Han Solo - Uma História Star Wars

Leia a nossa crítica do mais novo derivado da saga!

Deadpool 2

Continuação tenta manter a subversão do original enquanto se rende às convenções hollywoodianas

Desejo de Matar

Eli Roth aterroriza ação do remake e não deixa os temas caírem na ingenuidade

Nos Cinemas #1

Nossos comentários sobre O Dia Depois, Submersão e Com Amor, Simon

Jogador N° 1

Spielberg faz seu comentário sobre o próprio legado em Hollywood sem esquecer do espetáculo no processo

Mostrando postagens com marcador O Cinema em 2014. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador O Cinema em 2014. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

O Cinema em 2014: Os Melhores e O Ranking

Os 14 melhores filmes e o ranking geral de 2014

Por Pedro Strazza

Chegou o momento que todos esperavam. Depois de conversarmos sobre o que rolou de bacana no mundo da música e dos quadrinhos e ter discutido as boas surpresas, as grandes decepções e os piores de 2014, está na hora de falar sobre a lista que o mundo sempre quer ler no final do ano em todos os portais que acompanha: Os 10 (ou 14, no meu caso) melhores filmes de 2014!
Dessa vez, entretanto, resolvi adicionar uma cereja (bem grande) a este bolo tradicional. Além de poder conferir os meus longa-metragens favoritos desse ano que passou, você, caro leitor, também ganha nessa publicação a oportunidade de ver o meu ranking cinematográfico de 2014, bem alimentado com 100 das produções que chegaram ao cinemas brasileiros nesses últimos 365 dias.
Mas chega de enrolação e simbora ver esse top 14, certo?

14) O Homem Mais Procurado

Embora tenha uma maior tendência a ser lembrado como "o último filme de Philip Seymour Hoffman", O Homem Mais Procurado é uma obra que também precisa brilhar por seu conteúdo. Baseado no livro homônimo de John le Carré, o longa traz em meio a todo o seu conflito entre espiões um protagonista incrível, vivido por Hoffman como um homem que, em meio a esse mundo cheio de intrigas e conspirações, parece precisar carregar sozinho todos os males do mundo nas costas para combatê-los.

13) Uma Aventura LEGO

Em um ano em que o deus das animações não desceu pra brincar (estou falando da Pixar se você não entendeu), é engraçado perceber que um filme baseado em blocos coloridos de montar conseguiu o destaque no vácuo de poder criado. Além de insano em seu ritmo - mérito dos malucos Phil Lord e Chris Miller - e muito divertido, Uma Aventura LEGO encanta por sua capacidade surpreendente de transformar sua trama maluca em algo mais profundo, sentimental e coincidente com os valores do produto que se baseia.

12) Planeta dos Macacos - O Confronto

Após o ótimo reinício, a franquia Planeta dos Macacos deu mais um salto de qualidade com esse O Confronto. A conotação sócio-política do roteiro ganhou força, os efeitos visuais melhoraram e a trama trouxe melhoras em vários aspectos - incluindo aí a ação, como a incrível cena do tanque bem nos lembra -, tornando o filme não só um dos melhores blockbusters dessa temporada como também na melhor sequência que a série símia teve. Será que o terceiro capítulo do reboot vai conseguir superar tudo isso?

11) Frozen - Uma Aventura Congelante

Um dos grandes hits de 2014 com sua música-chiclete Let It Go, Frozen mostrou ao mundo que o departamento de animação da Disney voltou com tudo. O conto das princesas Anna e Elsa soube brincar bem com os preceitos e clichês dos grandes clássicos do estúdio, e entregou no meio disso uma bela histórias sobre o amor entre irmãs e o aceitar de seu verdadeiro eu. Piegas, mas ainda assim excelente.

10) 12 Anos de Escravidão

O grande vencedor do Oscar 2014 (não em números, claro) é um tapa na cara. A história trágica e real de Solomon Northup é contada por Steve McQueen com evidência total na dor sofrida pelo homem livre que virou escravo, mostrando em sua trajetória alguns dos horrores e injustiças sociais presenciados na (longa) época em que este ato tão desumano era permitido. Destaques naturais e obrigatórios ao elenco e à cena da tortura vivida pela personagem de Lupita Nyong'o, uma das grandes atrizes reveladas em 2014.  

