Han Solo - Uma História Star Wars

Leia a nossa crítica do mais novo derivado da saga!

Deadpool 2

Continuação tenta manter a subversão do original enquanto se rende às convenções hollywoodianas

Desejo de Matar

Eli Roth aterroriza ação do remake e não deixa os temas caírem na ingenuidade

Nos Cinemas #1

Nossos comentários sobre O Dia Depois, Submersão e Com Amor, Simon

Jogador N° 1

Spielberg faz seu comentário sobre o próprio legado em Hollywood sem esquecer do espetáculo no processo

Mostrando postagens com marcador Mad Max. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mad Max. Mostrar todas as postagens

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Oscar 2016: Indicados e Vencedores

Em cerimônia auto-indulgente, Academia premia Mad Max e Spotlight.

Por Pedro Strazza.

Na noite deste domingo (28), a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas realizou no Dolby Theater em Los Angeles a 88° cerimônia de entrega do Oscar. A premiação foi conduzida por Chris Rock, que tomou a polêmica questão do Oscar branco como tema único da festa e a tratou com ironia, errando mais que acertando. Os filmes, enquanto isso, pareciam ter sido deixados de lado, lembrados ocasionalmente no anúncio dos vencedores em meio a diversos esquetes e piadas em cima do tema do racismo na indústria.

Na distribuição das estatuetas, quem se deu melhor foi Mad Max. Tirando Efeitos Visuais - que inacreditavelmente acabou nas mãos de Ex Machina, talvez o longa com menor orçamento a levar na categoria - O faroeste pós-apocalíptico de George Miller arrebanhou seis estatuetas na parte técnica, todas praticamente concentradas no início da cerimônia. Nas principais, a maior reviravolta aconteceu com Melhor Filme, vencida por Spotlight mesmo o filme tendo levado apenas uma outra estatueta na noite (Melhor Roteiro Original). É a primeira vez que isso acontece desde 1953, quando O Maior Espetáculo da Terra levou os mesmos dois prêmios.

No resto, poucas surpresas, muita sensação de uma entrega de prêmios burocrática. DiCaprio emocionou o público ao enfim levar sua estatueta de Melhor Ator, emendando com um discurso correto e grato a todos que o ajudaram na carreira; Vikander e Brie Larson confirmaram o favoritismo nas de atuações femininas; Lubezki levou pela terceira vez o Oscar de Fotografia, batendo recorde na categoria e desbancando pela terceira vez consecutiva o eterno azarado Roger Deakins; Iñárritu se juntou a John Ford e Joseph L. Mankiewicz ao vencer por dois anos seguidos a categoria de Melhor Diretor; e Ennio Morricone finalmente levou uma estatueta competitiva, graças a seu trabalho em Os Oito Odiados.

Duas outras surpresas aconteceram em Melhor Canção Original e Ator Coadjuvante. Na primeira, Sam Smith acabou com o troféu, pouco depois de Lady Gaga arrebatar o público no Dolby Theater com uma performance emocionante de Til It Happens to You. Já Mark Rylance surpreendeu ao levar o segundo no lugar de Sylvester Stallone, tido como favorito até então desde o SAG Awards.

Entupido de piadas pouco eficazes e esquetes de puro merchandising (a participação dos minions e de C3PO, R2-D2 e BB-8, por exemplo), o Oscar 2016 soou como uma grande paródia de si mesmo, muito mais preocupado em sua imagem como premiação mais conhecida e pouco na importância da entrega dos prêmios em si. Enquanto Chris Rock, em seu terno branco, fazia piada sobre os problemas da Academia, a premiação da indústria cinematográfica mais conhecida no mundo parecia se afundar na própria ignorância.

Confira a lista completa abaixo. Os vencedores estão em negrito.

Melhor Filme

  • Brooklin
  • A Grande Aposta
  • Mad Max – Estrada da Fúria
  • O Quarto de Jack
  • Perdido em Marte
  • Ponte dos Espiões
  • O Regresso
  • Spotlight – Segredos Revelados

Melhor Direção

  • Adam McKay (A Grande Aposta)
  • Alejandro González Iñárritu (O Regresso)
  • George Miller (Mad Max – Estrada da Fúria)
  • Lenny Abrahamson (O Quarto de Jack)
  • Thomas McCarthy (Spotlight – Segredos Revelados)

Melhor Ator

  • Bryan Cranston (Trumbo - Lista Negra)
  • Eddie Redmayne (A Garota Dinamarquesa)
  • Leonardo DiCaprio (O Regresso)
  • Matt Damon (Perdido em Marte)
  • Michael Fassbender (Steve Jobs)

Melhor Atriz

  • Brie Larson (O Quarto de Jack)
  • Cate Blanchett (Carol)
  • Charlotte Rampling (45 Anos)
  • Jennifer Lawrence (Joy – O Nome do Sucesso)
  • Saoirse Ronan (Brooklin)

Melhor Ator Coadjuvante

  • Christian Bale (A Grande Aposta)
  • Mark Ruffalo (Spotlight – Segredos Revelados)
  • Mark Rylance (Ponte dos Espiões)
  • Sylvester Stallone (Creed – Nascido Para Lutar)
  • Tom Hardy (O Regresso)

Melhor Atriz Coadjuvante

  • Alicia Vikander (A Garota Dinamarquesa)
  • Jennifer Jason Leigh (Os Oito Odiados)
  • Kate Winslet (Steve Jobs)
  • Rachel McAdams (Spotlight – Segredos Revelados)
  • Rooney Mara (Carol)

Melhor Roteiro Adaptado

  • Brooklin
  • Carol
  • A Grande Aposta
  • Perdido em Marte
  • O Quarto de Jack

Melhor Roteiro Original

  • Divertida Mente
  • Ex Machina
  • Ponte dos Espiões
  • Spotlight – Segredos Revelados
  • Straight Outta Compton

Melhor Fotografia

  • Carol
  • Mad Max – Estrada da Fúria
  • Os Oito Odiados
  • O Regresso
  • Sicario – Terra de Ninguém

Melhor Montagem

  • A Grande Aposta
  • Mad Max – Estrada da Fúria
  • O Regresso
  • Spotlight – Segredos Revelados
  • Star Wars – O Despertar da Força

Melhor Trilha Sonora

  • Carol
  • Os Oito Odiados
  • Ponte dos Espiões
  • Sicario – Terra de Ninguém
  • Star Wars – O Despertar da Força

Melhor Documentário

  • Amy
  • Cartel Land
  • The Look of Silence
  • What Happened, Miss Simone?
  • Winter on Fire: Ukraine’s Fight for Freedom

Melhor Animação

  • Anomalisa
  • Divertida Mente
  • As Memórias de Marnie
  • O Menino e o Mundo
  • Shaun, O Carneiro

Melhor Filme Estrangeiro

  • O Abraço da Serpente (Colômbia)
  • Cinco Graças (França)
  • Filho de Saul (Hungria)
  • Guerra (Dinamarca)
  • O Lobo do Deserto (Jordânia)

Melhor Curta-Metragem

  • Ave Maria
  • Day One
  • Everything Will Be Okay
  • Shok
  • Stutterer

Melhor Documentário em Curta-Metragem

  • Body Team 12
  • Chau: Beyond the Lines
  • Claude Lanzmann: Spectres of the Shoah
  • A Girl in the River: The Price of Forgiveness
  • Last Day of Freedom

Melhor Animação em Curta-Metragem

  • Bear Story
  • Os Heróis de Sanjay
  • Prologue
  • We Can’t Live Without Cosmos
  • World of Tomorrow

Melhor Design de Produção

  • A Garota Dinamarquesa
  • Mad Max – Estrada da Fúria
  • Perdido em Marte
  • Ponte dos Espiões
  • O Regresso

Melhor Figurino

  • Carol
  • Cinderela
  • A Garota Dinamarquesa
  • Mad Max – Estrada da Fúria
  • O Regresso

Melhor Maquiagem e Penteados

  • Mad Max – Estrada da Fúria
  • O Centenário que Fugiu Pela Janela e Desapareceu
  • O Regresso

Melhor Canção Original

  • Earned It (Cinquenta Tons de Cinza)
  • Manta Ray (Racing Extinction)
  • Simple Song #3 (Juventude)
  • Til It Happens to You (The Hunting Ground)
  • Writings on the Wall (007 Contra Spectre)

Melhor Som

  • Mad Max – Estrada da Fúria
  • Perdido em Marte
  • O Regresso
  • Sicario – Terra de Ninguém
  • Star Wars – O Despertar da Força

Melhor Mixagem de Som

  • Mad Max – Estrada da Fúria
  • Perdido em Marte
  • Ponte dos Espiões
  • O Regresso
  • Star Wars – O Despertar da Força

Melhores Efeitos Visuais

  • Ex Machina
  • Mad Max – Estrada da Fúria
  • Perdido em Marte
  • O Regresso
  • Star Wars – O Despertar da Força

Top 8: Oscar de Melhor Filme 2016

Do pior ao melhor, um ranking para a categoria mais importante da premiação mais conhecida.

