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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Crítica: Whiplash - Em Busca da Perfeição

Damien Chazelle questiona ensino e obsessão a partir do mundo do jazz.

Por Pedro Strazza.

Com diferentes níveis de intensidade no ser humano, "ser o melhor" é uma necessidade inexplicável. Destacar-se dos outros pelos próprios méritos, afinal, parte basicamente da mesquinharia de nosso ego, que presume seu indivíduo como algo diferenciado, superior àqueles que o cercam por causa de habilidades ou de um intelecto supostamente únicos e insubstituíveis. Para alcançar o topo, porém, se faz necessário não um "dom" ou uma "dádiva dos deuses", mas sim a prática e a disciplina, que combatem com todas as forças o problemático orgulho de nossos "Eu"s.

Mas o exercício regular também pode ser tão danoso quanto a soberba, e o diretor e roteirista Damien Chazelle busca mostrar este caminho em Whiplash - Em Busca da Perfeição, seu segundo trabalho na direção. O filme acompanha Andrew (Milles Teller), um jovem baterista que, estudante do principal conservatório do país, sonha em ser um dos maiores músicos de jazz da História. Para isso, ele com muito esforço consegue lugar na banda comandada pelo mítico maestro Fletcher (J.K. Simmons), responsável por criar grandes profissionais do ramo em suas aulas. Em menos de uma aula, entretanto, Andrew percebe da pior forma possível que o professor usa de métodos nada corretos para ensinar, e após seguidas humilhações ele entra em um ciclo auto-destrutivo de aprendizado para alcançar seus objetivos.

Desse momento em diante, a relação tumultuosa que se desenvolve entre mestre e aluno é filmada por Chazelle com tons de exagero. Dos cortes rápidos que destacam o uso dos instrumentos pelos músicos aos closes nervosos de câmera no rosto dos personagens, o diretor aos poucos concebe no ambiente uma espécie de campo de batalha musical, onde seus dois protagonistas batalham por diferentes motivos: Enquanto Andrew busca uma inalcançável aprovação de seu professor, Fletcher procura a todo custo levar ao limite seu aluno para tirar dele a genialidade vista somente em mestres como Charlie Parker ou Louis Armstrong. E conforme a trama avança, fica claro que essa disputa sem pé nem cabeça exercida pelos dois os levará à lugar nenhum...

[A partir daqui há leves SPOILERS sobre o filme. Leia por sua própria conta e risco.]

... Ou será que não? Ao final, o grande tema de Whiplash de fato é o do limite em que a prática faz bem ao estudante, e o longa oferece caminhos para as duas respostas possíveis. Se por um lado a metodologia de Fletcher acaba com a vida de Andrew e de outros alunos ao forçá-los a se dedicar exclusivamente à música, ela também parece ser a única capaz de transformar bons profissionais em excepcionais músicos e possíveis lendas, e seus pupilos reconhecem isso - e seria muito estranho se não reconhecessem, dado as torturas aos quais se submetem. Como bem afirma o maestro em determinado ponto, parece não haver palavras mais danosas ao trabalho de um músico que "bom trabalho", pois elas o inibem de se esforçar a ser melhor.

Questionamentos à parte, é interessante perceber como o filme evita facilidades e constrói seus personagens principais com profundidade. Enquanto Teller cria um Andrew que mesmo sendo o herói da narrativa possui um perfil social fragmentado e uma arrogância nada sutil - capaz até de terminar um relacionamento antes de seu início para poder se dedicar seus objetivos -, J.K. Simmons é feliz ao transformar seu Fletcher em um monstro feroz com leves toques de humanidade, importantes para tanto conferirem ao antagonista uma leve esfericidade não existente a outros tiranos do cinema (o Sargento Hartman de Nascido Para Matar ou até o J.J. Jameson interpretado pelo próprio Simmons na trilogia Homem-Aranha, por exemplo) quanto darem dúvidas ao espectador sobre suas reais intenções.

Prejudicado um pouco pelo mal uso de seus coadjuvantes (passam desapercebidos os companheiros de banda e o interesse romântico de Andrew, por exemplo), Whiplash - Em Busca da Perfeição é um retrato interessante e bem montado da obsessão que nos toma quando queremos ser aquele "algo a mais", e evidencia com propriedade a questão do ensino e seus objetivos. Chazelle realiza um ótimo trabalho na direção, e não há prova maior disso que o explosivo encerramento, capaz de refletir todos os temas do filme com pouquíssimas palavras.

Nota: 8/10

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quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Homem-Formiga e o teaser que... né

Faltou o algo a mais na primeira prévia da nova aposta da Marvel Studios - e isso não é bom.

Por Pedro Strazza.