9) Até o Fim

Talvez o longa mais subestimado deste ano, Até o Fim é uma alegoria incrível para a capacidade do ser humano em manter as esperanças nos piores momentos. A história do homem que desperta com seu barco naufragando traz ainda uma atuação excepcional de Robert Redford, infelizmente ignorado por grande parte das premiações da temporada.

8) O Abutre

Ácido e sarcástico do começo ao fim, a estréia de Dan Gilroy na direção aborda com garras à mostra o jornalismo e seus graves problemas de sensacionalismo. Mesmo que ganhe bastante força no protagonista psicótico interpretado monstruosamente por Jake Gyllenhaal, O Abutre é uma obra fantástica em sua visão crítica, semelhante à de clássicos como Rede de Intrigas, mas com toques genuínos de humor negro e malicioso.

7) Inside Llewyn Davis - Balada de um Homem Comum

Mais um filme dos irmãos Coen, mais um filme que aborda homens irrelevantes para a sociedade., dotado de uma montagem incrível, Inside Llewyn Davis se aprofunda em uma determinada semana da vida de um cantor de folk fracassado, que busca sair de sua indesejada situação sócio-econômica, para mostrar mais uma vez ao público o quão arrogantes somos ao acreditar na importância de nossas pessoas para o universo. E é quando Joel e Ethan provam novamente a insignificância do ser humano e de suas ações e atribuem a ele um ciclo desgraçado e depressivo que mais uma vez vemos a genialidade da dupla em ação.

6) Amantes Eternos

Com toques de Sandman e embalado por uma ótima trilha sonora, a nova obra de Jim Jarmusch aborda temáticas universais a partir de um casal de vampiros que, imortais, veem na humanidade poucas chances de real progresso. Esse pessimismo com os "zumbis", entretanto, não torna Amantes Eternos um filme sem esperanças, mas bombeia uma melancolia bem vinda à contemplação ao mundo em que vivemos proporcionada pelo roteiro.

5) Guardiões da Galáxia

E eu avisei lá no começo do ano que ia ser incrível, lembra? Vindo pela tangente, a adaptação de um dos grupos mais Cs da Marvel não só entregou um blockbuster divertido e engraçado como embalou os walkmans da galera com sua trilha repleta de hits dos anos 70 e mostrou a todo mundo que dá sim pra fazer um filme com um guaxinim e uma árvore mutante. Sem mais.

4) O Lobo de Wall Street

Martin Scorsese já é setentão, mas ainda consegue supreender todo mundo e botar polêmica na mesa. Além de ser um filmaço, O Lobo de Wall Street traz um ritmo impecável e um protagonista detestável interpretado de forma brilhante por Leonardo DiCaprio (que, coitado, continua sem Oscar). E em meio à loucura mostrada, o diretor de clássicos como Taxi Driver e Os Infiltrados mostra o quão longe o ser humano pode ir por causa do dinheiro.

3) Boyhood - Da Infância à Juventude

Filmado ao longo de doze anos (nenhum de escravidão, lembrando), Boyhood apresenta um retrato raro do poder do tempo sobre nossas vidas. Acompanhar os caminhos tomados pela família Evans, afinal, demonstra o quão diferentes podemos nos tornar através de pequenas mudanças, que progressivamente alteram nossa personalidade e nossas próximas escolhas. Uma filosofia básica, eficiente e muito difícil de não se conectar.

2) Ela

É possível um relacionamento entre uma máquina e um ser humano? Em Ela, Spike Jonze superficialmente trouxe ao público essa questão, mas com menos de uma hora de filme já foi possível ver que o tema a ser tratado pelo diretor era mais profundo. Com um romance simples, o filme aborda e discute questões complexas e universais com sensibilidade, e conta no caminho com atuações corporais e vocais de seu elenco primoroso.
E o melhor filme de 2014 é...