Por Pedro Strazza.

E mais uma vez estamos aqui, em dia de entrega do Oscar. Seguindo a tradição dos últimos dois anos, organizo agora a categoria de Melhor Filme desse ano em um ranking pessoal, que vai do pior ao melhor dos indicados desse ano. Bom lembrar, TODOS os oito filmes nomeados pelos votantes da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas ao prêmio máximo tem críticas no site, e você pode lê-las a qualquer instante clicando em seus nomes abaixo.

Também deixo o link para o ranking completo dos indicados ao Oscar 2016 que assisti, o qual você pode ver aqui.

Sem maiores delongas, vamos ao que interessa:

8) O Regresso

Talvez uma das maiores bombas a atingir a categoria desde O Discurso do Rei em 2010 e Extremamente Alto, Incrivelmente Perto em 2011, o novo trabalho de Alejandro González Iñárritu (que ficou em primeiro no ranking do ano passado, bom lembrar) é o filme que melhor simboliza o jogo de egos vigente em Hollywood e arrisca se tornar a produção predileta dos votantes da Academia para os próximos anos. Poucas coisas em O Regresso vão na contramão e realizam seu trabalho voltado para a construção do filme, enquanto no geral o que se vê são demonstrações constantes de cineastas que prezam por um cinema "superior" e "profundo" sem contudo nunca chegar a qualquer um destes.

É uma negação de gênero desgostosa, um faroeste incapaz de se assumir como tal, mais interessado em um existencialismo vazio e que dá voltas e voltas sem sair do mesmo lugar. Se o futuro do Oscar de Melhor Filme são produções assim, estamos prestes a entrar num período difícil da História cinematográfica estadunidense.

7) Spotlight - Segredos Revelados

Acho curioso que Spotlight, novo filme de Thomas McCarthy, esteja sendo venerado pela crítica e pelos fãs como "o filme que glorifica o Jornalismo". Claro que a produção, centrada no relato da investigação de uma equipe do Boston Globe sobre abusos cometidos por membros da Igreja, busca validar o processo jornalístico como algo sagrado (inclusive é inegável o tesão do longa pelo método old-school da profissão), mas a obra também não se segura em criticar as mais variadas instituições que formam e comandam a sociedade contemporânea, incluindo aí... o Jornalismo.

Um filme interessante, mas que no fundo não consegue fazer algo a mais da história além da proposta de recontar os acontecimentos com um grande elenco.

6) Brooklin

Quase uma versão soft do épico Era Uma Vez em Nova York de James Gray, Brooklin só funciona graças ao trabalho encantador de Saoirse Ronan, que conduz a narrativa do filme com a leveza e beleza necessárias. Como filme, o longa de John Crowley é bastante feliz em desarmar o espectador sobre qualquer tentativa de atribuir a história ao contexto histórico que se insere, apesar de no fim não resistir de fazer o mesmo com o triângulo amoroso que tem em mãos. Ainda que batido, é difícil não se envolver com a trajetória da protagonista, de suas perdas a suas vitórias.

5) O Quarto de Jack

Ousado em contar uma história pesada sob o viés de um conto de fadas realista, O Quarto de Jack sabe como ninguém se aproveitar do estupendo trabalho de seus dois protagonistas para se conectar com o espectador e no processo esconder suas falhas deste. É mais um filme de ator, com Brie Larson e Jacob Tremblay brilhando neste mais novo conto de libertação do diretor Lenny Abrahamson - que também se destaca na narrativa de espaços concebida.

4) Perdido em Marte

Com tantas ficções-científicas depressivas por aí (todas fruto da dupla Alien/Blade Runner, do próprio Ridley Scott), acho muito legal que uma mais otimista tenha chegado ao páreo de Melhor Filme esse ano. Porque apesar dos perrengues e provações, a jornada de Mark Watney para sobreviver ao planeta vermelho e voltar para a Terra em Perdido em Marte na verdade é uma grande celebração à sociedade (e à NASA, mas deixemos isso de lado), com várias pessoas fazendo de tudo para ajudar no resgate ao astronauta.

Não bastasse isso, Perdido em Marte ainda é um grande festejo sobre a ciência, talvez o maior no cinema em anos. Decerto é um filme para todos os tipos de público.

3) A Grande Aposta

Quem vê A Grande Aposta geralmente se concentra na questão do se as explicações do filme sobre como a crise de 2008 aconteceu são compreensíveis ou não, mas para mim o valor da produção não está aí. Acima de tudo, o longa comandado por Adam McKay brilha por conseguir ser um dos poucos a de fato trazer ao espectador a sensação de quem viveu este momento problemático da economia mundial, primeiro o tornando parte do caos que gerou a crise e depois o chocando com os efeitos dessa festança na vida das pessoas.

Pois mesmo que sejamos todos o personagem de Steve Carell lá no finalzinho, no caminho rimos de toda a loucura testemunhada pelos personagens, despreocupados se isso é algo ruim ou péssimo para a sociedade.

2) Ponte dos Espiões

Novo triunfo na carreira de Steven Spielberg, Ponte dos Espiões é o filme que finalmente faz com que o celebrado diretor acerte em sua trajetória recente pela análise do espírito americano. Com uma ajudinha básica dos irmãos Coen no roteiro e de Tom Hanks e Mark Rylance nas atuações, o longa problematiza a fabricação desse ideal nacional na Guerra Fria ao mesmo tempo que retoma o herói comum do cinema estadunidense clássico, confrontando ambos em um cinema talvez consciente demais de sua importância.

Isso parece não importar muito a Spielberg, que nesse seu esforço de entregar algo grandioso também se preocupa em focar na trajetória de seu protagonista, alternando entre o simples e o complexo com eficiência fabulosa. Ponte dos Espiões é o resquício de uma época antiga, mas que mesmo assim funciona muito bem, obrigado.

Mas assim, o Oscar de Melhor Filme esse ano deveria ir para...

1) Mad Max - Estrada da Fúria

É o filme que revolucionou o cinema de ação como conhecemos no ano passado. É o filme que deu o pontapé inicial na discussão sobre o papel da mulher no gênero cinematográfico e no próprio cinema como um todo. E ainda ficou em segundo lugar no Melhores do Ano de 2015, atrás apenas de Divertida Mente.

Preciso. Falar. Mais?

ESPECIAL: Oscar 2016

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

ESPECIAL: Oscar 2016

Tudo sobre a 88° edição dos Academy Awards!

Edições Anteriores










terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Bolão Oscar 2016


Quem leva, quem perde e quem pode surpreender na premiação de domingo?

Por Pedro Strazza.

Está chegando a hora! No próximo domingo, dia 28 de fevereiro de 2016, acontece no Dolby Theater em Los Angeles a 88° cerimônia de entrega dos Academy Awards, também conhecido como Oscar 2016! E entre piadas feitas pelo apresentador Chris Rock e homenagens a vários membros da indústria cinematográfica estadunidense, as grandes questões permanecem: Quem ficará com a estatueta? Será que Leonardo DiCaprio leva dessa vez? E pelamor, será que a cerimônia dessa vez será minimamente interessante a ponto de não fazer adormecer o espectador casual?

Sobre a última não tenho como opinar, mas nas duas primeiras perguntas talvez possa ajudar. Pelo quarto ano consecutivo, O Nerd Contra-Ataca orgulhosamente apresenta o Bolão Oscar, que tenta ajudar a sua lista de apostas dos vencedores e prever os diferentes cenários possíveis da premiação. Também trouxemos de volta este ano o TROCA, nossa ferramenta justiceira que busca substituir os indicados que não sabem o que fazem na lista por outros mais interessantes e melhores.

Vamos aos indicados?

P.S. Importante: Foram desconsiderados do TROCA filmes que não foram assistidos por minha pessoa e todos os curtas, como Ave Maria, Bear Story, Body Team 12, Cartel Land, O Centenário que Fugiu Pela Janela e Desapareceu, Chau: Beyond the Lines, Claude Lanzmann: Spectres of the Shoah, Day One, Everything Will Be Okay, A Girl in the River: The Price of Forgiveness, Os Heróis de Sanjay, Prologue, Juventude, Last Day of Freedom, O Lobo do Deserto, The Look of Silence, Racing Extinction, Shok, Straight Outta Compton - A História do N.W.A., Stutterer, We Can’t Live Without Cosmos, Winter on Fire - Ukraine's Fight For Freedom e World of Tomorrow. 

Legenda

  • Negrito: O Favorito
  • Itálico: Ainda Disputa
  • (0): Sem Chances
  • (F): Favorito Pessoal

Melhor Filme

TROCA: Brooklin, O Quarto de Jack, O Regresso e Spotlight - Segredos Revelados por Carol, Divertida Mente, Os Oito Odiados e Magic Mike XXL.

