Han Solo - Uma História Star Wars

Leia a nossa crítica do mais novo derivado da saga!

Deadpool 2

Continuação tenta manter a subversão do original enquanto se rende às convenções hollywoodianas

Desejo de Matar

Eli Roth aterroriza ação do remake e não deixa os temas caírem na ingenuidade

Nos Cinemas #1

Nossos comentários sobre O Dia Depois, Submersão e Com Amor, Simon

Jogador N° 1

Spielberg faz seu comentário sobre o próprio legado em Hollywood sem esquecer do espetáculo no processo

Mostrando postagens com marcador Ghostbusters. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ghostbusters. Mostrar todas as postagens

sábado, 16 de julho de 2016

Crítica: Caça-Fantasmas

Remake atualiza enredo para consagrar feminino como ícone.

Por Pedro Strazza.

Em sua filmografia recente, Paul Feig vem se destacando por criar comédias que, além de trazerem protagonistas femininas, concebem situações capazes de promover a identificação entre mulheres de diferentes perfis para, depois, as uni-las em meio às dificuldades passadas. Missão Madrinha de Casamento e A Espiã que Sabia de Menos, seus longas de maior sucesso até o momento, são dotados de uma carga feminista bastante interessante, e sua direção tende a um teste de limites que tire comédia disso. Com Caça-Fantasmas, reboot da celebrada comédia de 1984 estrelada por Bill Murray e Harold Ramis, esse "maneirismo" de Feig ganha algumas mudanças, mas não por isso o diretor perde sua qualidade - muito pelo contrário, ele tem seu cinema potencializado a novos caminhos.

São mudanças que se percebem na atualização que Feig e sua co-roteirista Katie Dippold buscam nesta reapresentação da franquia, apesar de a dupla manter em voga o arco de personagem típico dos filmes do cineasta. Substituindo o quarteto masculino por um feminino (Kristen Wiig, Melissa McCarthy, Leslie Jones e Kate McKinnon, todas reveladas no programa humorístico SNL), o novo Caça-Fantasmas deixa de lado o senso caótico com os estratos sociais e o abismo entre a elite e o povo para tratar do choque contemporâneo de gêneros, um enfrentamento constante do feminismo com os setores mais conservadores da sociedade. O único ponto de convergência entre original e remake, aqui, é a observação crítica e extremamente bem humorada de tais conflitos, com uma inclinação notável a equilibrar a balança.

No caso da nova versão, esse conflito se estabelece bastante na iconografia de seus personagens e elementos. Mas ao contrário de outros recentes novos capítulos a franquias antigas, que usam disso pelo viés da nostalgia de maneira escancarada e seguem pelo caminho mais fácil e já conhecido do público (Jurassic World, Star Wars - O Despertar da Força, O Exterminador do Futuro - Gênesis, Independence Day - O Ressurgimento), o filme, ainda que continue essa tradição de reverenciar com alguma efusividade o passado - as pontas e referências ao elenco original são muito bem alinhadas às necessidades do roteiro, mas às vezes não deixam de soar gratuitas em seu destaque - prefere trabalhar tal valor imagético pelo exercício da desconstrução, bastante utilizado dentro do gênero da comédia.

Dessa forma, Feig tem em mãos um cenário conhecido e ao mesmo tempo não explorado: Suas protagonistas de novo encaram ambientes que não as reconhecem e que tentam as separar a todo custo, mas sua resolução não se dá por meio do choque de tipos - não há um desentendimento entre as partes envolvidas, afinal. Partindo de perfis visuais universais, Erin Gilbert (Wiig), Abby Yates (McCarthy), Patty Tolan (Jones) e Jillian Holtzmann (McKinnon) seguem unidas em uma jornada de consagração como ícones, heróis femininos em um mundo dominado por homens arrogantes, que no longa são retratados ou de grandes imbecis, a exemplo do prefeito interpretado por Andy Garcia e o hilário assistente da equipe Kevin (Chris Hemsworth, cada vez melhor em papéis cômicos), ou homens assustadores, como o professor Filmore (Charles Dance) e o vilão Rowan North (Neil Casey). Este último inclusive possui todas as características conhecidas do conhecido machão moderno e antagonista ao gênero oposto: fraco, infantil e, como a trama bem define em certo momento, com cara de quem fica em casa o dia inteiro na internet.