Vamos começar pelo básico: Sim, o Homem-Formiga é um herói pra lá de ridículo e, pior, aleatório no Universo Marvel. Apesar de ter sido um dos membros-fundadores dos Vingadores e ter criado um tal de Ultron, o encapuzado capaz de diminuir de tamanho nunca foi um personagem de real destaque nos quadrinhos, sendo incapaz até de possuir um arco de histórias fundamentais para sua trajetória - se quiser conhecer sua trajetória, é necessário pesquisar nas Wikipedia da vida. A dispensabilidade do herói criado por Stan Lee e comparsas é tanta que hoje em dia ele possui nos gibis não um, nem dois, mas três alter-egos distintos, cada com um perfil totalmente diferente do outro.
Isso posto, é bizarro perceber que a Marvel Studios tem planos para um filme do Homem-Formiga desde 2006, uma época onde nem o primeiro Homem de Ferro tinha sido sequer lançado. Mesmo sendo um personagem pequeno (entenda como quiser), a editora apostou desde o início em uma produção centrada no herói, e aos poucos trouxe para a produção nomes como Michael Douglas, Paul Rudd e Evangeline Lilly. E o resultado deste processo culminará agora, quase dez anos depois, quando o longa chega às telonas em julho de 2015.
Esse agora, porém, está ainda longe de chegar, e a Marvel sabe muito disso. Assim como feito com os Guardiões da Galáxia, o estúdio tem nos próximos meses a tarefa de chamar a atenção do grande público para o filme, algo complicado se pensarmos que o protagonista tem o mesmo respeito que o Aquaman (coitado, esse também vai sofrer altas aventuras). E a divulgação começou muito bem essa caminhada, ressaltando de forma bem-humorada no pôster e na chamada para o teaser a sua principal - e infame - habilidade: diminuir seu tamanho para a altura de uma formiga.
Falando sério, essa arte é uma bela sacada
Toda essa preparação inicial da publicidade de Homem-Formiga culminou em seu primeiro trailer, um momento em que a Marvel Studios, como provado em Capitão América 2, Vingadores 2 e Guardiões, sabe muito bem como lidar. Divulgado sob muita expectativa após a exibição dos dois primeiros episódios de Agent Carter, o teaser conseguiu deixar ao seu fim uma sensação estranha de... indiferença.
Não que a primeira prévia do filme seja ruim - pelo contrário, ela é boa e funciona bem. O problema é que ele simplesmente não empolga. Em um momento onde deveria ter se criado uma base de expectativa fundamental para a produção, a Marvel entregou uma peça publicitária genérica, que em alguns momentos lembra até um pouco do começo da retomada super-heroica no cinema, ocorrida no começo da década de 2000 e que contou com filmes como Motoqueiro Fantasma (ugh) e Elektra (argh). Faltou ali um diferencial com maior destaque, como o visual mais sóbrio no trailer inaugural de Capitão América 2 ou o show de cores e bizarrices na de Guardiões.
Na verdade, existe sim este fator na prévia, mas está bastante escondida: o humor sobre o ridículo da situação. Nos dois momentos em que é fala, o protagonista Scott Lang (Rudd) cria riso através de sua ingenuidade sobre a "importância do traje do Homem-Formiga" que Hank Pym (Douglas) lhe conta. A comédia da patética situação, entretanto, é ocultada pelo próprio tom sombrio do mentor, aplicado em excesso aqui.
Enquanto isso, o trailer apresenta pequenas (heh) informações interessantes acerca do filme, como o lugar onde se situa a trama - San Francisco será um local interessante para a ação - e os cortes de cabelo (e bigode) de Pym e de sua filha Hope Van Dyne (Lilly). O destaque, porém, ficou para o traje de partículas Pym (sabe, aquela que possibilita o encolhimento), que, praticamente idêntico ao visto nas filmagens exibidas na Comic-Con - e vazadas para a internet logo em seguida -, traz uma identidade visual suave e marcante ao herói, perfeita para que não precisemos nos questionar sobre a veracidade da ciência e dos eventos mostrados.
Um traje simples, mas badass
Com esse leve tropeço feito em seu primeiro contato com o público, o filme do Homem-Formiga seguirá um tortuoso caminho de marketing até seu lançamento. Há muito a ser feito na imagem do personagem e de seu longa - também prejudicado pela saída do diretor Edgar Wright e de sua equipe no ano passado, vale lembrar -, e caberá à Marvel o papel de repetir sua disposição com Guardiões da Galáxia e refazer o herói diminuto com pequenos passos. Porque sem brincadeira, esse primeiro teste não acertou o alvo.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Preview 2015: Cinema

2014 foi um ano bem legal para cinema (em termos de filmes, porque o que rolou de morte no meio não foi brincadeira...), mas é inegável que passamos aqueles 365 dias pensando num futuro mais distante chamado 2015. A razão disso é simples: Mesmo sem um de seus principais "headliners" - o encontro de Batman e Superman nas telonas ficou para 2016, só para constar - o sexto capítulo da década 10 tem logo de início uma boa safra de blockbusters, e incluem uma boa quantidade de retornos de poderosas franquias recentes e jurássicas (heh). O ano que vem aí, porém, não se fará apenas de apostas garantidas, pois há também um considerável montante de longas de propostas arriscadas e originais a serem lançados.
Para entendermos a fundo como o processo se dará, criamos uma lista com as 15 produções cinematográficas mais esperadas de 2015, e destacamos alguns dos motivos para elas, em diferentes níveis de ansiedade, terem seu lançamento aguardado pelo público. Confira abaixo:

