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terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

ESPECIAL: Oscar 2017

Tudo sobre a 89° edição dos Academy Awards!

Outros indicados

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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Bolão do Oscar 2017

Os favoritos, as possíveis zebras e o panorama geral da corrida pela estatueta.

Por Pedro Strazza.

Pode não parecer, mas vai chegando a hora de mais uma entrega do Oscar, o troféu concedido por Hollywood aos melhores da indústria cinematográfica  e também um dos prêmios mais conhecidos (e cobiçados) no mundo. Com o apresentador Jimmy Kimmel de mestre de cerimônia, a 89° edição dos Academy Awards se aproxima de sua realização com várias perguntas: quem será o grande vencedor da noite? Quantos Oscar La La Land é capaz de levar para casa? Viola Davis enfim será reconhecida pelos votantes? Será que as longas três horas de duração da cerimônia passarão rápido desta vez?

A última pergunta só vai dar pra saber mesmo no domingo, mas com as outras questões já dá pra ir brincando. Em sua quinta edição e com preposição nova no nome, o Bolão do Oscar vem para ajudar quem está com dificuldades para montar sua lista de apostas para o prêmio e tentar mapear o cenário da corrida pela estatueta em todas as categorias. São previsões que podem ou não se provar corretas, mas que já ajudam a esclarecer quem é quem nas múltiplas disputas em curso na premiação.

Vamos aos indicados:

Legenda

  • Negrito: Grande(s) favorito(s)
  • Itálico: Ainda na disputa
  • (0): Sem chances de vitória
  • (F): Favorito pessoal

Melhor Filme

La La Land pode ter despertado o ódio em alguns, mas definitivamente é o grande favorito para a principal estatueta da noite. O musical ambientado em Los Angeles de Damien Chazelle vem dominando todos os prêmios desde o Globo de Ouro, levando prêmios de importantes sindicatos como dos produtores (o PGA) e dos diretores (o DGA) no processo. 

Seus principais oponentes na disputa são Moonlight e Estrelas Além do Tempo, mas ambos estão longe. O filme de Barry Jenkins começou a corrida como forte candidato, mas não conquistou nenhum grande título na temporada de premiações (nem mesmo o BAFTA) além do Globo de Ouro de Melhor Filme de Drama (ao qual não corria junto de La La Land) e acabou perdendo força. Já a cinebiografia de matemáticas negras que foram vitais para a corrida espacial nos anos 60 ganhou algum espaço depois da inesperada vitória no sindicato de atores (o SAG), mas as poucas indicações na premiação - junto de sua inexpressividade nos outros sindicatos - o impedem de almejar o prêmio pra valer.

Ainda que suas chances sejam tão mínimas quanto o resto dos indicados, Manchester à Beira-Mar e A Chegada ainda mantém seu lugar na corrida, podendo talvez tirar votos importantes que possam decidir uma virada totalmente inesperada na reta final do prêmio. A mão que ergue o Oscar, porém, treme forte para La La Land.

Melhor Direção

  • Mel Gibson (Até o Último Homem) (0)
  • Dennis Villeneuve (A Chegada)
  • Damien Chazelle (La La Land - Cantando Estações)
  • Kenneth Lonergan (Manchester à Beira-Mar) (F)
  • Barry Jenkins (Moonlight - Sob a Luz do Luar)
Como em outros anos, a categoria de direção repete mais ou menos a disputa de Melhor Filme. Chazelle é favorito máximo para levar o prêmio, mas suas chances de vitória estão ameaçadas pelo trabalho de Jenkins em Moonlight. Kenneth Lonergan e Denis Villeneuve seguem mais atrás, enquanto Mel Gibson já chega à cerimônia contente de ter sido resgatado do ostracismo pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.