1) Garota Exemplar

Sou fã incontestável dos trabalhos de David Fincher já há um bom tempo, mas ainda consigo ficar surpreso com a qualidade dos novos filmes que o cineasta responsável por Clube da Luta e A Rede Social dirige. Dito isso, Garota Exemplar é uma obra-prima. Extremamente feliz em todos os seus aspectos técnicos, a adaptação do livro de mesmo nome escrito por Gillian Flynn é uma desconstrução poderosa e angustiante do casamento e de sua decadência como instituição, aliada a uma poderosa crítica à mídia e seus valores. Tudo isso parte, claro, da fria e calculista Amy Dunne, que ganha as telas por meio de uma atuação brilhante e avassaladora de Rosamund Pike.

Ranking 2014

  1. Garota Exemplar (10/10)
  2. Ela
  3. Boyhood - Da Infância à Juventude
  4. O Lobo de Wall Street
  5. Guardiões da Galáxia
  6. Amantes Eternos
  7. Inside Llewyn Davis - Balada de um Homem Comum
  8. O Abutre
  9. Até o Fim
  10. 12 Anos de Escravidão
  11. Frozen - Uma Aventura Congelante
  12. Planeta dos Macacos - O Confronto (9/10)
  13. Uma Aventura LEGO
  14. O Homem Mais Procurado
  15. Era Uma Vez em Nova York
  16. O Passado
  17. O Grande Mestre
  18. X-Men - Dias de um Futuro Esquecido
  19. O Lobo Atrás da Porta
  20. Entre Nós
  21. O Homem Duplicado
  22. O Hobbit - A Batalha dos Cinco Exércitos
  23. Nebraska (8/10)
  24. O Grande Hotel Budapeste
  25. Relatos Selvagens
  26. Capitão América 2 - O Soldado Invernal
  27. Anjos da Lei 2
  28. Débi e Lóide 2
  29. Tudo por um Furo
  30. Tim Maia
  31. Como Treinar o Seu Dragão 2
  32. Magia ao Luar
  33. No Limite do Amanhã
  34. Praia do Futuro
  35. Muppets 2 - Procurados e Amados
  36. Godzilla (7/10)
  37. Operação Big Hero
  38. Ida
  39. Jogos Vorazes - A Esperança - Parte 1
  40. O Grande Herói
  41. Vizinhos
  42. Chef
  43. Robocop
  44. Clube de Compras Dallas
  45. Mil Vezes Boa Noite
  46. A Grande Escolha
  47. Philomena
  48. Os Boxtrolls
  49. Festa no Céu
  50. As Aventuras de Paddington
  51. O Espetacular Homem-Aranha 2 - A Ameaça de Electro
  52. Lucy
  53. Oldboy - Dias de Vingança
  54. Noé
  55. Sob a Pele (6/10)
  56. Mesmo Se Nada Der Certo
  57. Interestelar
  58. Homens, Mulheres e Filhos
  59. Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola
  60. The Rover - A Caçada
  61. Annabelle
  62. Boa Sorte
  63. Sin City - A Dama Fatal
  64. Trash - A Esperança Vem do Lixo
  65. Trapaça
  66. Fruitvale Station - A Última Parada
  67. Hoje Eu Quero Voltar Sozinho
  68. As Aventuras de Peabody e Sherman
  69. Será Que?
  70. Hércules
  71. Quero Matar Meu Chefe 2
  72. Tudo por Justiça
  73. O Juiz (5/10)
  74. Êxodo - Deuses e Reis
  75. Os Mercenários 3
  76. A Culpa é das Estrelas
  77. Divergente
  78. Sétimo
  79. Caçada Mortal
  80. Trinta
  81. No Olho do Tornado
  82. Getúlio
  83. Walt nos Bastidores de Mary Poppins
  84. Ninfomaníaca - Parte I (4/10)
  85. Ninfomaníaca - Parte II
  86. Sex Tape - Perdidos na Nuvem
  87. O Último Concerto
  88. A Marca do Medo
  89. Uma Noite de Crime - Anarquia
  90. Livrai-nos do Mal
  91. A Menina Que Roubava Livros
  92. Ouija - O Jogo dos Espíritos
  93. Malévola (3/10)
  94. Transformers 4 - A Era da Extinção
  95. Drácula - A História Nunca Contada
  96. November Man - Um Espião Nunca Morre
  97. As Tartarugas Ninja
  98. 300 - A Ascensão do Império (2/10)
  99. À Procura (1/10)
  100. Transcendence - A Revolução