15) Chappie

Depois de acertar à sua maneira com Distrito 9 e errar grotescamente com Elysium, o diretor apaixonado por um futuro distópico poeirento Neill Blomkamp aventura-se mais uma vez na ficção-científica com este Chappie, que traz a história de uma inteligência artifical material com sentimentos - ou seja, um robô com emoções. Mais uma vez com bom elenco e premissa à mão, pode ser que o sul-africano faça a gente esquecer Matt Damon de exoesqueleto e nos lembre da qualidade de seu primeiro longa.
Estreia: 16 de abril

14) Tomorrowland

Com a franquia Piratas do Caribe naufragando, a Disney finalmente vai lançar a adaptação de outra atração de seus parques para as telas. Em desenvolvimento desde 2008 (uma época onde The Rock ia estrelar o projeto), Tomorrowland promete materializar os sonhos de Walt Disney com o futuro por meio de uma trama que envolve um cientista maluco, uma garota curiosa e um Hugh Laurie como vilão. Ah sim, tem o sempre eficiente Brad Bird na direção.
Estreia: 4 de junho

13) Cinderela

É um fato que as reinvenções visuais e adultas dos contos de fada já deram o que tinham que dar no cinema, mas ainda há esperanças sobre essa nova versão de Cinderela. A direção do projeto, afinal, é de Kenneth Branagh, cineasta oriundo do teatro que curte transpor a estrutura do meio para a telona, e a história da princesa do sapatinho de cristal pode casar muito bem com esse maneirismo. Outro ponto a se destacar na produção é a presença da agora oscarizada Cate Blanchett no elenco, no papel da madrasta malvada.
Estréia: 2 de abril

12) O Destino de Júpiter

Apesar de terem feito trabalhos ousados e visualmente interessantes (A Viagem e, sim, Speed Racer), os irmãos Wachowski vem sendo ignorados pelo público desde o fim da trilogia Matrix, e as bilheterias medianas de seus últimos filmes são prova disso. A mais nova tentativa de Andy e Lana, porém, pode mudar esse panorama triste da dupla, pois traz não só um elenco conhecido e amado (Mila Kunis, Eddie Redmayne e Sean Bean) como também uma premissa epopeica. Estamos torcendo.
Estreia: 5 de fevereiro

11) Quarteto Fantástico

A maior incógnita de 2015, o reboot da família super-heroica nos cinemas pelas mãos de Josh Trank vem sendo guardado a sete chaves pela Fox, que até o momento só divulgou uma foto do (ótimo) elenco reunido após o fim(!) das filmagens. Muitos boatos correram pela internet desde então, mas nada sólido o suficiente para criar qualquer tipo de especulação. Confiamos no Quarteto - mesmo após aqueles dois filmes...
Estreia: 6 de agosto

10) Kingsman - Serviço Secreto

Junte o diretor de X-Men: Primeira Classe, uma HQ escrita pelo roteirista de Kick-Ass e desenhada pelo ilustrador de Watchmen, Colin Firth em boa forma física e uma trama de espionagem que você tem Kingsman - Serviço Secreto. E a mistura de ótimos elementos parece ter resultado em algo excelente, pois a divulgação do filme tem sido a melhor possível. Se com Quarteto Fantástico a aposta é arriscada, com Kingsman a Fox possui boas chances de sucesso.
Estreia: 5 de março

9) Crimson Peak

Todo mundo sabe que terror e Guillermo Del Toro são duas coisas que funcionam muito bem juntas, e talvez seja por isso que Crimson Peak comece o ano já com boas expectativas. Ambientado em uma mansão mal-assombrada de temática gótica, o longa conta também com ótimo elenco, puxado por nomes grandes como Tom Hiddleston e Jessica Chastain. Coisa ruim não pode ser, certo?
Estreia: 22 de outubro

8) Homem-Formiga

Há tempos nos planos da Marvel, o filme do herói mais minúsculo da editora sofreu pesadas baixas com a saída do diretor Edgar Wright - que estava no projeto desde seu início, lá na época em que Homem de Ferro ia sair - e de grande parte da equipe criativa no ano passado. Mesmo abalado pelo evento, o longa parece ter conseguido se manter em pé, e com Peyton Reed na direção de seu surpreendente elenco (sério, quem previa Michael Douglas ali como Hank Pym?) o projeto continua a ser a aposta arriscada do estúdio para 2015.
Estreia: 16 de julho

