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sábado, 2 de julho de 2016

Crítica: Piper - Descobrindo o Mundo

Curta é uma esperança no fim do túnel para Pixar.

Por Pedro Strazza.

O fascínio pela animação parte de uma admiração visual. Da recriação fiel da realidade à busca pelo caricato ou mesmo o abstrato, é tarefa vital do animador conceber uma identidade que possibilite ao espectador adentrar por seu universo sem que aconteça grandes ruídos, e nesse momento uma história - mesmo a mais elementar de todas - é vital para esse mergulho.

De certa forma, o parágrafo anterior resume bem o tipo de experiência que Piper - Descobrindo o Mundo, curta que antecede as sessões de Procurando Dory, busca passar a seu público. Bastante antenado com a principal atração do pacote (a ambientação próxima do mar, personagens animalescos), o diretor estreante Alan Barillaro recorre bastante ao básico para contar a história de um filhote de maçarico-rasteirinho (em inglês sandpiper) que precisa se alimentar sozinho pela primeira vez na praia onde ele, sua mãe e seu grupo vivem. O problema é que para isso a pequena ave terá que enfrentar as terríveis e assustadoras ondas do mar.

Reproduzindo a realidade com um leve aspecto de sonho (tudo na praia parece brilhar com a luz do Sol, e a trilha sonora do também estreante Adrian Belew contribui muito a essa sensação), o curta animado se faz em elementos pequenos, atrás de uma simplicidade que por mais rasa que seja não deixa de envolver o público. Barillaro retrata o arco mais universal, o da descoberta de um mundo até então desconhecido por uma criança, e o fascínio desta com o até então aterrador e que posteriormente se transforma em algo mágico é o que faz este pequeno conto funcionar.

Em seu caminho simples e sem espaço para maiores interpretações, Piper é uma espécie de esperança dentro das produções da Pixar, hoje mal acostumadas a lições fáceis e ideias pouco envolventes. A animação encanta sim pelo valor imediato da imagem, mas é o que vem junto que define se ela impactará ou não o espectador.

Nota: 6/10

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Crítica: Os Heróis de Sanjay

Sentimento é a estrela guia de curta que ensina tolerância.

Por Pedro Strazza.

Existem vários benefícios na decisão de tornar um arco íntimo de uma pessoa na essência de um filme, e muito provém do inevitável ato de aproximação que se gera entre público e autor. Trazer para a tela a relação de alguém com uma pessoa pela qual ela nutre carinho traz compaixão à obra, e quanto mais bem trabalhada melhor a obra se torna.

É o caso de Os Heróis de Sanjay, curta que antecede as exibições de O Bom Dinossauro e que conta uma história de fatos mais ou menos reais, como bem brinca nos créditos iniciais. A artimanha do estreante na direção Sanjay Patel é simples: das lições religiosas que seu pai insistia em passar pra ele quando pequeno, ele brinca com seu imaginário da época para fazer uma aventura que envolva tanto os super-heróis de sua infância quanto a religião de sua família.

O resultado é bonito, e funciona melhor que o esperado. Feito em cores vibrantes para dar o contraponto à dura realidade, mostrada no curta pelo número mínimo de móveis na sala de estar (uma decisão inesperada, vide que tais filmes são exibidos em dupla com os longas da Disney para já tirar o espectador da realidade), as cenas dentro da cabeça do garoto protagonista não só divertem pela criatividade do negócio - os deuses assumirem de vez o papel de super-herói é uma ideia simples mas bem executada - como também promovem diversidade e tolerância religiosa sem chamar muita atenção, desprovido de qualquer julgamento maior e descabido a uma produção do tipo. A combinação desses dois elementos sai satisfatória, em um equilíbrio difícil de se alcançar.

Mas o que dá liga a isso, a bem da verdade, é o próprio sentimentalismo inerente ao roteiro. O valor que Patel dá à sua relação com o pai, no filme figuras tão opostas para depois se unirem no meio do caminho, é capaz de trazer o espectador pra dentro da história de Os Heróis de Sanjay com velocidade, algo essencial para a estrutura pequena e breve do curta.