Parece brincadeira escrever isso mais uma vez, mas a cada ano que passa a disputa pelo Oscar de Melhor Filme está ficando cada vez mais difícil. Esse ano, a briga não está apenas entre dois filmes, mas sim TRÊS, com O Regresso de Alejandro González Iñárritu disparando como favorito no último minuto. O faroeste no armário do mexicano pode não ter levado os prêmios dos sindicatos de produtores e atores de Hollywood ou entrado na lista de melhores do ano da American Film Institute (AFI), mas suas vitórias no DGA Awards e no BAFTA muito provavelmente deram o gás que ele precisava na corrida pela estatueta mais desejada.

Em seu caminho, o longa tem a comédia sobre a crise de 2008 A Grande Aposta, que levou o PGA Awards (prêmio do sindicato de produtores), e o drama sobre jornalismo Spotlight, vitorioso no SAG Awards (prêmio do sindicato de atores) e no início da temporada o principal candidato a Melhor Filme. O problema é que ambos perderam a força na disputa, o que possibilitou a situação instável que é o final da corrida desse ano pelo principal prêmio da indústria cinematográfica estadunidense.

A bem da verdade, tudo pode acontecer na categoria, incluindo reviravoltas protagonizadas por Mad Max, Ponte dos Espiões e Perdido em Marte, grandes produções que tem o perfil de agrado aos votantes. O que soa ser mesmo improvável a essa altura da votação são vitórias de Brooklin e O Quarto de Jack, duas produções menores que chegam a essa e outras categorias graças ao talento de suas atrizes protagonistas. Mas isso a gente vê daqui a pouco.

Melhor Direção

  • Adam McKay (A Grande Aposta)
  • Alejandro González Iñárritu (O Regresso)
  • George Miller (Mad Max – Estrada da Fúria) (F)
  • Lenny Abrahamson (O Quarto de Jack) (0)
  • Thomas McCarthy (Spotlight – Segredos Revelados)
TROCA: Adam McKay, Alejandro González Iñárritu, Lenny Abrahamson e Thomas McCarthy por Quentin Tarantino (Os Oito Odiados), Ryan Coogler (Creed - Nascido Para Lutar), Steven Spielberg (Ponte dos Espiões) e Todd Haynes (Carol).

George Miller é de longe o melhor dos candidatos, mas 2016 promete mais uma vitória de Iñárritu em Melhor Diretor. Pesa em seu favor a vitória inesperada no DGA e a publicidade em cima das dificuldades climáticas que ele e sua produção passaram para filmar O Regresso, bem o tipo de coisa que os votantes da Academia se encantam com relativa facilidade. Quem talvez surpreenda na noite (além do próprio Miller, que também sofreu para fazer seu Mad Max, mas não vendeu seu filme assim) é Adam McKay, com chances caso seu A Grande Aposta seja no fim o grande vencedor do prêmio de Melhor Filme.

Do outro lado da corrida, Lenny Abrahamson, que surpreendeu todo mundo ao roubar o lugar de Ridley Scott na categoria, está tranquilo em ser o azarão deste ano, contente talvez em ter chegado até onde chegou.

Melhor Ator

TROCA: Todo mundo por Jacob Tremblay (O Quarto de Jack), Michael B. Jordan (Creed - Nascido Para Lutar), Samuel L. Jackson (Os Oito Odiados), Tom Hanks (Ponte dos Espiões) e Tom Hardy (Mad Max - Estrada da Fúria).

No que talvez seja o ano mais fraco da categoria, o Oscar de Melhor Ator enfim irá para as mãos de Leonardo DiCaprio. Ele ganhou tudo: SAG, BAFTA, prêmios dos críticos, Globo de Ouro... aparentemente não há obstáculos a serem encarados pelo ator de 41 anos para na quinta tentativa levar a estatueta para casa.

Ainda assim, na possibilidade bastante remota do prêmio não ir para DiCaprio (tipo 0,001% de chance, sério), quem está na rebarba é Michael Fassbender, cuja atuação em Steve Jobs deve angariar alguns dos votos contrários à escolha principal. Já Bryan Cranston, que entregou a melhor atuação dentre os cinco, vai comparecer à cerimônia apenas à espera de um bom espetáculo de Chris Rock.

Melhor Atriz

  • Brie Larson (O Quarto de Jack) (F)
  • Cate Blanchett (Carol)
  • Charlotte Rampling (45 Anos) (0)
  • Jennifer Lawrence (Joy – O Nome do Sucesso)
  • Saoirse Ronan (Brooklin)
TROCA: Cate Blanchett, Charlotte Rampling e Jennifer Lawrence por  Charlize Theron (Mad Max - Estrada da Fúria), Juliette Binoche (Acima das Nuvens) e Rooney Mara (Carol).

Outro páreo que parece definido é o de Melhor Atriz, de cabo a rabo liderado por Brie Larson. A atriz levou o SAG e o BAFTA, além de ter sido responsável por puxar as outras indicações de O Quarto de Jack. Sua maior concorrente no caso é Saoirse Ronan, outra que trouxe mais nomeações para o filme que protagoniza e tem sido a alternativa em alguns circuitos de críticos e premiações pequenas.

Agora, quem está realmente sem chances na categoria é Charlotte Rampling. Suas polêmicas declarações sobre a questão do #OscarsSoWhite fizeram a atriz perder grande parte dos poucos votos que tinha, quebrando a simpatia de sua figura de azarona na corrida.

Melhor Ator Coadjuvante

  • Christian Bale (A Grande Aposta)
  • Mark Ruffalo (Spotlight – Segredos Revelados) (0)
  • Mark Rylance (Ponte dos Espiões)
  • Sylvester Stallone (Creed – Nascido Para Lutar) (F)
  • Tom Hardy (O Regresso)
TROCA: Christian Bale e Mark Ruffalo por Idris Elba (Beasts of No Nation) e Walton Goggins (Os Oito Odiados).

Melhor Ator Coadjuvante está um páreo interessante esse ano. A princípio, Mark Rylance estava na frente, com Christian Bale e Sylvester Stallone um pouco atrás. No SAG, Rylance e Bale foram indicados e Stallone acabou de fora, mas quem levou o prêmio-termômetro no fim foi Idris Elba, ausente no Oscar sem motivo maior além de "seu filme ser da Netflix".

Dessa forma, a estatueta parece estar nas mãos do eterno Rocky Balboa e Rambo, que tem a seu favor o carinho dos votantes por sua pessoa e sua fantástica performance na sétima interpretação do Garanhão Italiano. Considerando que Rylance e Bale perderam fôlego na corrida, seu maior opositor no momento é Tom Hardy, outro de fora do SAG e que tem como surpreender no fim. Mark Ruffalo, coitado, ficou pra trás há um bom tempo.

Melhor Atriz Coadjuvante

  • Alicia Vikander (A Garota Dinamarquesa)
  • Jennifer Jason Leigh (Os Oito Odiados)
  • Kate Winslet (Steve Jobs)
  • Rachel McAdams (Spotlight – Segredos Revelados) (0)
  • Rooney Mara (Carol) (F)
TROCA: Alicia Vikander, Rachel McAdams e Rooney Mara por Cate Blanchett (Carol), Jada Pinkett Smith (Magic Mike XXL) e Kristen Stewart (Acima das Nuvens).

Alicia Vikander é a óbvia favorita aqui (levou a cota de prêmios necessários para garantir este status), mas o Oscar de Atriz Coadjuvante tem todo o cheiro de surpresa de última hora esse ano.

Mas quem poderia levar no lugar da atriz sueca, você se pergunta? A resposta é Kate Winslet, que levou inesperados BAFTA e Globo de Ouro (que, de novo, vale absolutamente NADA na disputa do Oscar) e pode somar mais uma estatueta esse ano graças à vibe dos votantes em premiar seu eterno par romântico de Titanic em Melhor Ator. Só isso para explicar o porquê dela estar à frente dos incríveis trabalhos de Rooney Mara e Jennifer Jason Leigh, que juntas a Rachel McAdams devem ficar a ver navios no anúncio de domingo. 

Melhor Roteiro Adaptado

  • Brooklin (0)
  • Carol
  • A Grande Aposta
  • Perdido em Marte (F)
  • O Quarto de Jack
TROCA: Nada, tá decente.

Melhor Roteiro Original

  • Divertida Mente (0) (F)
  • Ex Machina
  • Ponte dos Espiões
  • Spotlight – Segredos Revelados
  • Straight Outta Compton
TROCA: Ex Machina por Mistress America.

Se A Grande Aposta e Spotlight no momento estão em segundo na corrida pelo Oscar de Melhor Filme, aqui em Roteiro tudo parece certo para que ambos saiam com alguma coisa. Vitoriosos no WGA (o sindicato de roteiristas), os dois frontrunners tem a seu favor o peso de temas difíceis, se destacando ou pela pesquisa do material em mãos (é fascinante perceber que Spotlight não foi baseado em nenhum livro) ou sua abordagem criativa (transformar a tragédia da crise de 2008 em comédia trabalha a favor de A Grande Aposta).