7) Divertida Mente

Há mais de um ano sem lançar um filme, com uma leve crise de criatividade e sem John Lasseter no comando da empresa, a Pixar tem para 2015 a tarefa de voltar com tudo ao mercado. A chave para isso reside no sucesso de Divertida Mente, que ambientado na imaginação de uma criança e protagonizado pelas emoções da garota pode trazer o frescor de qualidade que o estúdio tanto sente falta desde o lançamento de Toy Story 3.
Estreia: 2 de julho

6) 007 - Spectre

Apesar de ter sua produção apressada (o longa chega no fim do ano e começou só agora a filmar), o novo filme de James Bond traz grandes promessas sob a figura de Blofeld, um dos maiores nêmesis do agente britânico que volta a dar as caras (após muito tempo nos tribunais com seus direitos disputados a tapa) pelas mãos e gestos de Christoph Waltz. O filme também conta com os retornos de Daniel Craig, Ralph Fiennes e Ben Whishaw (além de Sam Mendes na direção) e as adições de Léa Seydoux e Monica Bellucci.
Estreia: 29 de outubro

5) O Exterminador do Futuro - Gênesis

Reboot, remake, reinício, continuação ou derivado? Seja qual for o rótulo, a grande verdade é que a franquia Exterminador do Futuro está voltando aos cinemas em 2015 com a presença de Arnold Schwarzenegger e novo elenco, e promete uma trama louca o suficiente para botar o T-800 do filme original contra o T-800 dos dias de hoje. E ambos são interpretados por Arnold!
Estreia: 2 de julho

4) Jurassic World - O Mundo dos Dinossauros

Há um tempo longe dos holofotes, Jurassic Park é outra franquia que promete fazer um retorno triunfal em 2015. Para isso, o quarto capítulo da série não só vai abrir o parque para o público como vai promover misturas genéticas entre as criaturas, criando um monstro a ser combatido pelos humanos e os próprios dinossauros. O melhor de tudo, porém, é que o trailer dá margem para um possível retorno do suspense em Jurassic World, elemento este bastante ausente nas duas últimas continuações.
Estreia: 11 de junho

3) Mad Max - Estrada da Fúria

Quem diria, Max Rockatansky está de volta! Exatos 30 anos após o lançamento de Além da Cúpula do Trovão e depois de muitas dificuldades (tipo chover no deserto - é, pois é), a franquia Mad Max conseguirá enfim estrear mais um capítulo, dirigido ainda por George Miller e com novo elenco - incluindo o protagonista, interpretado agora por Tom Hardy. E pelos trailers o filme promete ser muito mais alucinado e colorido que os antecessores, com seus carros bizarros e mutantes loucos!
Estreia: 14 de maio

2) Os Vingadores - A Era de Ultron

Potencialmente o filme mais lucrativo do ano, a continuação da bilionária super-equipe da Marvel chega em 2015 com muito hype, prometendo coisas como um vilão poderoso (encarnado pela voz incrível de James Spader), mais heróis e, pelo jeito, a separação dos Vingadores na telona. Já de antemão dá pra resumir o filme em drama, pancadaria e muita nerdice - e ninguém aqui está reclamando.
Estreia: 30 de abril

1) Star Wars: Episódio VII - O Despertar da Força

Bom, aqui no primeiro lugar não ia ter surpresa alguma. Star Wars é Star Wars desde que Star Wars é Star Wars, e o retorno de uma das (senão a) franquias poderosas do cinema não é pouca coisa. E agora que o teaser veio para animar todos o fãs do mundo, é difícil que a expectativa para o sétimo capítulo não chegue a níveis absurdos até o fim de 2015. Confiamos em você J.J. Abrams!
Estreia: 17 de dezembro

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

O Cinema em 2014: Os Melhores e O Ranking

Os 14 melhores filmes e o ranking geral de 2014

Por Pedro Strazza

Chegou o momento que todos esperavam. Depois de conversarmos sobre o que rolou de bacana no mundo da música e dos quadrinhos e ter discutido as boas surpresas, as grandes decepções e os piores de 2014, está na hora de falar sobre a lista que o mundo sempre quer ler no final do ano em todos os portais que acompanha: Os 10 (ou 14, no meu caso) melhores filmes de 2014!
Dessa vez, entretanto, resolvi adicionar uma cereja (bem grande) a este bolo tradicional. Além de poder conferir os meus longa-metragens favoritos desse ano que passou, você, caro leitor, também ganha nessa publicação a oportunidade de ver o meu ranking cinematográfico de 2014, bem alimentado com 100 das produções que chegaram ao cinemas brasileiros nesses últimos 365 dias.
Mas chega de enrolação e simbora ver esse top 14, certo?

14) O Homem Mais Procurado

Embora tenha uma maior tendência a ser lembrado como "o último filme de Philip Seymour Hoffman", O Homem Mais Procurado é uma obra que também precisa brilhar por seu conteúdo. Baseado no livro homônimo de John le Carré, o longa traz em meio a todo o seu conflito entre espiões um protagonista incrível, vivido por Hoffman como um homem que, em meio a esse mundo cheio de intrigas e conspirações, parece precisar carregar sozinho todos os males do mundo nas costas para combatê-los.

