Han Solo - Uma História Star Wars

Leia a nossa crítica do mais novo derivado da saga!

Deadpool 2

Continuação tenta manter a subversão do original enquanto se rende às convenções hollywoodianas

Desejo de Matar

Eli Roth aterroriza ação do remake e não deixa os temas caírem na ingenuidade

Nos Cinemas #1

Nossos comentários sobre O Dia Depois, Submersão e Com Amor, Simon

Jogador N° 1

Spielberg faz seu comentário sobre o próprio legado em Hollywood sem esquecer do espetáculo no processo

Mostrando postagens com marcador Vera Farmiga. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Vera Farmiga. Mostrar todas as postagens

sábado, 11 de junho de 2016

Crítica: Invocação do Mal 2

James Wan volta a fazer terror lúdico baseado no casal Warren com novidades revigoradoras.

Por Pedro Strazza.

Já bastante complicado como conceito, a continuação torna-se ainda mais difícil de dar certo dentro do terror, gênero acostumado a trabalhar pelo inédito mesmo quando reaproveita valores já abordados no passado. Trabalhar uma sequência para um filme que se sustenta pelo medo implica a seus realizadores ir além da mera refabricação, precisando de fato acrescentar novas camadas e mecanismos que tragam o espectador mais uma vez ao ponto de partida e façam-no temer um desconhecido agora nem tanto desconhecido por ele.

No caso de Invocação do Mal, filme de 2013 que foi muito pautado pelo exercício do gênero em sua forma mais pura e descolada da realidade o possível - e que gerou no processo uma obra bastante funcional -, a solução encontrada pelo diretor James Wan e seus parceiros no roteiro Carey Hayes, Chad Hayes e David Johnson foi a de não manter-se preso às restrições do original. O que sua sequência faz é justamente encaixar o exercício em um contexto, com o objetivo de aumentar a tensão e os sustos. Assim, o casal de investigadores paranormais Ed (Patrick Wilson) e Lorraine Warren (Vera Farmiga) não mais precisa ajudar uma família dona de uma velha e isolada mansão mal-assombrada nos pântanos estadunidenses, mas sim uma assombrada por uma entidade dentro de uma casa típica dos subúrbios da Inglaterra do governo de Margaret Tatcher. 

Ainda que se deixe afetar por esse encaixe histórico (fica claro do princípio a busca da trama por uma afinidade entre o caso e as medidas individualizadoras da Dama de Ferro), a estrutura permanece tão lúdica quanto a do primeiro capítulo. Wan aproveita o cenário no qual a trama se situa como elemento de potencialização de seu terror, principalmente na primeira metade do longa, onde precisa estabelecer a criatura da vez e suas vítimas - no caso a mãe divorciada e trabalhadora Peggy Hodgson (Frances O'Connor) e seus filhos, incluindo a pequena Janet (Madison Wolfe) que serve de interesse da vez ao demônio.

Fartos na narrativa e onde Invocação do Mal 2 pode exercer de fato o que se espera dele, esses momentos são os melhores do filme, aliando os excessos de estilo de seu diretor com uma paixão escancarada pelo gênero para criar o horror de sua história. Além de repetir os jogos de visão do espectador por movimentos de câmera muito mais perceptíveis (e em alguns casos até com maior sucesso, a exemplo de toda a sequência envolvendo o quadro na casa dos Warren), Wan também mostra maior conforto nas referências que faz  aos ícones visuais do terror, capazes de enriquecer a experiência pela simples lembrança. Essa iconografia, presente também no original e no derivado Annabelle e que aqui faz referência a longas célebres como O Iluminado, O Exorcista e Horror em Amityville, é o que no fim a agora franquia parece trazer de novo ao gênero, numa tradução encantadora de sua própria cinefilia.

