Han Solo - Uma História Star Wars

Leia a nossa crítica do mais novo derivado da saga!

Deadpool 2

Continuação tenta manter a subversão do original enquanto se rende às convenções hollywoodianas

Desejo de Matar

Eli Roth aterroriza ação do remake e não deixa os temas caírem na ingenuidade

Nos Cinemas #1

Nossos comentários sobre O Dia Depois, Submersão e Com Amor, Simon

Jogador N° 1

Spielberg faz seu comentário sobre o próprio legado em Hollywood sem esquecer do espetáculo no processo

Mostrando postagens com marcador Idris Elba. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Idris Elba. Mostrar todas as postagens

sábado, 2 de julho de 2016

Crítica: Procurando Dory

Continuação não arrisca e repete história original.

Por Pedro Strazza.

A moral familiar sempre esteve presente em algum nível nas produções da Pixar. Desde o início com Toy Story e Vida de Inseto, o estúdio não esconde que seus filmes, cuja inventividade na contextualização de suas histórias constituem em seu principal atrativo, tem na desagregação seu ponto de partida e na união familiar o seu final feliz, seja por um brinquedo que teme o abandono e termina unido ao motivo de tal anseio ou na formiga que precisa sair de casa e enfrentar o mundo para salvar a colônia que o repele. Essa é a estrutura tradicional de suas obras, em parte uma das grandes responsáveis pelo seu sucesso e consagração com o público.

Em tempos recentes, porém, tal lógica criativa parece desarrumada, afetando sensivelmente o balanço de suas produções mais novas. Talvez à exceção de Divertida Mente (que tem muito a agradecer ao maior aprofundamento psicológico de seus realizadores na trama), os últimos seis filmes do estúdio soam perdidos entre anseios do mercado (Carros 2, Universidade Monstros) e um esgotamento sensível da moral, posta em primeiro e único plano no roteiro de trabalhos como Valente, O Bom Dinossauro e agora de Procurando Dory.

É Procurando Dory inclusive que melhor representa esse momento atual da Pixar ao proporcionar nas telas o casamento das duas causas para seus problemas. Ao mesmo tempo que cumpre com metas econômicas (é uma sequência pedida pelo público há quase 13 anos!), a continuação de Procurando Nemo também prossegue o rumo criativo atual da produtora ao fazer de novo da unidade familiar o motor que avance sua trama - dessa vez, na literal busca por ela.

Passado um ano depois dos eventos do original, o longa escrito por Andrew Stanton, Victoria Strouse e Bob Peterson centraliza suas atenções na antes coadjuvante Dory (Ellen DeGeneres), a adorável e esquecida peixe que agora busca reencontrar seus pais. Ainda que inverta o protagonismo do trio principal - Nemo (Hayden Rolence) e Marlin (Albert Brooks) é que estão atrás da cirurgiã-paleta -, faça flashbacks e envolva um grupo completamente diferente de personagens e espaços, a história da sequência repete no fundo a mesma estrutura do filme de 2003, buscando proporcionar o maior conforto possível ao espectador fã da franquia.

A estratégia segue com o padrão atual das continuações de obras mais velhas, dessa vez com ainda menos espaço para arriscar: Dory, Nemo e Marlin não sofrem alterações substanciais na jornada que seguem, e tampouco parecem aprender alguma grande lição no processo. Essa decisão pelo familiar na narrativa, auxiliada pelo maior interesse do diretor Stanton em destacar a recriação em animação dos cenários marinhos e do aquário (que por sua vez não encantam tanto quanto os de O Bom Dinossauro), seda e restringe a produção de grandes emoções que não seja a nostalgia.

Cabe então aos coadjuvantes exercer as funções vitais do roteiro, carregando com dificuldades o peso de uma responsabilidade ao qual não lhes deveria pertencer. Não à toa, portanto, que o polvo Hank (Ed O'Neill, ator conhecido pelos papéis de patriarca na televisão) ocupe na história uma centralidade inesperada ao ter o desenvolvimento mais claro na narrativa - justamente o arco de socialização, clássico em filmes sobre família - e alívios cômicos como a baleia-branca Bailey (Ty Burrell), a tubarão baleia Destiny (Kaitlin Olson) e as focas Fluke (Idris Elba) e Rudder (Dominic West) acabem atraindo maior atenção que o normal. Mesmo o clímax, que atinge o ápice na queda abstrata de um caminhão no mar, se faz por elementos secundários e como Stanton os usa para criar humor.