13) Uma Aventura LEGO

Em um ano em que o deus das animações não desceu pra brincar (estou falando da Pixar se você não entendeu), é engraçado perceber que um filme baseado em blocos coloridos de montar conseguiu o destaque no vácuo de poder criado. Além de insano em seu ritmo - mérito dos malucos Phil Lord e Chris Miller - e muito divertido, Uma Aventura LEGO encanta por sua capacidade surpreendente de transformar sua trama maluca em algo mais profundo, sentimental e coincidente com os valores do produto que se baseia.

12) Planeta dos Macacos - O Confronto

Após o ótimo reinício, a franquia Planeta dos Macacos deu mais um salto de qualidade com esse O Confronto. A conotação sócio-política do roteiro ganhou força, os efeitos visuais melhoraram e a trama trouxe melhoras em vários aspectos - incluindo aí a ação, como a incrível cena do tanque bem nos lembra -, tornando o filme não só um dos melhores blockbusters dessa temporada como também na melhor sequência que a série símia teve. Será que o terceiro capítulo do reboot vai conseguir superar tudo isso?

11) Frozen - Uma Aventura Congelante

Um dos grandes hits de 2014 com sua música-chiclete Let It Go, Frozen mostrou ao mundo que o departamento de animação da Disney voltou com tudo. O conto das princesas Anna e Elsa soube brincar bem com os preceitos e clichês dos grandes clássicos do estúdio, e entregou no meio disso uma bela histórias sobre o amor entre irmãs e o aceitar de seu verdadeiro eu. Piegas, mas ainda assim excelente.

10) 12 Anos de Escravidão

O grande vencedor do Oscar 2014 (não em números, claro) é um tapa na cara. A história trágica e real de Solomon Northup é contada por Steve McQueen com evidência total na dor sofrida pelo homem livre que virou escravo, mostrando em sua trajetória alguns dos horrores e injustiças sociais presenciados na (longa) época em que este ato tão desumano era permitido. Destaques naturais e obrigatórios ao elenco e à cena da tortura vivida pela personagem de Lupita Nyong'o, uma das grandes atrizes reveladas em 2014.  

9) Até o Fim

Talvez o longa mais subestimado deste ano, Até o Fim é uma alegoria incrível para a capacidade do ser humano em manter as esperanças nos piores momentos. A história do homem que desperta com seu barco naufragando traz ainda uma atuação excepcional de Robert Redford, infelizmente ignorado por grande parte das premiações da temporada.

8) O Abutre

Ácido e sarcástico do começo ao fim, a estréia de Dan Gilroy na direção aborda com garras à mostra o jornalismo e seus graves problemas de sensacionalismo. Mesmo que ganhe bastante força no protagonista psicótico interpretado monstruosamente por Jake Gyllenhaal, O Abutre é uma obra fantástica em sua visão crítica, semelhante à de clássicos como Rede de Intrigas, mas com toques genuínos de humor negro e malicioso.

7) Inside Llewyn Davis - Balada de um Homem Comum

Mais um filme dos irmãos Coen, mais um filme que aborda homens irrelevantes para a sociedade., dotado de uma montagem incrível, Inside Llewyn Davis se aprofunda em uma determinada semana da vida de um cantor de folk fracassado, que busca sair de sua indesejada situação sócio-econômica, para mostrar mais uma vez ao público o quão arrogantes somos ao acreditar na importância de nossas pessoas para o universo. E é quando Joel e Ethan provam novamente a insignificância do ser humano e de suas ações e atribuem a ele um ciclo desgraçado e depressivo que mais uma vez vemos a genialidade da dupla em ação.

6) Amantes Eternos

Com toques de Sandman e embalado por uma ótima trilha sonora, a nova obra de Jim Jarmusch aborda temáticas universais a partir de um casal de vampiros que, imortais, veem na humanidade poucas chances de real progresso. Esse pessimismo com os "zumbis", entretanto, não torna Amantes Eternos um filme sem esperanças, mas bombeia uma melancolia bem vinda à contemplação ao mundo em que vivemos proporcionada pelo roteiro.

5) Guardiões da Galáxia

E eu avisei lá no começo do ano que ia ser incrível, lembra? Vindo pela tangente, a adaptação de um dos grupos mais Cs da Marvel não só entregou um blockbuster divertido e engraçado como embalou os walkmans da galera com sua trilha repleta de hits dos anos 70 e mostrou a todo mundo que dá sim pra fazer um filme com um guaxinim e uma árvore mutante. Sem mais.