Quem ameaça suas vitórias? Perdido em Marte é a adaptação de um livro com reconhecido séquito, e sua popularidade pode conduzi-lo à vitória em Roteiro Adaptado; já Roteiro Original tem um rumo mais certo, mas não é lá tão difícil imaginar um "inesperado" anúncio de Straight Outta Compton ou Ponte dos Espiões no domingo.

Melhor Fotografia

TROCA: Sicario - Terra de Ninguém por Creed - Nascido Para Lutar.

Vai rolar recorde em Melhor Fotografia sim, e duplo. Não apenas Emmanuel Lubezki será o primeiro na categoria a faturar três vezes seguidas a estatueta, graças a seu trabalho puramente estético e trabalhado em luz natural em O Regresso, como também teremos a 13° nomeação sem vitória de Roger Deakins, eterno azarado na premiação que este ano concorre pelo bom trabalho em Sicario.

Se há alguém que possa desafiar o cinturão de Chivo? Mad Max e Oito Odiados são os maiores oponentes, mas correm por fora.

Melhor Montagem

TROCA: O Regresso e Spotlight - Segredos Revelados por Creed - Nascido Para Lutar e Os Oito Odiados.

Montagem é conhecido por ser a categoria que define vencedores de Melhor Filme no Oscar, e talvez por isso O Regresso mantenha algum lugar à frente na corrida. O favorito esse ano, porém, é A Grande Aposta, que ganhou no sindicato de montadores e tem sido bastante elogiado no meio. O Despertar da Força, enquanto isso, está feliz por estar entre os indicados e espera parabenizar quem quer vença no domingo.

Melhor Trilha Sonora

  • Carol
  • Os Oito Odiados
  • Ponte dos Espiões
  • Sicario – Terra de Ninguém (0)
  • Star Wars – O Despertar da Força
TROCA: Sicario - Terra de Ninguém por Corrente do Mal.

"Se não for agora, não vai nunca mais" deve estar pensando Ennio Morricone, que com 87 anos é dono de um Oscar honorário mas não de um disputado. Quem está em seu caminho é Thomas Newman, outro compositor que está na fila do prêmio há onze indicações, e talvez John Williams, que fez um retorno arrebatador na franquia Star Wars com O Despertar da Força. Johánn Johánnsson, por outro lado, não tem o mesmo favoritismo do ano passado e amargará o segundo ano consecutivo sem a estatueta.

Melhor Documentário

  • Amy
  • Cartel Land (0)
  • The Look of Silence
  • What Happened, Miss Simone?
  • Winter on Fire: Ukraine’s Fight for Freedom
TROCA: Amy por The Hunting Ground.

A vitória de Citizenfour no ano passado foi mesmo uma anomalia na categoria, pois em 2016 o páreo de Melhor Documentário mais uma vez se resume a duas produções sobre música. What Happened, Miss Simone? poderia almejar alguma vitória, mas o rodo que Amy passou em todas as outras premiações são prova incontestável de seu favoritismo na disputa. Os outros candidatos, coitados, possuem temas polêmicos demais para sequer serem cotados à estatueta.

Melhor Animação

  • Anomalisa
  • Divertida Mente (F)
  • As Memórias de Marnie
  • O Menino e o Mundo
  • Shaun, O Carneiro (0)
TROCA: Nada, tá ótimo.

Em um ano marcado pela ótima variedade de indicados, Melhor Animação é mais uma categoria com resultado já assegurado do início: Divertida Mente manteve a ponta do início ao fim da temporada e tem tudo para trazer mais um Oscar para a Pixar.

É correto afirmar que O Menino e o Mundo ainda tem alguma chance de virar o jogo e sair vitorioso na noite do dia 28 e que Memórias de Marnie, até o momento o último longa-metragem produzido pelo Estúdio Ghibli (em pausa na produção desde agosto de 2014), tem toda a cara de alguém que pode aparecer de última hora na corrida, mas isso tudo está dissolvido em probabilidades muito baixas para qualquer consideração. De garantido temos que Shaun, O Carneiro está bem atrás dos outros indicados e terminará a cerimônia de mãos vazias.

Melhor Filme Estrangeiro

  • O Abraço da Serpente (Colômbia)
  • Cinco Graças (França) (F)
  • Filho de Saul (Hungria)
  • Guerra (Dinamarca) (0)
  • O Lobo do Deserto (Jordânia)
TROCA: O Abraço da Serpente e Guerra por Que Horas Ela Volta? e Um Pombo Pousou Num Galho Refletindo Sobre a Existência.

Desde a última edição do Festival de Cannes, o húngaro Filho de Saul domina as apostas dos especialistas da temporada de premiações como grande favorito ao Oscar de Filme Estrangeiro. É uma consideração que não foi feita à toa: com um formato diferente do habitual e um tema amado pelos votantes da Academia - o Holocausto, eterno símbolo universal de tragédia no mundo - o longa de László Nemes tem ampla vantagem aos outros indicados, ainda mais porque seu maior adversário, o brasileiro Que Horas Ela Volta?, nem conseguiu sobreviver à primeira votação da categoria. Agora, só o francês-que-na-verdade-é-turco Cinco Graças pode representar algum perigo a sua vitória, mas não tendo o mesmo poder de fogo do filme de Anna Muylaert tudo parece estar resolvido aqui.

Melhor Curta-Metragem

  • Ave Maria
  • Day One
  • Everything Will Be Okay
  • Shok
  • Stutterer

Melhor Documentário em Curta-Metragem

  • Body Team 12
  • Chau: Beyond the Lines
  • Claude Lanzmann: Spectres of the Shoah
  • A Girl in the River: The Price of Forgiveness
  • Last Day of Freedom

Melhor Animação em Curta-Metragem

A seção de curtas é sempre reservada aos bons e velhos chutes calculados em base nenhuma, mas é válido destacar a disputa entre os animados, esse ano bastante interessante. Não apenas pela ampla variedade temática entre os indicados (temos de ficção-científica a reprodução de guerra entre gregos), Melhor Animação em Curta-Metragem pode marcar a volta de uma vitória da Pixar na categoria, que concorre com Os Heróis de Sanjay e não sai vitorioso por aqui desde 2001. Em seu caminho há o espetacular trabalho de Don Hertzfeldt em World of Tomorrow, que dispara com merecimento ao título.

Melhor Design de Produção

  • A Garota Dinamarquesa
  • Mad Max – Estrada da Fúria (F)
  • Perdido em Marte
  • Ponte dos Espiões (0)
  • O Regresso
TROCA: A Garota Dinamarquesa, Perdido em Marte e O Regresso por Carol, A Colina Escarlate e Os Oito Odiados.

Páreo complicado, mas esta é uma das categorias que Mad Max deve passar o caminhão. Seus maiores adversários em Design de Produção, O Regresso e Perdido em Marte, também levaram prêmios no ADG Awards (premiação do sindicato de diretores de arte), mas o cuidadoso desenvolvimento visual do universo pós-apocalíptico de George Miller é claramente superior e o torna no óbvio favorito.

Melhor Figurino

  • Carol (F)
  • Cinderela
  • A Garota Dinamarquesa
  • Mad Max – Estrada da Fúria
  • O Regresso
TROCA: O Regresso por A Colina Escarlate.

Mais uma categoria técnica, mais uma vitória de Mad Max. Decerto uma maneira da Academia de compensar a desde já injusta derrota para O Regresso no fim da cerimônia.

Melhor Maquiagem e Penteados

  • Mad Max – Estrada da Fúria (F)
  • O Centenário que Fugiu Pela Janela e Desapareceu (0)
  • O Regresso
TROCA: Não precisa, ficou boa.

Se a equipe de maquiagem e penteados da comédia sueca de nome estranho - algo aparentemente comum no país, vide Um Pombo Pousou num Galho Refletindo sobre a Existência - chegará ao tapete vermelho pronto para o pós-festa, a briga entre Mad Max e O Regresso parece estar resolvida e pendendo para a insana ação pós-apocalíptica. Immortan Joe agradece.

Melhor Canção Original

TROCA: Earned It e Writings on the Wall por Fine on the Outside (As Memórias de Marnie) e See You Again (Velozes e Furiosos 7).

É talvez o ano mais depressão da categoria, com quatro canções para se ouvir na bad e uma de Cinquenta Tons de Cinza, então espere apresentações de cortar os pulsos na cerimônia do dia 28. O prospecto em Canção Original, pelo menos, é até que positivo... se você desconsiderar que a sonolenta música tema do 24° 007 está entre os favoritos. Mas se tudo der certo quem deve levar o Oscar é Lady Gaga e seu hino contra os abusos sexuais em universidades Til It Happens to You, então você pode respirar aliviado.