É uma proposta admirável, mas que não esconde do público a má resolvida conexão desta com o viés "família" que o longa segue conforme se aproxima do fim. Embora siga a cartilha e quebre as relações entre os personagens para torná-los - junto com o espectador - suscetíveis à influência do espírito que os assombra, Wan ainda possui alguma esperança na unidade familiar como salvação, e não se resguarda em manter essa chama acesa em cenas como a de quando Ed Warren canta Elvis para as crianças. Nem todo terror precisa terminar de maneira pessimista, é verdade, mas por funcionar na incerteza ele não é capaz de comportar a confiança de que tudo vá dar certo enquanto acontece - algo pelo qual o filme não está disposto a abandonar.

Isso, em parceria com o caráter episódico com o qual a franquia se encaminha para adotar como característico, talvez impeça Invocação do Mal 2 de realmente materializar o horror ao qual se dedica, reduzindo-o a uma casa de sustos mais elaborada. Uma estrutura que se desgasta com rapidez, mas que não deixa de ser divertida quando em mãos certas, seguras e dispostas a fazer a manutenção necessária para manter as coisas interessantes.

Nota: 7/10

sábado, 18 de outubro de 2014

Crítica: O Juiz

Elenco sustenta filme convencional de tribunal a duras penas

Por Pedro Strazza

Ano a ano, a pré-temporada do Oscar oferece, além dos longas maiores que dominam a competição, filmes focados apenas em alguns aspectos técnicos para conseguir uma vaga na premiação, reconhecida como a mais famosa no mundo. Dentre estas produções, há um grupo que procura encaixar indicações principalmente nas categorias de atuação, onde o destaque é maior devido à fama dos atores. 
O Juiz é o mais recente trabalho cinematográfico a fazer parte deste conjunto, e em nenhum momento disfarça suas pretensões com a Academia. Repleto de estrelas em seu elenco, o filme acompanha Hank Palmer (Robert Downey Jr.), um advogado conhecido por inocentar criminosos nos tribunais que certo dia recebe a notícia do falecimento de sua mãe. Em respeito à morta, Palmer viaja até sua cidade natal e reencontra o pai, o juiz Joseph (Robert Duvall), cujo relacionamento não é dos mais amigáveis. Mas quando está prestes a deixar a cidade, Hank acaba tendo que voltar, pois o pai é acusado de um homicídio e o caso será levado ao tribunal da região.
Daí em diante a história segue sem nenhuma surpresa. Escrito por Nick Schenk e Bill Dubuque, o roteiro nunca parece disposto a tomar qualquer tipo de rumo mais desafiador, preferindo empregar momentos fáceis e sem criatividade. Dessa forma, não demora muito para que o espectador comece a adivinhar cada passo tomado pela narrativa, incluindo suas viradas, suas cenas dramáticas e até seus alívios cômicos.
A atitude “descriativa” no roteiro reflete-se também em todos os outros aspectos técnicos da produção. A direção de David Dobkin, por exemplo, restringe-se a planos e angulamentos que privilegiem o trabalho dos atores, enquanto o trabalho de Janusz Kaminski na fotografia procura composições óbvias – a oposição claro-escuro no tribunal chega a irritar de tão repetitiva e sem imaginação. A trilha sonora de Thomas Newman, por outro lado, surge apenas para ajudar o espectador em suas reações, como quando ele deve dar uma risada ou derramar algumas lágrimas.
Toda esta sensação de repetição, porém, é aliviada pelo trabalho de seu elenco muito bem escalado. Apesar dos papéis medíocres, as atuações de Downey Jr. e Duvall como protagonistas são fortes o suficiente para que o espectador consiga encontrar algum tipo de conexão mínima com os personagens, tornando suportáveis os eventos em tela. Neste meio tempo, as performances de atores de talento como Billy Bob Thornton e Vera Farmiga dão apoio suficiente, mesmo sendo mínimas devido ao tamanho de suas participações, para que os dois principais trabalhem com calma e paciência.
É justamente por esses trabalhos performáticos que o filme consegue render alguma coisa em suas longas duas horas de projeção. Dominado pelo óbvio e a zero criatividade, O Juiz é uma obra que lembra muito a telenovela, arriscando-se tanto quanto esta na concepção de sua história e narrativa. Uma comparação bastante infeliz, vide o objetivo preterido pela produção e seus envolvidos.

Nota: 5/10