4) O Lobo de Wall Street

Martin Scorsese já é setentão, mas ainda consegue supreender todo mundo e botar polêmica na mesa. Além de ser um filmaço, O Lobo de Wall Street traz um ritmo impecável e um protagonista detestável interpretado de forma brilhante por Leonardo DiCaprio (que, coitado, continua sem Oscar). E em meio à loucura mostrada, o diretor de clássicos como Taxi Driver e Os Infiltrados mostra o quão longe o ser humano pode ir por causa do dinheiro.

3) Boyhood - Da Infância à Juventude

Filmado ao longo de doze anos (nenhum de escravidão, lembrando), Boyhood apresenta um retrato raro do poder do tempo sobre nossas vidas. Acompanhar os caminhos tomados pela família Evans, afinal, demonstra o quão diferentes podemos nos tornar através de pequenas mudanças, que progressivamente alteram nossa personalidade e nossas próximas escolhas. Uma filosofia básica, eficiente e muito difícil de não se conectar.

2) Ela

É possível um relacionamento entre uma máquina e um ser humano? Em Ela, Spike Jonze superficialmente trouxe ao público essa questão, mas com menos de uma hora de filme já foi possível ver que o tema a ser tratado pelo diretor era mais profundo. Com um romance simples, o filme aborda e discute questões complexas e universais com sensibilidade, e conta no caminho com atuações corporais e vocais de seu elenco primoroso.
E o melhor filme de 2014 é...

1) Garota Exemplar

Sou fã incontestável dos trabalhos de David Fincher já há um bom tempo, mas ainda consigo ficar surpreso com a qualidade dos novos filmes que o cineasta responsável por Clube da Luta e A Rede Social dirige. Dito isso, Garota Exemplar é uma obra-prima. Extremamente feliz em todos os seus aspectos técnicos, a adaptação do livro de mesmo nome escrito por Gillian Flynn é uma desconstrução poderosa e angustiante do casamento e de sua decadência como instituição, aliada a uma poderosa crítica à mídia e seus valores. Tudo isso parte, claro, da fria e calculista Amy Dunne, que ganha as telas por meio de uma atuação brilhante e avassaladora de Rosamund Pike.

Ranking 2014

  1. Garota Exemplar (10/10)
  2. Ela
  3. Boyhood - Da Infância à Juventude
  4. O Lobo de Wall Street
  5. Guardiões da Galáxia
  6. Amantes Eternos
  7. Inside Llewyn Davis - Balada de um Homem Comum
  8. O Abutre
  9. Até o Fim
  10. 12 Anos de Escravidão
  11. Frozen - Uma Aventura Congelante
  12. Planeta dos Macacos - O Confronto (9/10)
  13. Uma Aventura LEGO
  14. O Homem Mais Procurado
  15. Era Uma Vez em Nova York
  16. O Passado
  17. O Grande Mestre
  18. X-Men - Dias de um Futuro Esquecido
  19. O Lobo Atrás da Porta
  20. Entre Nós
  21. O Homem Duplicado
  22. O Hobbit - A Batalha dos Cinco Exércitos
  23. Nebraska (8/10)
  24. O Grande Hotel Budapeste
  25. Relatos Selvagens
  26. Capitão América 2 - O Soldado Invernal
  27. Anjos da Lei 2
  28. Débi e Lóide 2
  29. Tudo por um Furo
  30. Tim Maia
  31. Como Treinar o Seu Dragão 2
  32. Magia ao Luar
  33. No Limite do Amanhã
  34. Praia do Futuro
  35. Muppets 2 - Procurados e Amados
  36. Godzilla (7/10)
  37. Operação Big Hero
  38. Ida
  39. Jogos Vorazes - A Esperança - Parte 1
  40. O Grande Herói
  41. Vizinhos
  42. Chef
  43. Robocop
  44. Clube de Compras Dallas
  45. Mil Vezes Boa Noite
  46. A Grande Escolha
  47. Philomena
  48. Os Boxtrolls
  49. Festa no Céu
  50. As Aventuras de Paddington
  51. O Espetacular Homem-Aranha 2 - A Ameaça de Electro
  52. Lucy
  53. Oldboy - Dias de Vingança
  54. Noé
  55. Sob a Pele (6/10)
  56. Mesmo Se Nada Der Certo
  57. Interestelar
  58. Homens, Mulheres e Filhos
  59. Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola
  60. The Rover - A Caçada
  61. Annabelle
  62. Boa Sorte
  63. Sin City - A Dama Fatal
  64. Trash - A Esperança Vem do Lixo
  65. Trapaça
  66. Fruitvale Station - A Última Parada
  67. Hoje Eu Quero Voltar Sozinho
  68. As Aventuras de Peabody e Sherman
  69. Será Que?
  70. Hércules
  71. Quero Matar Meu Chefe 2
  72. Tudo por Justiça
  73. O Juiz (5/10)
  74. Êxodo - Deuses e Reis
  75. Os Mercenários 3
  76. A Culpa é das Estrelas
  77. Divergente
  78. Sétimo
  79. Caçada Mortal
  80. Trinta
  81. No Olho do Tornado
  82. Getúlio
  83. Walt nos Bastidores de Mary Poppins
  84. Ninfomaníaca - Parte I (4/10)
  85. Ninfomaníaca - Parte II
  86. Sex Tape - Perdidos na Nuvem
  87. O Último Concerto
  88. A Marca do Medo
  89. Uma Noite de Crime - Anarquia
  90. Livrai-nos do Mal
  91. A Menina Que Roubava Livros
  92. Ouija - O Jogo dos Espíritos
  93. Malévola (3/10)
  94. Transformers 4 - A Era da Extinção
  95. Drácula - A História Nunca Contada
  96. November Man - Um Espião Nunca Morre
  97. As Tartarugas Ninja
  98. 300 - A Ascensão do Império (2/10)
  99. À Procura (1/10)
  100. Transcendence - A Revolução

