça as contradições pungentes de seus filmes, uma condição que na franquia Transformers ele conduz de maneira quase inconsciente. E neste quinto episódio isso não é diferente: embora flerte a todo instante com a possibilidade de levar as lendas arturianas da Inglaterra para dentro do centro do conflito da série (uma ambição materializada no paralelo do prólogo com o clímax final) e imponha uma gravidade constante a seus atos, o longa não hesita em admitir o próprio ridículo de suas intenções ou de jogar alívios cômicos a todo instante, alternando-se entre esses dois pólos com a mesma constância com a qual trata o lorde interpretado por Anthony Hopkins e seu mordomo Cogman (Jim Carter) como figuras de peso e de comédia. O próprio trabalho de Hopkins na produção, que começa em tom solene para terminar em sandice total (com direito ao ator mostrando o dedo do meio e gritando silêncio em uma biblioteca), orbita esse jogo ditado pela falta de noção e uma ideia muito errada de humor que Bay conduz de forma caótica.

O que está no epicentro do caos e do inchaço de Transformers 5 - além da falta de coordenação para contar uma história coerente, a exemplo da "importante" participação do último cavaleiro do título - é um descompasso claro entre diretor e roteiro, cujas ambições colidem a todo instante na narrativa para gerar um filme no mínimo desconexo e no máximo confuso. É um caos, porém, que ainda que canse bastante o público nunca deixa de ser interessante, até porque Bay parece ser o único a ver algum sentido dentro deste verdadeiro furacão e seu comprometimento de fazer transparecer sua mensagem é no mínimo um esforço tocante. E se há algo que sua passagem pela franquia ensinou é o de valorizar esta dedicação mesmo ela sendo incompreensível por completo.

Nota: 4/10

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Crítica: 13 Horas - Os Soldados Secretos de Benghazi

Relato panfletário de Michael Bay refaz contradições ideológicas em clima de histeria.

Por Pedro Strazza.

Por ser a nação mais poderosa do mundo desde o fim da Segunda Guerra, os Estados Unidos tendem a refletir continuamente sobre seu próprio poder nas artes, e no cinema isso se dá bastante em seus filmes de guerra. Os ideais do que caracteriza o famoso espírito americano, imperialista e nacionalista por natureza, já foram desconstruídos em diversas produções sobre todo tipo de conflito internacional protagonizado pelo país, da urgência de reafirmação dos valores no combate aos nazistas à crítica sem pudor desses na Guerra do Vietnã.

As recentes intromissões estadunidenses nos conflitos do Oriente Médio, porém, parecem ter despertado um novo tipo de discussão sobre a temática, que buscam expor a dualidade ideológica da nação em tempos posteriores à crise, criadas no contínuo financiamento americano ao combate bélico mesmo com a pouca disponibilidade de recursos. Das obras mais conhecidas pelo público, temos o Guerra ao Terror e A Hora Mais Escura de Kathryn Bigelow, que tratam da questão como um vício pela adrenalina, e o polêmico Sniper Americano de Clint Eastwood, que aborda essas contradições como uma metodologia do próprio sistema abatido.

Em termos de aproximação, 13 Horas - Os Soldados Secretos de Benghazi encontra-se bastante alinhado com o último. A adaptação do livro de Mitchell Zuckoff comandada por Michael Bay, que acompanha os esforços de seis soldados das Forças Especiais em proteger uma das bases da CIA na Líbia de uma série de ataques empreendidos por milícias do país, tem a mesma propensão do longa de Eastwood em trabalhar tais contradições da ideologia de guerra estadunidense, mas no conhecido ritmo urgente e desesperado dos filmes de seu diretor.

Este ritmo fica claro já do princípio, quando o longa realiza os mesmos cacoetes dos outros trabalhos do cineasta. Adepto entusiasmado da dinâmica do movimento como elemento central da narrativa, Bay repete em 13 Horas sua predisposição de manter a câmera em pleno deslocamento em conjunto de uma montagem acelerada, acreditando cegamente que a velocidade é a melhor maneira de transportar seu espectador para dentro da adrenalina sentida por seus protagonistas. O resultado alcançado por ele, óbvio, é o exato oposto, com cenas de ação difíceis de se acompanhar e maneirismos estéticos (o plano da bomba, as constantes explosões) que continuam a expor a deterioração desse seu estilo de direção.