O humor do filme surge, então, desses inevitáveis confrontos do cenário. Ao contrário dos outros trabalhos, Feig não mantém um ritmo frenético constante de gags ou leva seus personagens a extremos (a escatologia é controlada), mas direciona seus conceitos de comédia à essa afirmação de gênero da equipe do qual elas obtém a glória. Enquanto dá espaço ao elenco e trabalha com piadas físicas (o laser no saco do inimigo é um belo de um ápice dentro dessa linha), ele também se arrisca na ação, orquestrando planos que escondam (com sucesso ou não) sua inexperiência com o gênero ao materializar o empoderamento de suas protagonistas - não à toa, o longa duas vezes realiza um recuo de câmera que apresenta o momento em que o grupo liga suas armas, uma imagem que sozinha demonstra o poder contido dentro das quatro mulheres.

A força de Caça-Fantasmas mora justamente nesse processo. Pela imagem que coloca suas protagonistas em posições heroicas e a centralidade da temática feminista, Feig e seu quarteto promovem uma obra inspiradora, que tem em seus alicerces a valorização de ideais atuais e fundamentais a uma sociedade em plena transformação. O filme a bem da verdade funciona pela admiração, e a comprovação máxima de sua eficácia é o momento no terceiro ato em que Holtzmann - talvez um dos elementos mais importantes sob esse ângulo - enfrenta sozinha e com um par de pistolas criadas por ela um grupo de fantasmas, derrotando-os um a um com as poses e a imponência das quais tem direito e com naturalidade reivindica para si. O filme de 1984 não poderia estar mais distante e orgulhoso.

Nota: 8/10

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Preview 2016: Cinema

O que 2016 promete no mercado cinematográfico?

Por Pedro Strazza.

Como já dito no Melhores do Ano, 2015 foi um ano de reinícios e tentativas de adaptação. Enquanto grandes franquias de antigamente buscaram o retorno, a discussão sobre a mulher no cinema guiou os rumos da sétima arte em todos os sentidos, na tentativa de quebrar paradigmas há tantos séculos erguidos e nunca alterados pela indústria.

Mas como isso irá se comportar 2016? A princípio, é natural considerar que os dois tópicos do ano passado continuem - e irão mesmo continuar - reverberando nas grandes e pequenas produções dos próximos 365 dias.

O ano que se inicia, porém, também promete trazer duas vertentes importantes para o mercado, pelo menos no que se refere ao calendário de blockbusters hollywoodianos de 2016. A primeira envolve o ápice da "Era dos Super-Heróis", que com a ajuda dos atuais três maiores estúdios responsáveis pelos rumos do subgênero (Disney/Marvel Studios, Warner e 20th Century Fox) irá desembarcar nada menos que seis grandes produções ao longo dos próximos doze meses. Será em média um filme de super-herói a cada sessenta dias, o primeiro teste das adaptações de quadrinhos como líderes desse mercado e contra o  seu inevitável inchaço - que a passos lentos começa a se aproximar.

A segunda, também relevante, é o ato inaugural dos spin-offs de milionárias franquias, que com o advento de Rogue One: A Star Wars Story e Animais Fantásticos e Onde Habitam - e estimulados pelos números razoáveis de Creed - Nascido Para Lutar - tentam trazer os mesmos números do passado apostanto na estratégia da Marvel Studios. Depois do leve desapontamento com os prelúdios, os grandes estúdios de Hollywood ficarão bastante atentos ao desempenho destes dois derivados nas bilheterias, cujos resultados serão decisivos para o futuro dos blockbusters. Em caso de sucesso, é de se esperar a disseminação de histórias ambientadas em universos conhecidos do público para os próximos anos; se fracassarem, é mais uma porta que se fecha para Hollywood em sua eterna procura por enormes quantias de dinheiro.