Melhor Som

  • Mad Max – Estrada da Fúria
  • Perdido em Marte (0)
  • O Regresso
  • Sicario – Terra de Ninguém
  • Star Wars – O Despertar da Força (F)
TROCA: Tá bom assim.

Melhor Mixagem de Som

  • Mad Max – Estrada da Fúria
  • Perdido em Marte
  • Ponte dos Espiões (0)
  • O Regresso
  • Star Wars – O Despertar da Força (F)
TROCA: Ponte dos Espiões por Os Oito Odiados.

Melhores Efeitos Visuais

  • Ex Machina (0)
  • Mad Max – Estrada da Fúria
  • Perdido em Marte (0)
  • O Regresso
  • Star Wars – O Despertar da Força (F)
TROCA: Ficou ótimo, relaxa.

Se O Regresso enfrenta a fúria de Mad Max nas categorias técnicas mais "artísticas", nas de som e efeitos seu adversário é Star Wars. Enquanto que nas primeiras o faroeste inibido tem a vantagem de ter faturado os dois troféus na premiação da Audio Society (principal termômetro na área), na última a corrida está mais acirrada e pode ser resumida a um "Ursa mãe enfrenta o planeta Jakku". O Despertar da Força, porém, está à frente em efeitos visuais, e se bobear pode também acabar com o troféu de Mixagem de Som no processo.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Oscar 2016: Indicados

O Regresso lidera, e o Oscar continua retrógrado.

Por Pedro Strazza.

Na manhã desta quinta-feira (14), a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas anunciou a lista de indicados do Oscar 2016. Em sua 88° edição, a premiação confirmou várias expectativas, mas também surpreendeu com algumas escolhas inusitadas.

Em número de indicações, O Regresso, novo filme de Alejandro González Iñárritu, lidera com doze indicações, seguido de perto por Mad Max - Estrada da Fúria, que tem dez. Favorito ao prêmio de Melhor Filme, Spotlight - Segredos Revelados conquistou seis nomeações, uma à frente do por enquanto seu maior adversário, A Grande Aposta, com seis.

Além desses quatro, também foram indicados ao prêmio principal da cerimônia Perdido em Marte (7 nomeações), Ponte dos Espiões (6), Brooklyn e O Quarto de Jack (cada um com 3), totalizando oito filmes. Entre os que ficaram de fora, surpreende as esnobadas dadas a Carol (que tem seis menções na lista), Straight Outta Compton - A História do N.W.A. (1) e Sicario - Terra de Ninguém (3), esses dois últimos porque pareciam ter espaço na competição após suas nomeações no PGA Awards. Atual terceira maior bilheteria mundial, Star Wars - O Despertar da Força marca presença na disputa, com cinco indicações em categorias técnicas.

Apesar de Que Horas Ela Volta? ter ficado de fora da disputa de Melhor Filme Estrangeiro, o Brasil tem um representante na premiação desse ano: O Menino e o Mundo, de Alê Abreu, foi indicado à categoria de Melhor Animação, desbancando junto do provável último filme do Estúdio Ghibli, As Memórias de Marnie, os favoritos O Bom Dinossauro e Snoopy e Charlie Brown - O Filme.

O Oscar, por outro lado, tem poucos motivos para festejar, já que continua a se mostrar cada vez mais retrógrado em suas listas. Pelo segundo ano consecutivo, a premiação nomeou apenas candidatos brancos nas categorias de atuação, ignorando atores como Benicio Del Toro, Idris Elba (que não conseguiu emplacar a primeira indicação da Netflix nos prêmios principais com seu Beasts of No Nation) e Michael B. Jordan. Além disso, a Academia continua a diferenciar os indicados a Melhor Filme das de atuação femininas: enquanto Melhor Ator e Melhor Ator Coadjuvante possuem somados seis indicados presentes no prêmio máximo, as de Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante possuem apenas três representantes.

Mais uma vez, a premiação faz por merecer o título "Oscar All White and All Men" (Oscar todo branco e masculino), e num ano tão importante para a discussão de gênero isso é grave.

A seguir, a lista final de indicados à 88° edição dos Academy Awards:

Melhor Filme

Melhor Ator
  • Bryan Cranston (Trumbo)
  • Eddie Redmayne (A Garota Dinamarquesa)
  • Leonardo DiCaprio (O Regresso)
  • Matt Damon (Perdido em Marte)
  • Michael Fassbender (Steve Jobs)

Melhor Ator Coadjuvante
  • Christian Bale (A Grande Aposta)
  • Mark Ruffalo (Spotlight – Segredos Revelados)
  • Mark Rylance (Ponte dos Espiões)
  • Sylvester Stallone (Creed – Nascido Para Lutar)
  • Tom Hardy (O Regresso)

Melhor Atriz
  • Brie Larson (O Quarto de Jack)
  • Cate Blanchett (Carol)
  • Charlotte Rampling (45 Anos)
  • Jennifer Lawrence (Joy – O Nome do Sucesso)
  • Saoirse Ronan (Brooklyn)

Melhor Atriz Coadjuvante
  • Alicia Vikander (A Garota Dinamarquesa)
  • Jennifer Jason Leigh (Os Oito Odiados)
  • Kate Winslet (Steve Jobs)
  • Rachel McAdams (Spotlight – Segredos Revelados)
  • Rooney Mara (Carol)

Melhor Animação
  • Anomalisa
  • Divertida Mente
  • As Memórias de Marnie
  • O Menino e o Mundo
  • Shaun, O Carneiro

Melhor Fotografia

Melhor Figurino
  • Carol
  • Cinderela
  • A Garota Dinamarquesa
  • Mad Max – Estrada da Fúria
  • O Regresso

Melhor Direção
  • Adam McKay (A Grande Aposta)
  • Alejandro González Iñárritu (O Regresso)
  • George Miller (Mad Max – Estrada da Fúria)
  • Lenny Abrahamson (O Quarto de Jack)
  • Thomas McCarthy (Spotlight – Segredos Revelados)

Melhor Documentário
  • Amy
  • Cartel Land
  • The Look of Silence
  • What Happened, Miss Simone?
  • Winter on Fire: Ukraine’s Fight for Freedom

Melhor Documentário em Curta-Metragem
  • Body Team 12
  • Chau: Beyond the Lines
  • Claude Lanzmann: Spectres of the Shoah
  • A Girl in the River: The Price of Forgiveness
  • Last Day of Freedom

Melhor Montagem

Melhor Filme Estrangeiro
  • O Abraço da Serpente (Colômbia)
  • Cinco Graças (França)
  • O Filho de Saul (Hungria)
  • Guerra (Dinamarca)
  • Theeb (Jordânia)

Melhor Maquiagem e Penteados
  • Mad Max – Estrada da Fúria
  • The 100-Year-Old Who Climbed Out the Window and Disappeared
  • O Regresso

Melhor Canção Original

Melhor Trilha Sonora
  • Carol
  • Os Oito Odiados
  • Ponte dos Espiões
  • Sicario – Terra de Ninguém
  • Star Wars – O Despertar da Força

Melhor Design de Produção
  • Garota Dinamarquesa
  • Mad Max – Estrada da Fúria
  • Perdido em Marte
  • Ponte dos Espiões
  • O Regresso

Melhor Animação em Curta-Metragem

Melhor Curta-Metragem
  • Ave Maria
  • Day One
  • Everything Will Be Okay
  • Shok
  • Stutterer

Melhor Som
  • Mad Max – Estrada da Fúria
  • Perdido em Marte
  • O Regresso
  • Sicario – Terra de Ninguém
  • Star Wars – O Despertar da Força

Melhor Mixagem de Som
  • Mad Max – Estrada da Fúria
  • Perdido em Marte
  • Ponte dos Espiões
  • O Regresso
  • Star Wars – O Despertar da Força

Melhores Efeitos Visuais
  • Ex Machina
  • Mad Max – Estrada da Fúria
  • Perdido em Marte
  • O Regresso
  • Star Wars – O Despertar da Força

Melhor Roteiro Adaptado
  • Brooklyn
  • Carol
  • A Grande Aposta
  • Perdido em Marte
  • O Quarto de Jack

Melhor Roteiro Original
  • Divertida Mente
  • Ex Machina
  • Ponte dos Espiões
  • Spotlight – Segredos Revelados
  • Straight Outta Compton

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

O Cinema em 2015: Melhores do Ano

Os melhores filmes de 2015 e alguns rankings.

Por Pedro Strazza.

2015 foi um ano de mudanças (ou da tentativa de) no cinema convencional que a grande maioria dos espectadores conhece e frequenta regularmente.