O que difere Os Soldados Secretos de Benghazi de seus outros trabalhos recentes, entretanto, é que aqui a metodologia de Bay parece mesmo ter um objetivo a cumprir além do que se configura na sua cabeça como entretenimento. O roteiro de Chuck Hogan não economiza munição em engrandecer os atos dos soldados e de fazê-los heróis de uma situação julgada pelo filme como prova cabal da ineficiência burocrática do sistema, mas também encara a situação com um ar de ironia não assumida, como se a cada reverência ao homem estadunidense ele não conseguisse conter um sorriso. Cenas como a do protagonista interpretado por John Krasinski admitindo ao colega que "devoraria umas panquecas agora" ou de uma diplomata que pelo telefone ordena o envio de um drone com a justificativa de que "americanos irão morrer se ele não for enviado" - ou até mesmo as inúmeras menções a Deus - parecem perder quase toda a carga dramática, em favor de uma sátira difícil de ser esclarecida.

Nas mãos de Michael Bay, esta sátira se torna histérica, e o que acontece a seguir é um piripaque ideológico dos mais curiosos, pois ele, munido de seu estilo "intenso", é capaz de pular do engrandecimento à crítica velada à América em menos de um segundo. Assim, se por um lado vê-se os soldados defendendo cidadãos americanos e os interesses do país com as próprias vidas em um ímpeto de puro nacionalismo, é também possível enxergar o outro lado, as deficiências da máquina de guerra tanto pelo lado governamental - "eu já cansei de ouvir esses discursos vazios", o acúmulo de burocracia nas ações táticas - quanto pelo do agente de campo, assim como dos líbios que são inimigos mas também aliados. Nesse meio tempo, o espírito americano e capitalista é destroçado por 13 Horas, resumido a um grupo de crianças que berram na parte de trás do carro por McLanches Felizes e levam ao desespero uma mãe que acaba de contar ao marido que está grávida mais uma vez.

Existe uma justificativa panfletária para todo esse caos orquestrado pelo filme, na forma de uma condenação à missão e da exaltação dos soldados mortos no caso (e, numa coincidência difícil de acreditar, feita em tempos de eleições presidenciais nos EUA, que tem Hillary Clinton, a secretária de Estado na época do caso Benghazi, como candidato democrata). O cinema gritado de Bay não consegue esconder isso nem por um momento, com pelo menos duas cenas em que a bandeira dos EUA é reduzida a fiapos e um final moralista exacerbado. Mas estas intenções duvidosas da produção sem dúvida encontram um caminho fascinante para serem exercidas, personificada na figura do soldado interpretado por Pablo Schreiber, que do alto de seu posto  de resistência aos ataques pergunta desesperado ao controle de cinco em cinco segundos se o alvo mirado é um inimigo, reforço ou inocente.

E a paranoia do pós-11 de setembro prossegue, firme e forte, atrelada aos Estados Unidos onipotente.

Nota: 6/10

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

O Cinema em 2014: As Bombas e Decepções

Os 15 filmes que só fizeram chorar

Por Pedro Strazza

Não é só de coisa boa que 2014 foi feito. Este ano, assim como em todos os outros, fomos em alguns momentos agraciados por cineastas e estúdios com obras imperfeitas e defeituosas, capazes de agregar em absolutamente nada com seu conteúdo pífio e de qualidade duvidosa, além de termos desperdiçado parte de nosso valioso tempo com produções que ficaram abaixo do esperado pelos nossos ardentes desejos. Fomos traídos em 2014 tanto pelo monstro da expectativa quanto pelos produtores, e isso doeu muito.
É pensando nisso que a segunda parte do especial de fim de ano do O Nerd Contra Ataca traz em união para você, caro leitor, tanto os dez piores filmes do ano quanto cinco de suas maiores decepções. O sentimento de tristeza não poderia ser maior, claro, mas é importante relembrar mesmo o lado ruim do cinema para que se possa aprender com seus erros, evitando assim que a história (e a nauseante sensação de desgosto) se repita no futuro cheio de esperanças à frente.
Como não há muito mistério na área B desta segunda parte - só elencar os filmes com piores notas no ano, duh -, vamos às regras das decepções: Além de lançado no Brasil em 2014, o longa precisa ter participado do preview que realizamos no começo do ano, ter sido avaliado em 7/10 ou menos por nossa equipe e não pode estar entre os 10 piores do ano (que vem logo a seguir).
Vamos às listas?