Nota: 8/10

sábado, 20 de junho de 2015

Crítica: Lava

Curta erra a mão no sentimentalismo e soa piegas.

Por Pedro Strazza.

Chega a ser curioso que a Pixar alcance tanto o auge quanto o fundo do poço em uma mesma projeção de Divertida Mente. Enquanto o longa-metragem de Pete Docter brilha com suas ideias criativas dentro da consciência de uma criança, o curta Lava, que antecede a exibição do filme, se perde em meio ao show água com açúcar que propõe e entrega uma das piores experiências propostas pelo estúdio em seus quase 30 anos de existência.
Dirigido pelo estreante James Ford Murphy, o filme conta a história de Uku (Kuana Torres Kahele), um vulcão havaiano que vive solitário em uma ilha onde todos os casais animais se encontram para se apaixonar. Apesar de levar uma vida tranquila e ficar feliz de servir para um propósito tão bonito, Uku se sente triste em nunca encontrar um par para si. Mas tudo muda quando uma "vulcoa" chamada Lele (Napua Greig) começa a nascer no fundo do oceano.
Contado em milhares de anos, Lava soa do começo ao fim piegas. A canção que dá título ao curta e entoada pelos dois personagens é genérica a ponto de em muitos momentos lembrar a versão em ukelele de "Somewhere Over the Rainbow", arrancando do instrumento havaiano todo e qualquer tipo de sentimentalismo barato. Para piorar, o conto não traz nada muito criativo, pois se restringe a emular clichês do gênero para dar tom à concepção fofinha da produção.
Embora seja bastante parecido em objetivo e execução a O Guarda-Chuva Azul, curta que antecedeu as exibições de Universidade Monstros, Lava se sai muito pior à história de amor entre guarda-chuvas por querer criar algo dez vezes mais meloso. A Pixar já provou que sabe contar histórias sobre quaisquer tipos de objetos e seres, mas aqui demonstra que nem tudo pode se tornar interessante em suas mãos.

Nota: 3/10

segunda-feira, 30 de março de 2015

Crítica: Frozen - Febre Congelante

Curta-metragem garante boas risadas e garante preocupação de mais receosos com franquia de longa.

Por Pedro Strazza.

Chega a ser curioso que Frozen - Febre Congelante seja o curta que antecede a exibição de Cinderela nos cinemas. O filme, situado no reino (agora endinheirado) de Anna e Elsa, é quase uma pequena representação do éden buscado pelas reinterpretações live-action dos contos de fada, possuindo tanto a qualidade quanto o sucesso financeiro à sua disposição.
Dado o tempo disponível e o futuro garantido (a continuação de Frozen já foi confirmada pela Disney), a trama de Febre Congelante é básica e não perde tempo em entregar o que quer: É aniversário da princesa Anna, e a rainha Elsa, depois de anos decepcionando a irmã, quer compensar tudo com uma grande festa. O problema é que ela está gripada, e isso tanto acaba com sua disposição física quanto oferece um grande perigo para seus planos.
Confusões acontecem, mas tudo é resolvido com tranquilidade, e os personagens mantém em seu âmago as mesmas funções. As duas irmãs protagonistas continuam o elemento principal, enquanto o boneco de neve Olaf, Kristoff e sua rena são os bons alívios cômicos. A grande adição são os "olafinhos", pequenas criaturas criadas pelos espirros de Elsa que encantam pela fofura e os ótimos esquetes feitos com os outros personagens.
Criado a partir de uma música remanescente do longa original, Frozen - Febre Congelante diverte pela despreocupação e despretensão, e com isso mostra ao público o potencial que a obra baseada no conto de Hans Christian Andersen tem como franquia, agora a ser explorada pelo estúdio que a popularizou.

Nota: 8/10