Melhor Roteiro Adaptado

  • A Chegada
  • Estrelas Além do Tempo
  • Um Limite Entre Nós (0)
  • Lion - Uma Jornada Para Casa (0)
  • Moonlight - Sob a Luz do Luar (F)

Melhor Roteiro Original

  • La La Land - Cantando Estações
  • O Lagosta
  • Manchester à Beira-Mar
  • Mulheres do Século 20 (0)
  • A Qualquer Custo (F)
As categorias de roteiro este ano vem com uma carga de mistério maior graças à confusão gerada por Moonlight na premiação do sindicato de roteiristas - o filme, embora seja a adaptação de uma peça nunca encenada, foi indicado e venceu em Melhor Roteiro Original no WGA Awards.

A passagem entre categorias do longa escrito por Jenkins no sindicato, porém, ajuda a esclarecer um pouco melhor quem ainda está na disputa para Melhor Roteiro Adaptado, onde Moonlight é o franco favorito. A vitória de A Chegada no WGA só comprova que a ficção-científica roteirizada por Eric Heisserer segue de perto o drama negro. Quem pode surpreender aqui é Estrelas Além do Tempo, que deposita na categoria todas as suas chances de ganhar força para o prêmio de Melhor Filme.

O prêmio de Roteiro Original, enquanto isso, está dividido. Manchester à Beira-Mar mantém a frente desde o início, mas conforme ele foi perdendo na temporada o destaque que tinha no início as chances de La La Land arrebanhar mais uma estatueta aqui aumentaram consideravelmente. A Qualquer Custo e O Lagosta podem até surpreender, mas Mulheres do Século 20 com certeza ocupa o último lugar da corrida. 

Melhor Ator

  • Andrew Garfield (Até o Último Homem) (F)
  • Viggo Mortensen (Capitão Fantástico) (0)
  • Denzel Washington (Um Limite Entre Nós)
  • Ryan Gosling (La La Land - Cantando Estações)
  • Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar)

Melhor Ator Coadjuvante

  • Michael Shannon (Animais Noturnos) (0)
  • Dev Patel (Lion - Uma Jornada Para Casa)
  • Lucas Hedges (Manchester à Beira-Mar)
  • Mahershala Ali (Moonlight - Sob a Luz do Luar)
  • Jeff Bridges (A Qualquer Custo) (F)
Em 2017 a briga é muito boa em Melhor Ator. Embora Casey Affleck seja o principal candidato ao prêmio desde o começo, a vitória de Denzel Washington no SAG bagunçou e polarizou a corrida entre os dois atores. Por causa da força de La La Land na premiação Ryan Gosling ainda pode arrancar uma vitória de última hora, ao passo que Andrew Garfield e principalmente Viggo Mortensen parecem bem conformados em sair da cerimônia de mãos abanando.

Já Melhor Ator Coadjuvante parece estar bem resolvido, pois Mahershala Ali dominou a temporada de premiações do começo ao fim. Dev Patel segue na esperança graças ao prêmio recebido no BAFTA, mas sinceramente? Se for para apostar em alguém aqui, vá de Ali e Moonlight.

Melhor Atriz

  • Isabelle Huppert (Elle) (F)
  • Meryl Streep (Florence - Quem é Essa Mulher?) (0)
  • Natalie Portman (Jackie)
  • Emma Stone (La La Land) (F)
  • Ruth Negga (Loving)

Melhor Atriz Coadjuvante

  • Octavia Spencer (Estrelas Além do Tempo)
  • Viola Davis (Um Limite Entre Nós)
  • Michelle Williams (Manchester à Beira-Mar) (F)
  • Naomie Harris (Moonlight - Sob a Luz do Luar) (F)
  • Nicole Kidman (Lion - Uma Jornada Para Casa) (0)
Falando em categorias bastante resolvidas, a estatueta de Atriz Coadjuvante já deve estar a essa altura com o nome de Viola Davis impresso na base. A atriz dominou de cabo a rabo uma categoria que este ano está bastante forte e com tantas atuações excelentes, além de com grande diversidade étnica.

Melhor Atriz também aparenta estar fechada com a performance de Emma Stone em La La Land, mas neste caso paira a dúvida sobre o quão forte chegará Isabelle Huppert na competição. Apesar desta ser a primeira oportunidade da Academia premiar a veterana atriz francesa, que sem dúvida teve em 2016 um ano brilhante, pesa contra Huppert a resistência de uma parcela dos votantes em assistir o filme pelo qual ela foi indicada, o polêmico Elle do sempre polêmico Paul Verhoeven. A briga é boa, ainda mais porque Meryl Streep está bem de fora.