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

O Cinema em 2014: As Bombas e Decepções

Os 15 filmes que só fizeram chorar

Por Pedro Strazza

Não é só de coisa boa que 2014 foi feito. Este ano, assim como em todos os outros, fomos em alguns momentos agraciados por cineastas e estúdios com obras imperfeitas e defeituosas, capazes de agregar em absolutamente nada com seu conteúdo pífio e de qualidade duvidosa, além de termos desperdiçado parte de nosso valioso tempo com produções que ficaram abaixo do esperado pelos nossos ardentes desejos. Fomos traídos em 2014 tanto pelo monstro da expectativa quanto pelos produtores, e isso doeu muito.
É pensando nisso que a segunda parte do especial de fim de ano do O Nerd Contra Ataca traz em união para você, caro leitor, tanto os dez piores filmes do ano quanto cinco de suas maiores decepções. O sentimento de tristeza não poderia ser maior, claro, mas é importante relembrar mesmo o lado ruim do cinema para que se possa aprender com seus erros, evitando assim que a história (e a nauseante sensação de desgosto) se repita no futuro cheio de esperanças à frente.
Como não há muito mistério na área B desta segunda parte - só elencar os filmes com piores notas no ano, duh -, vamos às regras das decepções: Além de lançado no Brasil em 2014, o longa precisa ter participado do preview que realizamos no começo do ano, ter sido avaliado em 7/10 ou menos por nossa equipe e não pode estar entre os 10 piores do ano (que vem logo a seguir).
Vamos às listas?

As grandes decepções

Não foi o bicho feio que todos nós imaginávamos ser (e a nota dada por aqui prova isso), mas ainda desapontou. E muito. Depois de um sofrível primeiro capítulo, o reboot mais rápido e desnecessário da história do cinema ganhou uma sequência de igual proporção, e mesmo esta tendo alguns pontos mais fortes - a química do casal protagonista, por exemplo -, é inegável a sensação de desgosto que veio ao acender das luzes. O Espetacular Homem-Aranha 2 provou acima de tudo que a Sony (principalmente o produtor Avi Arad) já não sabe o que fazer mais com uma de suas maiores franquias, e que chegou a hora de devolver o nosso querido Amigão da Vizinhança a seus donos originais.

  • Êxodo - Deuses e Reis

A vida não anda fácil para Ridley Scott já faz um bom tempo, porém nada - nem mesmo Prometheus - nos preparou para isso. Mesmo com a faca (a clássica história bíblica) e o queijo (o financiamento e o elenco) na mão, o cineasta outrora responsável por clássicos como Alien - O Oitavo Passageiro conseguiu fazer deste Êxodo um filme fraco, capaz de tornar aborrecido a vida de Moisés e sua atuação decisiva para libertar os hebreus do faraó Ramsés. A trajetória recente do diretor ganhou mais um ponto negativo, e agora temos pela frente uma sequência de Blade Runner. Ai...

Ok, a culpa aqui não foi somente do filme. Ainda que tenha diversos problemas, a interessante e ousada abordagem de Gareth Edwards com um dos montros mais conhecidos do cinema foi muito mais prejudicado por sua campanha de divulgação, que preferiu vender Godzilla como um novo Círculo de Fogo. O público foi ao cinema querendo ver porrada, mas recebeu uma análise diferente do gênero em troca. Uma péssima troca, diga-se de passagem.

É uma tarefa complicada essa de ser gênio em tudo, e vez ou outra se erra. Quem tropeçou feio em 2014 foi o endeusado Christopher Nolan, que depois de uma incrível sequência de excelentes filmes fez este Interestelar, uma ficção-científica boa com muitos problemas de roteiro e excessos de direção. Em Nolan nós ainda confiamos, mas depois de 2014 temos agora um pé no chão. 

