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domingo, 25 de janeiro de 2015

SAG Awards 2015: Indicados e Vencedores

Junto com PGA, Sindicato de Atores complica a corrida pelo Oscar 2015.

Por Pedro Strazza.

Na noite do dia 26 de janeiro, o Sindicato de Atores de Hollywood realizou no Shrine Auditorium o SAG Awards, cerimônia que além de premiar os melhores atores e atrizes do cinema e da televisão é também um termômetro confiável para as categorias de atuação do Oscar.
E pelo menos na área de cinema, o resultado da premiação foi interessante. Mesmo tendo confirmado os favoritismos de Julianne Moore, Patricia Arquette e J.K. Simmons para as categorias de Melhor Atriz, Atriz Coadjuvante e Ator Coadjuvante respectivamente, o SAG embolou a corrida pelo Oscar de Melhor Ator ao conferir a Eddie Redmayne a estatueta ao invés de Michael Keaton, tornando o antes decidido prêmio aberto para todas as possibilidades. Enquanto isso, Birdman ou A Inesperada Virtude da Ignorância desbancou Boyhood - Da Infância à Juventude e levou a honraria de Melhor Elenco no mesmo dia em que confirmou vitória no PGA Awards, o mais confiável termômetro para o Oscar de Melhor Filme, tornando-se assim o concorrente favorito para o principal prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.
Ademais, o SAG 2015 foi bastante equilibrado em suas escolhas. O "grande" vencedor da noite foi a série Orange Is The New Black, que levou incríveis DOIS prêmios com Melhor Elenco e Melhor Atriz em Série Cômica para Uzo Aduba.
Confira os indicados e os vencedores da premiação abaixo:

Prêmio pela carreira: Debbie Reynolds

CINEMA

Melhor elenco
Melhor atriz
  • Jennifer Aniston (Cake)
  • Felicity Jones (A Teoria de Tudo)
  • Julianne Moore (Para Sempre Alice)
  • Rosamund Pike (Garota Exemplar)
  • Reese Witherspoon (Wild)
Melhor ator
  • Steve Carell (Foxcatcher - Uma História que Chocou o Mundo)
  • Benedict Cumberbatch (O Jogo da Imitação)
  • Jake Gyllenhaal (O Abutre)
  • Michael Keaton (Birdman ou A Inesperada Virtude da Ignorância)
  • Eddie Redmayne (A Teoria do Tudo)
Melhor atriz coadjuvante
  • Patricia Arquette (Boyhood - Da Infância à Juventude)
  • Keira Knightley (O Jogo da Imitação)
  • Emma Stone (Birdman ou A Inesperada Virtude da Ignorância)
  • Meryl Streep (Caminhos da Floresta)
  • Naomi Watts (Um Santo Vizinho)
Melhor ator coadjuvante
  • Robert Duvall (O Juiz)
  • Ethan Hawke (Boyhood - Da Infância à Juventude)
  • Edward Norton (Birdman ou A Inesperada Virtude da Ignorância)
  • Mark Ruffalo (Foxcatcher - Uma História que Chocou o Mundo)
  • J.K. Simmons (Whiplash - Em Busca da Perfeição)
Melhor time de dublês
  • Corações de Ferro
  • James Brown: Get on Up
  • O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos
  • Invencível
  • X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido

TV

Melhor elenco de série dramática
  • Boardwalk Empire
  • Downton Abbey
  • Game of Thrones
  • Homeland
  • House of Cards
Melhor atriz de série dramática
  • Claire Danes (Homeland)
  • Viola Davis (How to Get Away with Murder)
  • Julianna Margulies (The Good Wife)
  • Tatiana Maslany (Orphan Black)
  • Maggie Smith (Downton Abbey)
  • Robin Wright (House of Cards)
Melhor ator de série dramática
  • Steve Buscemi (Boardwalk Empire)
  • Peter Dinklage (Game of Thrones)
  • Woody Harrelson (True Detective)
  • Matthew McConaughey (True Detective)
  • Kevin Spacey (House of Cards)
Melhor elenco de série cômica
  • The Big Bang Theory
  • Brooklyn Nine-Nine
  • Modern Family
  • Orange is the New Black
  • Veep
Melhor atriz de série cômica
  • Uzo Aduba (Orange is the New Black)
  • Julie Bowen (Modern Family)
  • Edie Falco (Nurse Jackie)
  • Julia Louis-Dreyfus (Veep)
  • Amy Poehler (Parks and Recreation)
Melhor ator de série cômica
  • Ty Burrell (Modern Family)
  • Louis C.K. (Louie)
  • William H. Macy (Shameless)
  • Jim Parsons (The Big Bang Theory)
  • Eric Stonestreet (Modern Family)
Melhor atriz em minissérie ou filme feito para a TV
  • Ellen Burstyn (Flowers in the Attic)
  • Maggie Gyllenhaal (The Honorable Woman)
  • Frances McDormand (Olive Kitteridge)
  • Julia Roberts (The Normal Heart)
  • Cicely Tyson (The Trip to Bountiful)
Melhor ator em minissérie ou filme feito para a TV
  • Adrien Brody (Houdini)
  • Benedict Cumberbatch (Sherlock: His Last Vow)
  • Richard Jenkins (Olive Kitteridge)
  • Mark Ruffalo (The Normal Heart)
  • Billy Bob Thornton (Fargo)
Melhor time de dublês
  • 24: Live Another Day
  • Boardwalk Empire
  • Game of Thrones
  • Homeland
  • Sons of Anarchy
  • The Walking Dead

sábado, 1 de novembro de 2014

Crítica: Boyhood - Da Infância à Juventude

Novo trabalho de Richard Linklater encanta pela abordagem sensível e sutil de tema complicado