Foi um ano em que o passado voltou com força, recauchutado e pronto para buscar o domínio das bilheterias. Grandes franquias de outrora (Jurassic Park, Star Wars) estouraram mais uma vez na bilheteria, mas muitas outras (Férias Frustradas, Exterminador do Futuro) fracassaram financeiramente por não conseguirem se adaptar à realidade diferente ao qual se propuseram. Ao mesmo tempo, o faroeste e a space opera aos poucos ensaiam um retorno, não à velha forma mas querendo maior espaço na dinâmica de projetos cinematográficos que o que tem nos dias de hoje.

O ano também será marcado pela contestação, principalmente em direção à participação das mulheres nos filmes e no mercado. No mesmo ano em que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas foi amplamente criticada pelo seu ano mais branco e masculino da História, a emancipação de personagens como Imperator Furiosa, Rey e Ilsa Faust comandaram um amplo debate no cinema de ação, questionando em caráter amplo a maneira como o gênero retrata a mulher em suas obras, como foi o caso de Jurassic World e suas alegorias de tom misógino. Por outro lado, também se evidenciou muito na Hollywood dos "sonhos que viram realidade" a participação da mulher no mercado cinematográfico, aonde ainda se impera o homem branco.

Essas são questões que não serão resolvidas na virada do ano, e que devem ser continuadas em 2016 em assuntos como a ausência de uma mulher indicada ao Oscar de Melhor Fotografia em toda a história do prêmio (e que alguns torcem para ser quebrada com a nomeação de Creed - Nascido Para Lutar à categoria) ou o novo filme dos Caça-Fantasma, agora um time composto só por mulheres.

No caso do Melhores do Ano, essas questões se refletem tanto na injustiça quanto na correção históricas. Ainda que o número de filmes protagonizados por mulheres tenha aumentado - dos 25 melhores desse ano, 11 tem protagonistas mulheres e 14 possuem personagens femininas interessantes e relevantes à construção da trama, batendo as 7 e 10 de 2014 - o número de longas dirigidos por mulheres nos 50 primeiros do ranking é de apenas quatro (Jane Pollard, Anna Muylaert, Ava DuVernay e Mia Hansen-Løve), e todo o resto é comandado por homens brancos.

São conceitos a serem repensados para os próximos anos, de forma que proporcione igual espaço para todos os gêneros. 2015 foi, afinal, um ano para isso: repensar.

Dito tudo isso, vamos à lista dos Melhores do Ano. A lista desta vez engloba 25 produções ao invés de seguir o arco crescente do site (13 em 2013, 14 em 2014...), de forma a abranger um maior número de grandes filmes que marcaram o ano que passou. Como em 2014, libero o ranking de filmes completo ao final da contagem, com um extra de doze Top 10, um para cada mês do ano. O critério é simples: se o filme estreou no circuito comercial brasileiro nos últimos 365 dias e eu o assisti, ele entra. Caso contrário, fora.

Também é bom observar que pela primeira vez incluo as revisões de nota em alguns dos filmes presentes no ranking. Como a redação de críticas pede urgência, alguns dos filmes acabam não recebendo o tempo de digestão (aquele período em que o filme permanece na sua cabeça) necessário, e ganham notas mais baixas ou mais altas pela interrupção súbita deste processo. No decorrer do ano, fui fazendo essas revisões, e as produções que por um acaso acabaram com notas diferentes da original estão indicados no ranking com a nota atual e a antiga.

ENFIM, vamos a eles:

25) Perdido em Marte

Ainda que tenha como norte a legitimidade científica do processo de sobrevivência empreendido pelo protagonista, Perdido em Marte é um filme que acima de tudo se beneficia de seu ingênuo lado cômico, incomum aos dramas (ou em alguns casos, terrores) de isolamento ao qual ele se adequa. É por ele que o diretor Ridley Scott - aqui quase no lado oposto ao de seus dois maiores trabalhos, Alien e Blade Runner - consegue estabelecer o resgate ao astronauta perdido em Marte como uma verdadeira ode à sociedade, ao coletivo que pelos esforços conjuntos de inúmeros indivíduos propicia a realização de uma ação que a princípio seria impossível de ser completa.

24) Dívida de Honra

Faroeste revisionista puro, Dívida de Honra é curioso na maneira como aborda a relação da mulher com o gênero. Tão sagaz na direção quanto como ator, Tommy Lee Jones usa da jornada de travessia empreendida por seus protagonistas para questionar constantemente a posição ocupada pelo gênero feminino em tais filmes, ao mesmo tempo que desconstrói o sonho de enriquecimento proporcionado pela viagem ao oeste daqueles tempos. Jones, porém, realiza esse processo com sobriedade: seu filme não busca revolucionar tais relações, mas somente de constatá-las com um quê de tristeza na voz.

23) Cássia Eller

Dos retratos documentais lançados em 2015, o voltado para a cantora Cássia Eller foi um dos que melhor funcionou na proposta. Não apenas por fazer o ato de reverência à intérprete de tantos sucessos como Malandragem e O Segundo Sol, o filme de Paulo Henrique Fontenelle se destaca de outros por ir além do ídolo em pauta e analisar o ser humano por trás desta, sem contudo esquecer de tentar desvendar o porquê do objeto de estudo ser tão querido por amigos, familiares e fãs. Cássia Eller é um triunfo no que diz respeito à emoção e objetividade, respeitoso e ao mesmo tempo brutal.

22) Dois Dias, Uma Noite

Guiado basicamente pela atuação de Marion Cotillard, o mais recente filme dos Dardenne é simples mas ao mesmo tempo bem elaborado. Pelas viagens da personagem principal às casas de seus colegas de trabalho para salvar seu emprego, o longa consegue ser bem sucedido tanto na contextualização dos reflexos da economia na sociedade como no arco de superação da protagonista, ao qual Cotillard maneja com brilho. E pelas tremedeiras e surtos de depressão de uma mulher frágil, Dois Dias, Uma Noite sai do simples e atinge o complexo.

21) Nick Cave - 20.000 Dias na Terra

É um tanto inesperado que, em um documentário sobre um músico, o próprio adote a câmera e a não use para amaciar seu ego. Abandonando por completo o ato de reverência, 20.000 Dias na Terra parte de uma crise individual do protagonista, e funciona por não esquecer de levar o espectador para dentro deste. As reflexões e saudosismos de Nick Cave, que poderiam soar como puro egotrip depressivo, se conectam e formam um panorama de aflições e inquietações fascinante, cujas dores tem um fundo de universal capaz de tocar qualquer tipo de espectador.

20) Phoenix

Se torna cada vez mais difícil de se realizar um grande filme sobre os efeitos da Segunda Guerra na sociedade, mas o alemão Phoenix prova que isso ainda é possível de se fazer. O filme, que segue uma desfigurada sobrevivente do Holocausto que, irreconhecível após uma cirugia plástica no rosto, sai em busca do marido suspeito de entregá-la aos nazistas, faz o caminho da busca pela identidade com sofisticação, criando o melhor retrato possível da combalida Alemanha e dos judeus no pós-guerra. Mas é no final que o longa, ancorado por uma atuação sublime de Nina Hoss, alcança sua potência máxima, em um clímax capaz de estraçalhar a alma em milhões de pedaços com um verdadeiro golpe de marreta.

E me perdoem os maus modos, mas puta que pariu Speak Low. Puta que pariu.

19) Corações de Ferro

Ainda no assunto de Segunda Guerra (mas agora voltado para o conflito em si), quem sabe muito bem conciliar ação com gênero e temática é o Corações de Ferro de David Ayer. O faroeste de guerra exercido pelo diretor aqui, em um filme sobre uma equipe de soldados responsável por um dos tanques estadunidenses, é visceral ao extremo, capaz de evidenciar os danos causados pelo conflito bélico no ser humano seja por suas movimentadas cenas de guerra ou em seus momentos mais parados, como na passagem do grupo por uma das casas de inocentes alemães. E conforme o público e o personagem de Logan Lerman adentram esse mundo, é inevitável que tal loucura tome nosso âmago de assalto e nos destrua por completo.

18) Mia Madre

Qualquer tipo de obra - cinematográfica ou não - que se disponha a analisar a temática da morte tende a levar o assunto como algo pesado, inevitável e parte de seu ser, num exercício de reflexão que geralmente acaba na egotrip. No caso de Mia Madre, essa noção é invertida. O italiano Nanni Moretti (que também atua no filme) conduz a história de uma diretora à beira de perder a mãe com sensibilidade, mais interessado nos efeitos de inevitável evento na vida da protagonista que nas considerações dela com seu próprio falecimento. Episódios como a da casa inundada e da carta desaparecida dão força à espiral de esgotamento apresentado, mas é no final "agridoce" que Moretti comprova a beleza de sua lógica.

17) Whiplash - Em Busca da Perfeição

No fundo um gigantesco exercício de narrativa e triunfo máximo de montagem, Whiplash instiga pelo ritmo quase frenético ao qual se rodeia. Com dois picos facilmente reconhecíveis pelo exalar automático que grande parte do público faz em seus finais súbitos, a estreia de Damien Chazelle em longa-metragens ainda conta com duas intensas atuações dos protagonistas Miles Teller e J.K. Simmons, que traduzem o monstruoso ritmo da obra em atuações extrovertidas ao extremo. Tudo pronto para explodir no clímax do terceiro ato, claro, que realiza essa entrega com satisfação notável.