Como superar o maior clássico de Paul Verhoeven? Como reinventar um dos grandes ícones cinematográficos dos anos 80? Foram duas tarefas de fato inalcançáveis que o brasileiro José Padilha aceitou tentar cumprir ao aceitar dirigir o remake de Robocop, e em alguns momentos do filme ele até conseguiu almejar tais feitos. O problema é que o trabalho era impossível, ainda mais com o estúdio em cima de seu cangote. Ainda assim, Robocop não fez feio, mesmo sendo uma obra a ser esquecida pelo tempo.

Os piores de 2014

10°) A Menina que Roubava Livros

De melodrama o cinema está cheio, é verdade, mas tem vezes que não dá pra conviver com ele, como é o caso deste A Menina Que Roubava Livros. Aborrecido do começo ao fim, a adaptação de um dos grandes best-sellers literários recentes peca pela falta de coragem em sua abordagem diferente de um tema batido na telona, e seu resultado é uma sequência sem fim de eventos que mais fazem chorar por sua falta de originalidade que pela própria tragédia apresentada em cena. Pra piorar, ainda inventaram de tentar seguir a tática Peter Jackson de múltiplos finais, e isso só resultou em risos involuntários.

9°) Ouija - O Jogo dos Espíritos

A Platinum Dunes e a Hasbro pelo jeito tomaram como missão acabar com a memória que temos de todos os clássicos brinquedos infantis através de toscas adaptações cinematográficas. A última vítima deste projeto maléfico foi o tabuleiro Ouija, que na mão do diretor estreante Stiles White ganhou vida e se transformou em um elo de ligação entre nosso mundo e o dos espíritos. E se na teoria essa ideia já cheira mal, na prática ela só piora. Previsível do começo ao fim, O Jogo dos Espíritos não aterroriza nem diverte, e resta aos seus 90 minutos apenas tédio, tédio e mais tédio...

8°) Malévola

Antes de mais nada, Angelina Jolie está sim de parabéns por sua performance como Malévola. Seu trabalho de transformação no mais icônico vilão das animações da Disney merece uma boa salva de palmas. Sua atuação, porém, está muito à frente do filme que protagoniza. As boas ideias de Malévola são desperdiçadas pelo roteiro fraco, que ainda sai prejudicado por sua falta de competência em conceber um universo minimamente original ou sequer belo para essa reinterpretação da história da Bela Adormecida.

7°) Transformers 4 - A Era da Extinção

Um é ok, dois já deu, três foi mais que demais... A cada novo capítulo, a franquia Transformers distancia-se cada vez mais da definição de "qualidade" ou de "bom filme", e em A Era da Extinção não é diferente. Michael Bay, que à princípio pensou em entregar a direção deste quarto longa para outra pessoa, faz neste reboot-só-que-não seu habitual e incompreensível show de pores do Sol, câmeras girando e, claro, explosões para filmar mais pancadaria entre robôs, agora com Mark Whalberg (o "cientista") gritando ao fundo para todo mundo correr... para bem longe do cinema.

6°) Drácula - A História Nunca Contada

A mais nova tentativa da Universal em trazer de volta sua franquia de monstros trouxe uma proposta interessante: Tentar conceber um universo onde todas as clássicas criaturas coexistam para no futuro reuni-los em um filme. A ideia "marvelesca" do estúdio, entretanto, naufraga de forma vergonhosa já em seu primeiro capítulo, que não só reformula Drácula como um herói de ação (ugh) como também entrega um dos piores filmes sobre o personagem. De bom só o misterioso monstro interpretado por Charles Dance, e ele aparece o que, umas duas vezes?

5°) November Man - Um Espião Nunca Morre

Não é qualquer um que pode ser Sean Connery na vida pós-James Bond, e Pierce Brosnan tem sofrido bastante com essa síndrome. Prova disso é esse seu retorno aos longas de espionagem, que erra não somente por querer ver seu protagonista longe de comparações com 007, mas por entregar uma história entediante e entupida de clichês. E ainda tem a Olga Kurylenko ali no canto, repetindo seu papel de Quantum of Solace numa cara de pau absurda. 