Melhor Animação

Melhor Documentário

  • A 13° Emenda
  • Fogo no Mar (0)
  • Eu Não Sou Seu Negro
  • Life, Animated
  • O.J.: Made in America (F)

Melhor Filme Estrangeiro

Categorias que sempre trazem títulos interessantes para o Oscar, as corridas pelas estatuetas de Animação, Documentário e Filme Estrangeiro este ano possuem status bastante distintos. A primeira, por exemplo, já está consumada pela vitória de Zootopia, novo filme da Disney cuja temática do preconceito agradou a ampla maioria dos votantes. Quem pode estragar a festa, porém, é Kubo e as Cordas Mágicas, grande animação do estúdio Laika que tem uma boa parcela de fãs na Academia.

Na briga pelo Oscar de Documentário, o prêmio é incerto justamente pelo nível de aceitação dos votantes com o gigante O.J.: Made in America, documentário de oito horas da ESPN sobre o ex-jogador de futebol americano O.J. Simpson. O longa, afinal, tem sido objeto de discussão sobre ser ou não ser um filme por ter seu formato enquadrado como o de uma série de episódios, e este debate pode aumentar as chances dos outros indicados. Entre eles, o que ganha mais fôlego na corrida é o Life, Animated de Roger Ross Williams, que por ser o único documentário "inofensivo" nomeado - os outros quatro tratam de temas políticos pesados como a questão racial nos EUA e da imigração na Europa - se enquadra perfeito no padrão dos vencedores da categoria nos últimos anos.

Política, vale dizer, é o grande fator a confundir as apostas para Melhor Filme Estrangeiro este ano. A princípio tido como dividido entre o alemão Toni Erdmann e o dinamarquês Terra de Minas, o favoritismo do prêmio de súbito se deslocou para o iraniano O Apartamento depois da medida de barrar a entrada de pessoas do país nos EUA empreendida pelo presidente Donald Trump impedir que o celebrado cineasta e autor do indicado Asghar Farhadi marcasse presença na cerimônia. Uma vitória de O Apartamento com certeza se traduziria na resposta de Hollywood ao governo, mas não dá pra saber o quão empenhado politicamente os votantes estão com esta proposta.

Melhor Animação em Curta-Metragem

Melhor Documentário em Curta-Metragem

  • 4.1 Miles (F)
  • Extremis (0)
  • Joe's Violin
  • Watani: My Homeland
  • The White Helmets

Melhor Curta-Metragem

  • Ennemis Intérieurs
  • La Femme et le TGV
  • Silent Nights
  • Sing
  • Timecode
As categorias de filmes em curta-metragem sempre são um mistério por causa da grande dificuldade de acesso aos indicados, mas eles também tem seus favoritos. Em documentário, Joe's Violin segue a cartilha inofensiva do gênero dentro da premiação e por isso mesmo tem de tudo para levar a estatueta; na animação, a briga é boa entre o fofo curta da Pixar Piper e o filme em 360° Pearl; na principal do formato, o dinamarquês Silent Nights é apontado entre os especialistas como grande favorito.

Melhor Fotografia

  • A Chegada
  • La La Land - Cantando Estações
  • Lion - Uma Jornada Para Casa
  • Moonlight - Sob a Luz do Luar (F)
  • Silêncio (0)

Melhor Montagem

  • Até o Último Homem
  • A Chegada
  • La La Land - Cantando Estações
  • Moonlight - Sob a Luz do Luar (F)
  • A Qualquer Custo (0)
As categorias de montagem e fotografia em 2017 são idênticas no status da corrida: La La Land e A Chegada estão na frente e em pé de igualdade, mas podem ser atropelados por um terceiro elemento. No caso da montagem, este terceiro é Moonlight, que pode ganhar pontos para Melhor Filme aqui; para fotografia, a vitória de Lion na ASC Awards (o prêmio da Sociedade Americana de Diretores de Fotografia, que nos últimos dez anos coincidiu com o Oscar em seis ocasiões) o garante lugar na briga. 