16) Acima das Nuvens

A princípio parecendo estruturar-se como filme metalinguístico, Acima das Nuvens logo se transforma em uma das reflexões mais intrigantes sobre a passagem do tempo. A relação da personagem interpretada por Juliette Binoche com os papéis de uma peça e sua assistente (trabalhada maravilhosamente por Kristen Stewart) evocam uma sensação de impotência perante às forças maiores da vida como a natureza ou o tempo, que aqui soam suaves em sua implacabilidade. Não chega a ser um clichê, mas o fato do esquecimento ser o maior dos medos do ser humano é tratado pelo diretor Olivier Assayas com o tom desilusivo apropriado.

15) Star Wars - O Despertar da Força

Cercado de mistério e talvez da maior expectativa dos últimos vinte anos, o retorno de Star Wars às telonas cumpriu com seus objetivos de satisfazer a grande maioria de seus fãs de diversas gerações. A fórmula foi simples, mas ao mesmo tempo um grande reflexo da erupção nostálgica proporcionada por 2015: refazer o filme escapista que tornou clássico o primeiro capítulo da saga e atualizá-la ao panorama atual, sem contudo tornar isso uma missão. O resultado são sets de ação bem montados por J.J. Abrams e potencializados pelo retorno de personagens queridos do público sem ter medo de apresentar novos, capazes de tomar as rédeas da franquia e continuar o legado de entretenimento com compromisso que tornou célebre a marca.

14) O Ano Mais Violento

A fotografia com quê de Edward Hopper e que denota violência pelas beiradas já dá a dica do que o espectador irá encarar em O Ano Mais Violento. O retrato de uma máfia em franca decadência, guiado por grandes atuações de Oscar Isaac e Jessica Chastain, ressalta a solidão de nossas relações de maneira despercebida, não permitindo que esta ocupe a centralidade do palco nas dificuldades passadas pelo protagonista. E isso acaba por trabalhar a favor do longa, que apostando numa tensão que levemente se acentua para gerar expectativa em cima do fim de uma era - seja este gênero cinematográfico ou período histórico.

13) Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)

Existe um egocentrismo em Birdman? Sim, e não é pouco. Mas mesmo assim o vencedor do Oscar 2015 de Melhor Filme não deixa de ser interessante no retrato que faz do time mais conservador de Hollywood, incapaz de adotar os novos tempos e preferindo aqueles em que o teatro era o berço de promissores atores talentosos e o circuito comercial era símbolo de uma morte horrível. O filme de Alejandro González Iñarritu ainda se beneficia de um bem elaborado falso plano-sequência eterno e o trabalho formidável de Michael Keaton, oportunos em reforçar suas ambições mesquinhas em direção à indústria do cinema e do entretenimento. Está implícito na linha de diálogo de Macbeth mencionada por um mendigo: "Amanhã, e o amanhã, e o amanhã...".

12) A Pele de Vênus

É curioso (e divertido) ver como o polonês Roman Polanski usa de seu lado mais obscuro para produzir obras extremamente punitivas a esse seu eu. No excelente A Pele de Vênus, por exemplo, o cineasta realiza um questionamento relevante da relação machista entre autor e musa, mostrando culpabilidade em tal relação sem monopolizar as atenções. A dança final da personagem interpretada por sua esposa Emmanuelle Seigner, em torno do interpretado por Mathieu Amalric preso a um símbolo fálico, é desde já um dos grandes momentos do cinema na década de 2010.

11) Foxcatcher - Uma História que Chocou o Mundo

Contando com uma atuação de primeira categoria de Steve Carell, Foxcatcher usa da trajetória do milionário John du Pont e os lutadores greco-romanos Mark e Dave Schultz para fazer uma análise verdadeira e dura da realidade estadunidense. Em ascensão na carreira de diretor, Bennett Miller cria uma atmosfera pesada, que reflete o estado de decomposição do sonho americano pelas mãos da iniciativa privada. Não há heróis na narrativa, e a tal história que chocou o mundo é mera contestação desta problemática.

10) A Terra e a Sombra

Longa de estreia na direção do colombiano César Augusto Azevedo, o mais recente vencedor da Câmera de Ouro do Festival de Cannes é um panorama fundamental sobre a economia primária dos países latino-americanos, e mostra com eficácia os efeitos danosos da passagem da agricultura familiar para o agronegócio. O brilhante de A Terra e a Sombra, porém, é que ele não se entrega inteiramente a essa análise, mas usa dela para situar uma trama de relações familiares desgastadas e muito bem executada, que se aproveita do ambiente opressivo para desenhar conflitos subliminares que em nenhum momento soam pretensiosos. Sem contar, claro, o premiado trabalho de fotografia de Mateo Guzmán, que consegue captar toda essa dinâmica complexa em planos simples e de impacto.

9) Um Amor em Cada Esquina

Se em A Pele de Vênus a relação entre autor e musa era visto em tom de condenação, Um Amor em Cada Esquina realiza esse caminho de desconstrução pelo humor. Com o tom típico das comédias de Woody Allen, o diretor Peter Bogdanovich expõe o ridículo dessa conexão com primor, em cenas que atingem o absurdo sem perder o riso - e a cena no restaurante é um ápice delicioso deste processo. A melhor parte é que além do elenco estrelado e bem direcionado o cineasta ainda conta com o trabalho soberbo de Imogen Poots, cuja interpretação da protagonista prostituta que vira atriz dá vida à produção e suas boas intenções.

8) Ponte dos Espiões

Depois de duas tentativas desequilibradas, Steven Spielberg finalmente conseguiu fazer um filme aos moldes do cinema estadunidense clássico que se adequasse a seus próprios trejeitos. Com influências claras dos longas de Frank Capra, Ponte dos Espiões é um thriller com toques de humor refinado que se dispõe a analisar mais uma vez o espírito do herói americano, em um jogo de comparações bastante ressaltado na fotografia de Janusz Kaminski. Com Tom Hanks e Mark Rylance afiados, o roteiro de Joel e Ethan Coen chega a picos sem deixar o ritmo cair, e o longa concebe sua mensagem com a eficácia necessária.

7) Vício Inerente

Exclusivamente pautado na narrativa desconexa, a mais nova obra-prima de Paul Thomas Anderson comprova como é possível entregar grandes filmes oriundos de tal planejamento. A investigação conduzida pelo protagonista entregue às viagens alucinógenas de drogas é o ponto de partida para Vício Inerente abraçar a loucura e levar o espectador junto de si, sem medo de que este acabe entendendo absolutamente nada do que acontece em cena. A jornada enlouquecedora propiciada ao público a partir daí, pautada na realidade mas com leves toques de surrealidade, torna o longa numa dessas experiências difíceis de serem repetidas nos próximos anos.

6) A Visita

Talvez o primeiro filme a trazer um verdadeiro respiro de originalidade ao found footage desde a chegada do primeiro Atividade Paranormal, A Visita realiza uma das - senão a - mais bem sucedidas misturas entre gêneros cinematográficos opostos. O longa dirigido por M. Night Shyamalan  tem habilidade em elaborar todo o seu terror a partir da comédia, com pinceladas metalinguísticas que realizam comentários ácidos sobre o subgênero sem se intrometer demais na narrativa. E com a já previsível virada de roteiro dos filmes de Shyamalan acontecendo, o longa demonstra seu valor em um clímax de terceiro ato poderoso e aterrador por essência.

5) Um Pombo Pousou Num Galho Refletindo Sobre a Existência

Conjunto de esquetes elaborados em cenários geométricos, Um Pombo Pousou Num Galho Refletindo Sobre a Existência é fascinante na maneira como tira humanidade de um mundo frio povoado por pessoas frias. Interessado em questões humanas e filosóficas, o sueco Roy Andersson é capaz de fazer rir e meditar com as mais diversas situações, que vão da simples morte de um homem por fazer força pra abrir uma garrafa à complexa e gloriosa marcha de um exército que ruma triunfante à guerra - somente para retornar destruída. É o tipo de profundidade filosófica que para muitos deve soar pretensiosa, mas a outros ela evoca o choque e a contemplação, culminantes na antológica cena de um gigantesco instrumento musical que é alimentado por seres humanos para gerar um belíssimo som.

4) Missão: Impossível - Nação Secreta

O quinto capítulo da série Missão: Impossível foi um dos poucos filmes de grande orçamento de 2015 a conseguir equilibrar tão bem o seu lado lúdico e teórico. Ao mesmo tempo que preenche o longa com sets de ação inventivos e de sublime execução (e sem medo de pertencerem ao gênero, como certos agentes britânicos), o diretor e roteirista Christopher McQuarrie realiza um dos mais curiosos estudos sobre a relação do indivíduo com o mundo globalizado, ágil em seu desenvolvimento e capaz de costurar os personagens e situações com esmero. Não bastasse isso, Nação Secreta também se beneficia da dedicação de Tom Cruise, seu ator principal que não tem medo de abraçar e literalmente mergulhar na ação.