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Os Quadrinhos em 2014: Alguns Destaques

Os gibis que marcaram o ano à sua maneira

Por Pedro Strazza

Para os brasileiros, 2014 foi um ano interessante em termos de quadrinhos. Nada mudou de forma drástica no mercado - a produção nacional, tanto independente quanto mainstream, continua ótima, as editoras mantiveram o bom ritmo e trouxeram (com o atraso habitual) o melhor que vem sendo publicado lá fora, etc. -, mas os títulos que pipocaram em bancas, livrarias e lojas especializadas trouxeram conteúdo mais diversificado, abordando temas diferentes do que estávamos acostumados por meio de narrativas e diagramação fora do nosso habitual.
Prova dessa "expansão de conteúdo" vista nesses últimos 365 dias são as 14 obras que selecionei para integrar essa retrospectiva. Ainda que tomada por um número perceptível de séries dos quadrinhos de super-herói e que não abranja os melhores de 2014, esta lista apresenta em sua maioria títulos que se destacaram não só por possuírem histórias interessantes, mas pela maneira como as contaram. Aqui, forma e narrativa tiveram relevância tão grande quanto roteiro e arte.
Vamos a eles?

Personagem com histórico difícil nos quadrinhos, Oliver Queen ganhou uma reformulação interessante nas mãos de Jeff Lemire, que o trouxe para uma realidade mais difícil e limitada financeiramente - além de ter modificado (com resultado variados) a origem do personagem. Os maiores destaques desta fase curiosa do Arqueiro Verde, entretanto, são para o desenhista Andrea Sorrentino e o colorista Marcelo Maiolo, que por meio de elementos simples de imagem dinamizaram a ação e o ritmo da história retratada.

  • Batman

Também mencionado na retrospectiva de 2013, a fase que o principal título do Homem-Morcego vive atualmente continua excelente. Os roteiros de Scott Snyder casam muito bem com a arte de Greg Capullo (um desenhista que só cresceu nesses últimos tempos), e os grandes arcos da série são eficientes ao evidenciar e explorar as feridas abertas no problemático perfil do protagonista à cada confronto. E isso não mudou quando a dupla criativa teve a difícil tarefa de reinventar o conhecido começo da carreira do Batman em Ano Zero.

  • Bidu - Caminhos

Assim como grande parte das obras que compõem o selo Graphic MSP, Caminhos encanta pela maneira meiga pela qual reinventa um dos personagens mais clássicos de Mauricio de Sousa. Com uma narrativa fluida e que pouco se utiliza de diálogos (e muito de onomatopeias interativas), a história escrita e desenhada por Luís Felipe Garrocho e Eduardo Damasceno faz da origem do cachorrinho Bidu um belo conto sobre amizade e companheirismo, permeado por um humor simples e bem dosado. Mais um acerto certeiro do projeto de Sidney Gusman com o universo de Mônica e seus amigos.

  • Bom de Briga

Com influência notável dos quadrinhos de super-herói dos anos 60/70, Bom de Briga funciona tão bem como homenagem ao gênero quanto como alegoria para a juventude e os desafios do crescimento. Isso porque a trajetória inicial do protagonista, filho de deuses que é mandado para a Terra para ser nosso campeão, remete muito à responsabilidade, coragem e humildade, valores a serem aprendidos com maior vigor na adolescência, enquanto os desenhos de Paul Pope (que também escreve a aventura) são cartunescos com um quê de Jack Kirby - algo que nunca vai ser demais nesse mundo.

  • Demolidor

Outro que também volta a figurar em uma retrospectiva por aqui, o Demolidor continua a ter o perfil de suas histórias suavizado de forma brilhante por Mark Waid. Ainda que traga problemas realísticos e difíceis à vida de Matt Murdock (como o câncer de Foggy Nelson), a série traz uma leveza agradável, pautada pela explosão de cores controlada de Javier Rodriguez - que desenha a série em conjunto com Chris Samnee e Jason Copland. O melhor de tudo é que Waid não tem limites impostos à sua criatividade, permitindo a ele uma liberdade rara para moldar o herói da maneira que lhe convém.