Melhor Trilha Sonora

  • Jackie
  • La La Land - Cantando Estações
  • Lion - Uma Jornada Para Casa (F)
  • Moonlight - Sob a Luz do Luar
  • Passageiros (0)

Melhor Canção

  • "The Empty Chair" (Jim: The James Foley Story) (0)
  • "Audition (The Fools Who Dream)" (La La Land - Cantando Estações)
  • "City of Stars" (La La Land - Cantando Estações)
  • "How Far I'll Go" (Moana - Um Mar de Aventuras)
  • "Can't Stop The Feeling" (Trolls) (F)
Nas categorias musicais do Oscar a probabilidade de La La Land dominar é gigantesca. O curioso, porém, é que enquanto o prêmio de Trilha Sonora soa como algo garantido (o esforço do compositor Justin Hurwitz, que passou cinco anos aperfeiçoando as músicas do filme, é o tipo de história que agrada muito os ouvidos dos votantes), a estatueta de Melhor Canção encontra-se ameaçada por uma possível divisão nos votos das duas músicas pelo qual La La Land foi nomeada, algo que pode favorecer muito Moana e Lin-Manuel Miranda, nome atualmente muito forte na indústria por causa do sucesso estrondoso de seu musical Hamilton.

Melhor Design de Produção

Melhor Figurino

  • Aliados (0)
  • Animais Fantásticos e Onde Habitam
  • Florence - Quem é Essa Mulher?
  • Jackie
  • La La Land - Cantando Estações (F)
As chances de rapa de La La Land continuam altas em Figurino e Design de Produção. A reconstituição histórica de filmes de época como Jackie, Ave, César! e Animais Fantásticos e Onde Habitam e o visual clean de A Chegada se posicionam nestas categorias como maiores oponentes, mas é difícil ver os votantes saírem do transe proporcionado pelas cores do musical para votar em outros nomeados.

Melhor Maquiagem e Penteados

Melhores Efeitos Visuais

As corridas de Maquiagem e Penteados e Efeitos Visuais este ano são acirradas porque elas, ao contrário de edições anteriores, não tem em 2017 um favorito absoluto. Claro que o trabalho de envelhecimento do sueco Um Homem Chamado Ove dificilmente perde a primeira estatueta para o último Star Trek e a briga no segundo se resume entre os animais fotorrealistas de Mogli e as criaturas e o Tarkin de Rogue One, mas nas duas há grande potencial para reviravoltas.

De garantido mesmo só a impossibilidade de Esquadrão Suicida levar um Oscar, um evento/vexame pra lá de improvável.

Melhor Edição de Som

Melhor Mixagem de Som

La La Land, de novo? É verdade que o filme também é favorito para as categorias de som e pode ampliar o número de prêmios aqui, mas estas são vitórias nem um pouco definidas. Mesmo que azarões como Sully, Horizonte Profundo e 13 Horas sejam improváveis, as presenças de A Chegada e principalmente Até o Último Homem se fazem ameaças reais para o musical, podendo roubar as duas estatuetas na hora H.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Crítica: Estrelas Além do Tempo

Filme emancipa protagonistas como heroínas contra uma opressão pelo esquecimento. 

Por Pedro Strazza.

Existem dois processos históricos distintos em curso em Estrelas Além do Tempo, cinebiografia sobre um grupo de matemáticas negras que contribuíram de forma decisiva para os esforços empreendidos pela NASA nos anos 60. O primeiro é a História dos Estados Unidos no cenário mundial, com a Guerra Fria levando os americanos e a União Soviética a gastarem milhões na corrida espacial que culminaria na chegada do homem à lua em 1969 e consagraria astronautas como Yuri Gagarin, John Glenn e Neil Armstrong em heróis. Foi uma disputa para comprovar qual era a nação mais poderosa do mundo e que só fortaleceu o orgulho nacional dos estadunidenses, mesmo com a Guerra do Vietnã estando em curso naquela época.