3) Magic Mike XXL

Quem poderia prever que essa sequência seria tão superior ao original? Despido dos moralismos e vieses condenatórios do longa dirigido por Steven Soderbergh, Magic Mike XXL adota o road movie para realizar uma das melhores celebrações à vida, à juventude e ao corpo dos últimos anos, sem os pudores de tantas outras produções destinadas a tais objetivos. A jornada dos strippers masculinos a um festival de stripping, em uma típica história de último trabalho, também é feliz na maneira como explora nos ambientes o seu inacreditável viés feminista, tratando o gênero feminino com louros independente da idade, cor e personalidade. Belo, ágil, divertido e, quem diria, incrível.

2) Mad Max - Estrada da Fúria

Frenético do começo ao fim, a volta por tanto tempo anunciada de Mad Max implodiu 2015 como um de seus kamicrazy se sacrifica para explodir um carro. Novamente no comando, George Miller mostra mais uma vez porque é um mestre com Estrada da Fúria, que além de ser uma alucinada aula de cinema também se comporta maravilhosamente bem como obra feminista. Trabalhada com brilho por Charlize Theron, Imperator Furiosa e as esposas de Immortan Joe lutam para sobreviver não apenas em um mundo pós-apocalíptico, mas também machista e misógino, algo que nos aproxima desse deserto poeirento e aniquilador. Acima de tudo, o quarto capítulo da série revoluciona um gênero inteiro, seja em seus aspectos formais ou teóricos, e faz uma contribuição importante a uma luta sem data para terminar.

Mas o melhor filme de 2015 é...

1) Divertida Mente

Com todos os tiques e estruturas conhecidas dos filmes da Pixar, Divertida Mente é um filme que por emoções antropomorfizadas preza pelo emocional com uma sensibilidade quase impossível de ser atingida. A bem da verdade, não existem palavras que descrevam o cuidado dos diretores Peter Docter e Ronnie Del Carmen ao tratar as relações entre Alegria e Tristeza ou de Alegria com a menina Riley, que atingem ápices tão poderosos e contundentes. Para tornar toda essa construção mais bem elaborada, Divertida Mente intercala essas estruturas com criatividade e humor formidável, e ainda inclui um ótimo terceiro arco na figura do amigo imaginário Bing Bong.

Mas é no relacionamento de Alegria com Riley que o filme me quebrou, me quebra e me quebrará emocionalmente nos próximos anos, em uma única linha de diálogo que só de lembrar já é capaz de me fazer ir às lágrimas mesmo após ter passado meses desde que fui ao cinema assisti-lo.

"Eu só queria que Riley fosse feliz."

Rankings

Por mês:
E a versão final do Ranking 2015 de Cinema:
  1. Divertida Mente (10/10)
  2. Mad Max - Estrada da Fúria
  3. Magic Mike XXL [9/10 antes de revisão]
  4. Missão: Impossível - Nação Secreta
  5. Um Pombo Pousou Num Galho Refletindo Sobre a Existência
  6. A Visita
  7. Vício Inerente
  8. Ponte dos Espiões (9/10)
  9. Um Amor em Cada Esquina
  10. A Terra e a Sombra
  11. Foxcatcher - Uma História que Chocou o Mundo
  12. A Pele de Vênus
  13. Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) [10/10 antes de revisão]
  14. O Ano Mais Violento
  15. Star Wars - O Despertar da Força (8/10)
  16. Acima das Nuvens
  17. Whiplash - Em Busca da Perfeição
  18. Mia Madre
  19. Corações de Ferro
  20. Phoenix [7/10 antes da revisão]
  21. Nick Cave - 20.000 Dias na Terra
  22. Dois Dias, Uma Noite
  23. Cássia Eller
  24. Dívida de Honra
  25. Perdido em Marte
  26. Que Horas Ela Volta?
  27. Homem-Formiga
  28. Mistress America
  29. Chatô - O Rei do Brasil
  30. Férias Frustradas
  31. Últimas Conversas
  32. Sniper Americano
  33. Vingadores - A Era de Ultron [10/10 antes de revisão]
  34. Tomorrowland - Um Lugar Onde Nada É Impossível
  35. Cala a Boca, Philip
  36. Timbuktu
  37. A Espiã que Sabia de Menos (7/10)
  38. Noite Sem Fim
  39. O Presente
  40. Para o Outro Lado
  41. O Amor é Estranho
  42. Selma - Uma Luta Pela Igualdade
  43. Bob Esponja - Um Herói Fora D'Água
  44. Lugares Escuros
  45. Adeus à Linguagem
  46. A Travessia
  47. Corrente do Mal
  48. Jurassic World - O Mundo dos Dinossauros [8/10 antes de revisão]
  49. Eden
  50. O Conto da Princesa Kaguya
  51. Winter Sleep/Sono de Inverno
  52. Expresso do Amanhã
  53. Kingsman - Serviço Secreto
  54. Velozes e Furiosos 7
  55. Cinderela
  56. A Estrada 47
  57. Força Maior
  58. A Forca
  59. Sicario - Terra de Ninguém
  60. A Teoria do Tudo
  61. Victor Frankenstein
  62. Leviatã
  63. Uma Noite no Museu 3 - O Segredo da Tumba
  64. Frank (6/10)
  65. Entre Abelhas
  66. Casadentro
  67. A Colina Escarlate
  68. O Destino de Júpiter
  69. Peter Pan
  70. Nocaute
  71. A Escolha Perfeita 2
  72. Mapa Para as Estrelas
  73. Jia Zhangke, Um Homem de Fenyang
  74. Grandes Olhos
  75. Minúsculos
  76. Sangue Azul
  77. Pasolini
  78. The DUFF
  79. Taxi Teerã
  80. Obra
  81. 118 Dias
  82. O Olmo e a Gaivota
  83. Shaun - O Carneiro
  84. Cake - Uma Razão Para Viver
  85. Poltergeist - O Fenômeno
  86. Dheepan - O Refúgio
  87. Ricki and the Flash - De Volta pra Casa
  88. Enquanto Somos Jovens
  89. Os Dois Lados do Amor
  90. O Sal da Terra
  91. O Jogo da Imitação
  92. Terremoto - A Falha de San Andreas
  93. O Agente da U.N.C.L.E. (5/10)
  94. Um Santo Vizinho
  95. Homem Irracional
  96. Exorcistas do Vaticano
  97. Golpe Duplo
  98. Garota Sombria Caminha Pela Noite
  99. Califórnia
  100. Atividade Paranormal - Dimensão Fantasma
  101. Chappie
  102. Macbeth - Ambição e Guerra
  103. A Possessão do Mal
  104. Casa Grande
  105. Como Sobreviver a um Ataque Zumbi
  106. Cidades de Papel
  107. Sob o Mesmo Céu
  108. Respire
  109. A Entrevista
  110. O Último Ato
  111. Para Sempre Alice
  112. No Coração do Mar
  113. O Clube
  114. Minions
  115. Evereste
  116. Belas e Perseguidas
  117. 45 Anos
  118. Aliança do Crime
  119. Sem Direito a Resgate
  120. Rainha e País
  121. Os Pinguins de Madagascar
  122. A Série Divergente: Insurgente
  123. 007 Contra Spectre (4/10)
  124. Livre
  125. Victoria
  126. De Cabeça Erguida
  127. Quarteto Fantástico
  128. American Ultra - Armados e Alucinados
  129. Ted 2
  130. As Sufragistas
  131. Segunda Chance
  132. Jogos Vorazes - A Esperança - O Final
  133. A Incrível História de Adaline
  134. Pássaro Branco na Nevasca
  135. A Mulher de Preto 2 - Anjo da Morte
  136. Chico - Artista Brasileiro
  137. A Dama Dourada
  138. Jessabelle - O Passado Nunca Morre
  139. Um Senhor Estagiário
  140. Pixels
  141. O Exótico Hotel Marigold 2
  142. Invencível
  143. Não Olhe Para Trás
  144. Sr. Kaplan
  145. Trocando os Pés
  146. O Pequeno Príncipe (3/10)
  147. Love
  148. Promessas de Guerra
  149. Pegando Fogo
  150. Crimes Ocultos
  151. Miss Julie
  152. O Exterminador do Futuro - Gênesis
  153. Caminho da Floresta
  154. A Entidade 2 (2/10)
  155. À Beira Mar
  156. A Casa dos Mortos
  157. Duas Irmãs, Uma Paixão
  158. Cinquenta Tons de Cinza (1/10)
  159. Mortdecai - A Arte da Trapaça

Veja também!