Quem também tem liberdade na Marvel para fazer o que quiser com o protagonista é Matt Fraction, cujo trabalho com o Gavião Arqueiro ganhou destaque em premiações e na mídia especializada, mas só em 2014 começou a ser publicada no Brasil. E a notoriedade é merecida, pois a série é brilhante tanto em seus aspectos narrativos (os roteiros de Fraction funcionam e lembram muito em ritmo e tom os filmes de Quentin Tarantino) quanto visuais (a arte de David Aja testa novos limites à cada edição). Clint Barton, quem diria, pode sim ser fonte de boas histórias.

Uma decisão bastante polêmica (assim como todas as outras) tomou Dan Slott ao fazer com que um dos heróis mais queridos da Marvel tivesse sua mente trocada com um de seus maiores vilões. No corpo de Peter Parker, Otto Octavius (mais conhecido como Dr. Octopus), mesmo que ainda combatendo o crime, virou de cabeça para baixo o perfil do Homem-Aranha que conhecemos, e Slott foi muito feliz na maneira como retratou isso - ainda que tenha caído um pouco nas tramas óbvias conforme se encaminha para o final desta trajetória funesta porém muito interessante do Amigão da Vizinhança.

  • L'Amour: 12 oz

Com quadrinhos, estamos acostumados a ter um contato direto com a informação da obra, que as fornece sem delongas. Luciano Salles gosta de inverter essa lógica e forçar seus leitores a ir atrás do conteúdo presente em suas obras, obrigando-os à uma leitura atenta dos fatos que se desenrolam em nas histórias que conta. Prova mais recente dessa sua tática é esse L'Amour 12 oz, que conta ainda com a arte deformadora e instigante do próprio Salles e o ótimo trabalho de cores de Marcelo Maiolo.

  • Os Mortos Vivos

Mesmo com problemas aqui e ali, Os Mortos Vivos continua sendo uma das séries em quadrinhos mais interessantes da atualidade. No Brasil, a obra de Robert Kirkman continua a se aproximar das edições mais recentes, e este ano passou pela interessante (porém um pouco enrolada) fase da cidade murada. O cenário mudou novamente, mas dois pontos característicos da HQ continuaram fortes: a violência gráfica e as reviravoltas surpreendentes.

  • O Quinto Beatle - A História de Brian Epstein

"Uma biografia brilhante" é pouco para resumir o trabalho que Vivek J. Tiwary, Andrew C. Robinson e Kyle Barker fizeram em O Quinto Beatle. O relato em quadrinhos da vida do produtor dos Beatles alia a realidade dura que Epstein viveu a alegorias brilhantes, que mexem tanto com a questão da homossexualidade reprimida quanto com seus sonhos e ambições com uma das maiores bandas de todos os tempos. É uma obra que se aprofunda no lado psicológico de um ser humano fragmentado, e faz isso por meio de uma arte maravilhosa.

A multipremiada série de Brian K. Vaughan e Fiona Staples enfim começou a ser publicada no Brasil, e mostrou o porquê de receber tantas palmas lá fora. Surrealista em sua mistura bem vinda de ficção-científica com fantasia, Saga traz em suas páginas um banho de loucura visual acompanhado de uma trama básica e eficiente, e é delicioso a qualquer leitor que resolva adentrar em seu universo.
  • Valente: Para o Que Der e o Que Vier
Se nos três primeiros volumes Vitor Caffagi mostrou talento para fazer o público se envolver com seu protagonista, em Para o Que Der e o Que Vier o responsável por Laços provou mais uma vez seu talento para desenvolver histórias simples e apaixonantes. Com humor pouco insistente e traços autobiográficos característicos, Valente é um relato belo da adolescência e do crescimento do indivíduo, sendo ainda beneficiado pelo crescente experimentalismo narrativo de seu autor.

  • Wolverine e os X-Men

Jason Aaron manteve em sua passagem pelo título mutante uma qualidade indubitável, caracterizada pelas frequentes homenagens subjetivas à história dos X-Men e o ritmo divertido, feito graças ao ambiente em que a trama se localiza. É duro saber que essa fase do título já está acabando no Brasil, pois vai ser difícil encontrar leitura similar à feita pelo roteirista sobre a Escola Jean Grey.

  • Novíssimos X-Men/Fabulosos X-Men

Desde que assumiu o comando criativo dos X-Men nos quadrinhos, Brian Michael Bendis trouxe como característica principal às histórias dos mutantes a viagem no tempo, e só mostrou acertos nessa decisão. A vinda da primeira formação do grupo ao presente repleto de tensões abriu espaço para que a série abordasse a própria história recente do homo superior nos quadrinhos, marcado por eventos marcantes como a Cisma ou a morte (de novo..) do professor Charles Xavier. Isso tudo, claro, chegou ao ápice com A Batalha do Átomo, um evento divertido em seus acontecimentos bombásticos e épicos.