Por Pedro Strazza

O tempo é uma entidade poderosa em nossa existência. É ele que presencia todas as histórias criadas e desenvolvidas, acompanhando o nascimento, o crescimento e o fim de cada uma das vidas humanas. Seu maior poder, entretanto, é a sua continuidade eterna, que por não parar oferece a nós, seres humanos, poucas oportunidades de olhar para trás e compreender o quão rápido nos modificamos em um curto período de... tempo. Pois afinal, quem não mudou seu perfil, mesmo que levemente, após um ano (ou um mês, ou uma semana, ou um dia...) de existência?
Esta reflexão existencial nada discreta deve ter sido um dos motivos para o diretor e roteirista Richard Linklater ter começado, no fim da década de 90, a produção de Boyhood - Da Infância à Juventude. De início com um pequeno elenco, o cineasta filmou nesses últimos doze anos a história sobre a infância e adolescência de Mason Jr. (Ellar Coltrane), assistindo em consequência o crescimento e envelhecimento natural de seus atores e atrizes. O resultado final de tal experiência cinematográfica é uma epopeia cotidiana sobre o tempo e seus efeitos, que são tratados por Linklater com cuidado e sutileza impecáveis.
Para alcançar tal graciosidade, o cineasta se utiliza de estruturas narrativas leves e muitas vezes clichê, mas se guia no processo somente pelo protagonista e as histórias que o cercam. Isso porque o filme, assim como a vida, é uma sequência de arcos intercalados e simultâneos: Grandes ou pequenos, eles são muitas vezes apresentados a Mason Jr. (e o espectador, com isso) em segundo plano, e ganham destaque e maior relevância a cada ano passado. E isso se observa principalmente em coadjuvantes como o professor Bill Welbrock (Marco Perella), cujo casamento com Olivia (Patricia Arquette) e o problema com a bebida vão do auto-controle feliz ao desastre completo em questão de minutos no longa.
O grande destaque de Boyhood, porém, são os arcos desenvolvidos por Mason Jr. e sua família, construídos psicologicamente por Linklater com tanta eficácia. Sem nenhum alarde, o filme evidencia o perfil do protagonista e seus membros familiares mais próximos pelos pequenos atos e detalhes, como o carro que o pai Mason (Ethan Hawke) usa na grande maioria do longa, as desastrosas escolhas de marido feitas pela mãe Olivia após o primeiro casamento ou até o comportamento mais rebelde da irmã Samantha (Lorelei Linklater) quando criança. É destes minimalismos que o diretor guia o espectador na passagem do tempo e suas mudanças, e o faz aceitar com naturalidade as escolhas tomadas pelos personagens.
Mas a compreensão do caminho tomado é bem mais fortalecida no protagonista, interpretado com excelência por Ellar Coltrane. Sendo a pessoa que mais sofre alterações físicas e emocionais, a trilha percorrida por Mason Jr. é captada pela obra com sensibilidade suficiente para que o público se envolva com ele e sinta suas dores e vitórias conforme cresce. O acerto maior da produção, entretanto, é a capacidade de manter no personagem, da infância à juventude, o mesmo perfil doce e calmo, tornando-a uma constante em toda a metamorfose temporal realizada.
A maneira como o filme faz passar o tempo é outro ponto muito bem elaborado. Sem precisar pontuar de forma clara através de uma legenda ou coisa do gênero, Linklater torna perceptível a mudança de ano por meio da própria mudança física das pessoas que acompanha (o cabelo de Mason Jr., por exemplo) ou de diálogos, objetos e eventos bastante temporais, como músicas, videogames, lançamentos de livros e campanhas políticas - e inclui, em um clássico papo pai-e-filho, até uma não planejada ironia bem humorada com o futuro de Star Wars.
Com discussões sobre assuntos universais e uma narrativa leve e tocante, Boyhood - Da Infância à Juventude é uma experiência cinematográfica fascinante, capaz de discursar sobre o tempo e a humanidade com sensibilidade. Com uma história do cotidiano e sem nenhuma grande reviravolta, Linklater traz à tona uma obra-prima que aborda com delicadeza do tempo, um tema tratado tantas vezes com peso pelo cinema. E a prova maior do sucesso da produção é o próprio espectador, que termina o filme com a sensação de querer ver mais da vida de Mason Jr. e sua família.

Nota: 10/10