4°) As Tartarugas Ninja

O visual era bacana, as tartarugas pareciam estar sensacionais, Michael Bay não era o diretor... o que deu errado? Muita coisa, pra falar a verdade. Além de focar todas as atenções nas curvas da April O'Neil de Megan Fox e contar com cenas de ação mal feitas, o recomeço dos quelônios no cinema errou feio ao forçar conexões entre fatos e situações distantes entre si, ocasionando incoerências absurdas em seu roteiro estúpido. A pergunta agora é: Será que na continuação alguma coisa vai melhorar?

3°) 300 - A Ascensão do Império

Da série "sequências desnecessárias", a continuação do ótimo épico visual de 2007 é um desastre absoluto. Sem Zack Snyder e seus fetiches na direção, A Ascensão do Império vira uma colagem mal feita de cenas de zero plasticidade, coordenadas por um Noam Murro (no estômago...) que tenta desesperado encaixar o maior número de slow-motions possíveis sem cuidado para agradar à força os fãs do primeiro capítulo. A trama, por outro lado, não esconde de ninguém sua falta de sentido, e trabalha mal até mesmo a figura de Artemisia, o único ponto levemente positivo desta produção destinada de imediato ao esquecimento.

2°) À Procura

Há leves indícios de que a produção comandada por Atom Egoyan tentou reformular em À Procura o subgênero dos filmes de sequestro, mas elas logo desaparecem em meio ao festival de problemas apresentado. Ainda que possua um elenco esforçado (Ryan Reynolds, quem diria, tentou atuar bem) e uma trama interessante, o filme se desperdiça em generalizações e reviravoltas sem nexo, geradas por um roteiro sem foco ou atenção. Estamos procurando o motivo para esse longa ter sido feito, e por enquanto não o encontramos.
E o pior filme do ano é...

1°) Transcendence - A Revolução

Em um ano em que a relação entre tecnologia e relacionamentos foi bastante explorada em vários meios, é duro ver uma ideia tão promissora sobre o assunto ser jogada do precipício mais alto e sofrer uma morte tão horrível. Incapaz de funcionar como ficção-científica ou diversão superficial, Transcendence é um filme lento, bobo e muito problemático em todos os seus aspectos, técnicos ou criativos. O consagrado diretor de fotografia Wally Pfister fez uma péssima estréia no comando geral, e Johnny Depp acrescentou mais um longa à sua recente má fase.

sábado, 20 de dezembro de 2014

O Cinema em 2014: As Boas Surpresas

Os 11 filmes que mandaram bem, apesar de tudo

Por Pedro Strazza

Pois é, senhoras e senhores, 2014 está acabando! Depois de 365 dias de muita loucura, felicidade, tristeza e, claro, filmes, o ano conhecido como "matador de famosos" termina na tradicional festança de ano-novo.
Mas antes de acabarmos com os restos da ceia de Natal, pormos nossas roupas brancas, acendermos os fogos de artifício e cair na gandaia, vamos voltar um pouco a fita e analisar o que aconteceu no local favorito de todo cinéfilo nesse último ciclo. Assim como em todos os outros anos, 2014 teve muito filme excelente, ótimo, bom, razoável, mediano, ruim, péssimo e "Gente, como isso foi feito?", e todos merecem uma recordação nesse último mês - sim, mesmo até os pertencentes às três últimas categorias mencionadas.
Para isso, O Nerd Contra Ataca realiza um pequeno apanhado do que aconteceu no último ano em termos de cinema, dividindo-os em três partes. Nesta primeira, relembramos as boas surpresas de 2014, os longa-metragens que, mesmo não estando entre os 14 melhores e tendo alguns problemas, merecem algum tipo de reconhecimento pelo que entregaram ao público em sua exibição. Aqui, não importa se a obra foi avaliada em nove ou seis, mas sim aquele "algo mais" tão difícil de se conceber em palavras.
As regras são simples. Para entrar nessa lista, o filme não pode ter sido mencionado no preview do começo do ano, não pode estar entre os 14 melhores de 2014, precisa ter sido avaliado em pelo menos 6/10 pela equipe do O Nerd Contra Ataca e, claro, tem que ter estreado neste ano no circuito comercial brasileiro.
Vamos a eles?