Já o segundo processo em movimento na produção é o momento pelo qual passa a questão racial nos Estados Unidos, que surge aqui como um próprio lado da História a ser oprimido. Enquanto o programa espacial tem todo o destaque na mídia e nas preocupações cotidianas dos personagens, a segregação entre brancos e negros encontra-se em pleno curso mas é levado a sutilezas nem um pouco sutis, restringindo as ações e ambições de indivíduos somente por causa da cor de sua pele. As lutas lideradas por Martin Luther King Jr. e Malcolm X, enquanto isso, parecem se passar em uma realidade muito distante, aparecendo nos noticiários quase como se ocorressem em outro país.

Nesse sentido, o que o longa dirigido por Theodore Melfi faz é atuar sob uma noção de emancipação de forças, agindo em torno destas duas Histórias que se manifestam em sua narrativa. Baseado no livro homônimo de Margot Lee Shetterly, o roteiro escrito por Melfi e Allison Schroeder trabalha as histórias de vida de Katherine G. Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughan (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe) e as dificuldades passadas por elas na NASA afim de consagrá-las como heroínas de uma época quebrada e uma causa impossível, fazendo dos "pequenos" racismos (e machismos) feitos contra elas uma verdadeira série de obstáculos criados pelo sistema com o único intuito de impedi-las de participarem do grande processo histórico mundial que acontece naquele momento.

Assim, o que se vê em Estrelas Além do Tempo é uma jornada das protagonistas para provar suas óbvias capacidades profissionais aos brancos que as cercam. Do policial incrédulo no início com a presença de negras na NASA ao comportamento dos funcionários da agência, as três matemáticas passam por todo tipo de opressão enquanto tentam atingir suas metas apesar de sua condição: Johnson tenta se manter dentro do núcleo central do programa espacial, Vaughan busca dar futuro às funcionárias negras que supervisiona e Jackson almeja se tornar a primeira engenheira afro-descendente do órgão. No processo, o roteiro sabe criar situações de enfrentamento mínimo entre as partes que evidenciem estes preconceitos sem precisar recorrer a arquétipos típicos destas produções - as três mulheres, por exemplo, não se conformam com os rebaixamentos feitos a suas pessoas, enquanto o diretor do programa vivido por Kevin Costner é menos um herói e mais um branco a ser conscientizado do próprio preconceito -, tornando palpável ao espectador os três arcos de superação de adversidades manifestados ali.

O que prejudica um pouco os esforços bem intencionados do filme, porém, é o próprio aspecto de contenção da direção de Melfi, que mostra ter uma mão muito fraca para conduzir o teor forte da história. É algo que fica claro não apenas na limitação destes embates - os momentos de explosão real são surpreendentemente restritos a um ou dois momentos - mas também no pouco enfoque dado aos machismos da trama, vindo de brancos e negros para tornar a jornada das três ainda mais difícil. Se o equilíbrio histórico é chave para tornar Estrelas Além do Tempo uma obra mais atrativa em suas pretensões, a ausência disso na questão dos preconceitos encarados se torna em um fator limitador à trama, que perde um pouco de seu apelo tão instigante.

A sorte de Melfi é que tal qual em Um Santo Vizinho ele conta com um bom elenco e sabe como dar o tempo necessário para que cada um dos integrantes desenvolva sua atuação, algo por sua vez suficiente para preencher as lacunas de seu trabalho. Ancoradas por bons coadjuvantes (Costner e Kirsten Dunst lidam com tranquilidade o papel de culpa não assumida quando preciso), Henson, Spencer e Monáe possuem aqui uma ótima dinâmica de cena e também carregam com tranquilidade suas jornadas de emancipação como ícones silenciosos de toda uma população silenciada - algo que seu diretor e roteiristas ora ou outra sabem indicar espacialmente, seja pelo banheiro para negros tão fora de mão, pela sala proibida a mulheres ou no plano final que aos poucos oculta os protagonistas de uma História fabricada e destaca uma de uma História esquecida.

Nota: 6/10