As grandes decepções

Não foi o bicho feio que todos nós imaginávamos ser (e a nota dada por aqui prova isso), mas ainda desapontou. E muito. Depois de um sofrível primeiro capítulo, o reboot mais rápido e desnecessário da história do cinema ganhou uma sequência de igual proporção, e mesmo esta tendo alguns pontos mais fortes - a química do casal protagonista, por exemplo -, é inegável a sensação de desgosto que veio ao acender das luzes. O Espetacular Homem-Aranha 2 provou acima de tudo que a Sony (principalmente o produtor Avi Arad) já não sabe o que fazer mais com uma de suas maiores franquias, e que chegou a hora de devolver o nosso querido Amigão da Vizinhança a seus donos originais.

  • Êxodo - Deuses e Reis

A vida não anda fácil para Ridley Scott já faz um bom tempo, porém nada - nem mesmo Prometheus - nos preparou para isso. Mesmo com a faca (a clássica história bíblica) e o queijo (o financiamento e o elenco) na mão, o cineasta outrora responsável por clássicos como Alien - O Oitavo Passageiro conseguiu fazer deste Êxodo um filme fraco, capaz de tornar aborrecido a vida de Moisés e sua atuação decisiva para libertar os hebreus do faraó Ramsés. A trajetória recente do diretor ganhou mais um ponto negativo, e agora temos pela frente uma sequência de Blade Runner. Ai...

Ok, a culpa aqui não foi somente do filme. Ainda que tenha diversos problemas, a interessante e ousada abordagem de Gareth Edwards com um dos montros mais conhecidos do cinema foi muito mais prejudicado por sua campanha de divulgação, que preferiu vender Godzilla como um novo Círculo de Fogo. O público foi ao cinema querendo ver porrada, mas recebeu uma análise diferente do gênero em troca. Uma péssima troca, diga-se de passagem.

É uma tarefa complicada essa de ser gênio em tudo, e vez ou outra se erra. Quem tropeçou feio em 2014 foi o endeusado Christopher Nolan, que depois de uma incrível sequência de excelentes filmes fez este Interestelar, uma ficção-científica boa com muitos problemas de roteiro e excessos de direção. Em Nolan nós ainda confiamos, mas depois de 2014 temos agora um pé no chão. 

Como superar o maior clássico de Paul Verhoeven? Como reinventar um dos grandes ícones cinematográficos dos anos 80? Foram duas tarefas de fato inalcançáveis que o brasileiro José Padilha aceitou tentar cumprir ao aceitar dirigir o remake de Robocop, e em alguns momentos do filme ele até conseguiu almejar tais feitos. O problema é que o trabalho era impossível, ainda mais com o estúdio em cima de seu cangote. Ainda assim, Robocop não fez feio, mesmo sendo uma obra a ser esquecida pelo tempo.

Os piores de 2014

10°) A Menina que Roubava Livros

De melodrama o cinema está cheio, é verdade, mas tem vezes que não dá pra conviver com ele, como é o caso deste A Menina Que Roubava Livros. Aborrecido do começo ao fim, a adaptação de um dos grandes best-sellers literários recentes peca pela falta de coragem em sua abordagem diferente de um tema batido na telona, e seu resultado é uma sequência sem fim de eventos que mais fazem chorar por sua falta de originalidade que pela própria tragédia apresentada em cena. Pra piorar, ainda inventaram de tentar seguir a tática Peter Jackson de múltiplos finais, e isso só resultou em risos involuntários.

9°) Ouija - O Jogo dos Espíritos

A Platinum Dunes e a Hasbro pelo jeito tomaram como missão acabar com a memória que temos de todos os clássicos brinquedos infantis através de toscas adaptações cinematográficas. A última vítima deste projeto maléfico foi o tabuleiro Ouija, que na mão do diretor estreante Stiles White ganhou vida e se transformou em um elo de ligação entre nosso mundo e o dos espíritos. E se na teoria essa ideia já cheira mal, na prática ela só piora. Previsível do começo ao fim, O Jogo dos Espíritos não aterroriza nem diverte, e resta aos seus 90 minutos apenas tédio, tédio e mais tédio...