2014 foi um ano para se testar tabus, e prova disso foi a quebra do ditado "toda comédia excelente tem uma sequência horrorosa". Isso porque as continuações de O Âncora, Anjos da Lei e Débi e Lóide conseguiram, cada uma à sua maneira, honrar a qualidade do original, apelando diretamente para um acertado humor desenfreado mas não apelativo (na maioria das vezes). Houveram problemas particulares a todos os casos, mas dá pra dizer que essa trinca cômica não passou batida. Por sinal, quem foi o maluco que disse que voltar com o passado era problema?

Com algumas (merecidas) indicações na área de som neste último Oscar, o novo trabalho do diretor Peter Berg foi pouco incisivo em sua abordagem analítica sobre a guerra e seus efeitos, mas funcionou quando para recriar o conflito em si. A imersão ao qual o espectador é submetido aos tiroteios em O Grande Herói é bastante diferente do habitual, filmando os danos infligidos aos soldados envolvidos e como isso os afeta no combate. Eficiente no lado prático, apesar dos erros no resto.

Provocante, estranho e curioso são alguns dos adjetivos usados pela imprensa e o público para descrever o filme de Jonathan Glazer sobre uma alienígena que "devora" homens. Protagonizado pela competente e bela Scarlett Johansson (com certeza uma das pessoas que mais cresceu em 2014), Sob a Pele talvez seria muito melhor se demorasse mais sobre seus temas, mas seu roteiro cheio de nuances e mistérios é suficiente para guiar o público em sua jornada aterrorizante pela humanidade e seus defeitos. 

Quem também conversou sobre a personalidade falha do ser humano foi este O Lobo Atrás da Porta. Estréia de Fernando Coimbra em longa-metragens, o brasileiro traz envolto no personagem brilhantemente interpretado por Leandra Leal uma visão bastante pessimista sobre a sociedade e o indivíduo, ressaltando no caminho toda a maleficência que vive em nossos interiores. É um filme poderoso e ao mesmo tempo desolador, dotado de uma análise elaborada de sua complexa protagonista. 

  • No Limite do Amanhã

Sim, o roteiro careceu (e muito!) de um maior cuidado em seu terceiro e derradeiro ato, mas ainda assim esta ficção-científica protagonizada pelo maratonista cinematográfico Tom Cruise é ótima! O recurso temporal repetido à exaustão é eficiente tanto para divertir o público quanto para desenvolver o protagonista e o trauma da guerra, tema central à produção. É um Feitiço do Tempo com ação e alienígenas que de forma inacreditável dá certo, e isso já basta.

Em seu oitavo longa-metragem, o cineasta Wes Anderson está mais Wes Anderson do que nunca. Perfeccionista em todos os aspectos visuais (até no formato da tela!), O Grande Hotel Budapeste traz um elenco primoroso em uma história divertida e de personagens apaixonantes, elaborados com o humor típico de seu diretor. Faltou um pouco de maior cuidado no roteiro? Claro, mas nada muito prejudicial ao resultado final desta obra deliciosa.

Trazendo atuações maduras de Guy Pearce e Robert Pattinson, o western pós-apocalíptico do diretor David Michôd lembra em diversas passagens o Mad Max do conterrâneo George Miller, mas mais sóbrio e centrado no drama da perda. A trama simples desempenha bem o papel de guiar espectador pelos perfis duros e alquebrados dos protagonistas, que tem seus passados descobertos pouco a pouco na narrativa.

Com problemas visíveis em aspectos básicos como direção e roteiro, o novo filme de John Carney impressiona por conseguir encantar o público por outras características - e também por revelar a voz delicada e bela de Keira Knightley. Em meio a recursos narrativos utilizados em formatos nada usuais e gostosas canções compostas pela produção, Mesmo Se Nada Der Certo acerta por sua singularidade meiga ao tratar do mundo dos relacionamentos e suas diversas fases, principalmente as mais duras e trabalhosas de se lidar com.


Até onde o ser humano pode ir quando violento? Em Relatos Selvagens, Damián Szifrón traz uma antologia de histórias que levam ao limite o estresse do dia a dia, gerando contos sobre a natureza vingativa da sociedade. O trunfo do diretor argentino, porém, é de transformar isso tudo numa comédia de humor negro das mais engraçadas, cuja força provém justamente de tirar o riso do absurdo retratado.