Essas medidas funcionam de certa forma para reparar parte dos problemas, até porque as novidades bastam com seu caráter de inédito ao espectador. Elas não impedem, porém, que Procurando Dory se torne em uma experiência superficial e controlada: é agradável rever personagens e situações familiares, mas tão logo termine o filme estas se dissolvem tão rápido na memória quanto comida de peixe em um aquário - um espaço que não por acaso é cenário da continuação.

Nota: 6/10

domingo, 17 de abril de 2016

Crítica: Mogli - O Menino Lobo

Nova adaptação materializa o deslumbramento dos contos infantis pelo CGI.

Por Pedro Strazza.

Apesar de ambos os filmes possuírem o mesmo nome e serem baseados nos cenários e personagens dos livros de Rudyard Kipling, as duas versões de Mogli - O Menino Lobo são bastante opostas no tratamento dado às histórias do garoto criado na floresta. O longa de 1967, último produzido por Walt Disney antes de morrer e lançado durante a retomada dos grandes musicais em Hollywood, forçava para dentro do conto infantil os maneirismos estabelecidos pelo fundador da empresa sem contudo alinhá-los com a jornada do protagonista, o que no fim tornava o filme em um verdadeiro pot-pourri desvairado e sem linha de condução mínima. 

Já a nova adaptação, comandada por Jon Favreau e parte da estratégia da Disney de refazer suas agora clássicas animações infantis em formato live-action, tem que encontrar um equilíbrio difícil, que permita-o se desvencilhar da obra anterior (e consagrada no imaginário do público) e ao mesmo tempo não chegue ao extremo de negar essa relação de nostalgia. O que Favreau e o roteirista Justin Marks fazem, então, é executar de cabo a rabo a jornada de Mogli na dimensão do conto infantil ao qual ela pertence, proposta por Kipling em seus livros e carregada a contragosto na produção de 67. E, no fundo, essa decisão prova-se ser a mais acertada.

Porque mesmo que esteja preso a uma atemporalidade de pouco peso, o estabelecimento prioritário de uma narrativa mais juvenil é extremamente benéfico a este novo Mogli, que já sai ganhando da animação pelo simples motivo de possuir tal estrutura. Mistura de CGI e live-action (representado na figura do ator Neel Sethi como o pequeno protagonista), o filme tem no arco vivido pelo menino lobo e sua relação com o mundo o seu maior diferencial, separando-o inclusive de outras recentes tentativas do estúdio de mais uma vez levar os contos clássicos às telonas, como Cinderela e Malévola.

É um esforço que fica claro desde o início, quando o longa precisam introduzir seus personagens e o conflito inicial. Se na animação de 67 a importância e o perigo que Mogli representava para os membros da floresta era jogada de qualquer jeito no roteiro, muito mais preocupado em como conectar todos os pontos de sua história, aqui ela é feita em caráter progressivo, revelada pelos animais apresentados de forma a envolvê-los na busca pelo garoto. Essa busca, vale acrescentar, ganha contornos interessantes nas mãos de Marks, que esboça transformar a imensa floresta que serve de palco aos eventos em uma espécie de briga de territórios entre os vários predadores presentes nela, incluindo aí o vilanesco tigre Shere Khan (Idris Elba) e a alcateia de Akela (Giancarlo Esposito).

Outro ponto forte desta adaptação é a maneira como trabalha esta selva em questão. Os cenários e principalmente os animais são trabalhados por Favreau com uma exuberância encantadora, de forma a materializar o porquê de Mogli querer tanto permanecer na floresta e no processo deslumbrar o público com seu fotorrealismo imponente, que ganha força no elenco de vozes marcantes composto por nomes como Christopher Walken, Ben Kingsley, Scarlett Johansson e Bill Murray.

Essa combinação de maravilhamento e convenção, por mais simples que seja, é o que torna Mogli - O Menino Lobo tão agradável aos olhos e ouvidos. Conto infantil sincero, o filme mostra-se ciente deste perfil e preocupado em materializar tal dimensão na tela, alinhando o amadurecimento inerente do protagonista à própria descoberta do mundo ao qual habita. E isso, de certa maneira, é o que torna os clássicos infantis tão memoráveis.

Nota: 8/10