8°) Malévola

Antes de mais nada, Angelina Jolie está sim de parabéns por sua performance como Malévola. Seu trabalho de transformação no mais icônico vilão das animações da Disney merece uma boa salva de palmas. Sua atuação, porém, está muito à frente do filme que protagoniza. As boas ideias de Malévola são desperdiçadas pelo roteiro fraco, que ainda sai prejudicado por sua falta de competência em conceber um universo minimamente original ou sequer belo para essa reinterpretação da história da Bela Adormecida.

7°) Transformers 4 - A Era da Extinção

Um é ok, dois já deu, três foi mais que demais... A cada novo capítulo, a franquia Transformers distancia-se cada vez mais da definição de "qualidade" ou de "bom filme", e em A Era da Extinção não é diferente. Michael Bay, que à princípio pensou em entregar a direção deste quarto longa para outra pessoa, faz neste reboot-só-que-não seu habitual e incompreensível show de pores do Sol, câmeras girando e, claro, explosões para filmar mais pancadaria entre robôs, agora com Mark Whalberg (o "cientista") gritando ao fundo para todo mundo correr... para bem longe do cinema.

6°) Drácula - A História Nunca Contada

A mais nova tentativa da Universal em trazer de volta sua franquia de monstros trouxe uma proposta interessante: Tentar conceber um universo onde todas as clássicas criaturas coexistam para no futuro reuni-los em um filme. A ideia "marvelesca" do estúdio, entretanto, naufraga de forma vergonhosa já em seu primeiro capítulo, que não só reformula Drácula como um herói de ação (ugh) como também entrega um dos piores filmes sobre o personagem. De bom só o misterioso monstro interpretado por Charles Dance, e ele aparece o que, umas duas vezes?

5°) November Man - Um Espião Nunca Morre

Não é qualquer um que pode ser Sean Connery na vida pós-James Bond, e Pierce Brosnan tem sofrido bastante com essa síndrome. Prova disso é esse seu retorno aos longas de espionagem, que erra não somente por querer ver seu protagonista longe de comparações com 007, mas por entregar uma história entediante e entupida de clichês. E ainda tem a Olga Kurylenko ali no canto, repetindo seu papel de Quantum of Solace numa cara de pau absurda. 

4°) As Tartarugas Ninja

O visual era bacana, as tartarugas pareciam estar sensacionais, Michael Bay não era o diretor... o que deu errado? Muita coisa, pra falar a verdade. Além de focar todas as atenções nas curvas da April O'Neil de Megan Fox e contar com cenas de ação mal feitas, o recomeço dos quelônios no cinema errou feio ao forçar conexões entre fatos e situações distantes entre si, ocasionando incoerências absurdas em seu roteiro estúpido. A pergunta agora é: Será que na continuação alguma coisa vai melhorar?

3°) 300 - A Ascensão do Império

Da série "sequências desnecessárias", a continuação do ótimo épico visual de 2007 é um desastre absoluto. Sem Zack Snyder e seus fetiches na direção, A Ascensão do Império vira uma colagem mal feita de cenas de zero plasticidade, coordenadas por um Noam Murro (no estômago...) que tenta desesperado encaixar o maior número de slow-motions possíveis sem cuidado para agradar à força os fãs do primeiro capítulo. A trama, por outro lado, não esconde de ninguém sua falta de sentido, e trabalha mal até mesmo a figura de Artemisia, o único ponto levemente positivo desta produção destinada de imediato ao esquecimento.

2°) À Procura

Há leves indícios de que a produção comandada por Atom Egoyan tentou reformular em À Procura o subgênero dos filmes de sequestro, mas elas logo desaparecem em meio ao festival de problemas apresentado. Ainda que possua um elenco esforçado (Ryan Reynolds, quem diria, tentou atuar bem) e uma trama interessante, o filme se desperdiça em generalizações e reviravoltas sem nexo, geradas por um roteiro sem foco ou atenção. Estamos procurando o motivo para esse longa ter sido feito, e por enquanto não o encontramos.
E o pior filme do ano é...

1°) Transcendence - A Revolução

Em um ano em que a relação entre tecnologia e relacionamentos foi bastante explorada em vários meios, é duro ver uma ideia tão promissora sobre o assunto ser jogada do precipício mais alto e sofrer uma morte tão horrível. Incapaz de funcionar como ficção-científica ou diversão superficial, Transcendence é um filme lento, bobo e muito problemático em todos os seus aspectos, técnicos ou criativos. O consagrado diretor de fotografia Wally Pfister fez uma péssima estréia no comando geral, e Johnny Depp acrescentou mais um longa à sua recente má fase.