De resto, quem sabe o que acontecerá? 2016 decididamente será um ano interessante, e as próximas dezoito produções são prova cabal disso.

Bom lembrar:
  • TODAS os filmes presentes nessa lista tem estreia marcada para depois do mês de janeiro. Dessa maneira, evita-se eventuais sobras do ano anterior como Os Oito Odiados, Steve Jobs, Carol etc.
  • As produções aqui listadas estão organizadas por ordem de gosto pessoal, e não por serem "os filmes mais esperados pelo público em 2016". Seria uma presunção enorme de minha parte acreditar que minhas preferências cinéfilas são reflexo direto do público. Além disso, tomar uma medida dessas incluiria eu acrescentar filmes como Deadpool, Warcraft - O Primeiro Encontro de Dois Mundos e Procurando Dory, que de início não aguardo ansioso como muitos devem estar.
Vamos a eles:

16) Knight of Cups

Depois da natureza, Terrence Mallick vai à cidade. O diretor de Além da Linha Vermelha e do premiadíssimo Árvore da Vida se junta a Christian Bale, Cate Blanchett, Natalie Portman e o badalado diretor de fotografia Emmanuel Lubezki para filmar mais uma de suas histórias, agora situada nos "palácios do cinema" de Los Angeles. Se isso vai ser bom ou ruim...
Previsão de estreia: 14 de abril (sujeito a mudanças)

15) Orgulho e Preconceito e Zumbis

Já há um tempo em produção, a adaptação da paródia do clássico de Jane Austen finalmente sairá do papel em 2016... e parece ser algo divertido! Com nomes conhecidos no elenco (Lily James, Matt Smith, Charles Dance!) e uma disposição a fazer humor sem ser escrachado, o longa do diretor Burr Steers pode ser o terrir trash que todos nós estamos precisando.
Previsão de estreia: 4 de fevereiro (sujeito a mudanças)

14) Mogli - O Menino Lobo

Eu sei que a essa altura é difícil de ser otimista com os live-action de contos de fada, mas no ano em que teremos Alice Através do Espelho (ugh) também estreia essa nova adaptação de Mogli, que comandada por Jon Favreau (uma face de dois gumes, bom lembrar) é a nova grande promessa do nicho. O visual dos animais estão incríveis, pelo menos.
Previsão de estreia: 14 de abril

13) Vizinhos 2

O primeiro Vizinhos surpreendeu em 2014 com ótimas piadas e um tipo de conflito difícil de se ver bem executado em comédias. Dois anos depois, a vida do casal vivido por Seth Rogen e Rose Byrne volta a ser incomodada por uma fraternidade de faculdade, agora comandada por Chloë Grace-Moretz e Selena Gomez. Com Nicholas Stoller e Rogen respectivamente de volta à direção e o roteiro, tem como dar errado?
Previsão de estreia: 19 de maio

12) Invocação do Mal 2

Enfim é o ano da tão esperada sequência do terror de casa assombrada que liderou o gênero em 2013. Com os retornos de Vera Farmiga, Patrick Wilson e o diretor James Wan, espera-se de Invocação do Mal 2 o mesmo nível de qualidade nos sets de horror e tensão, pronto para deixar qualquer espectador suando frio e assustado em sua cadeira.
Previsão de estreia: 9 de junho

11) Zootopia - Essa Cidade é o Bicho

Atualmente em uma boa sequência (desde Detona Ralph que o estúdio não erra?), as animações da Disney trazem mais um representante em 2016 que promete ter o mesmo nível de criatividade de tantos outros trabalhos do departamento. Situado em um mundo de animais antropomorfizados, Zootopia parece seguir o caminho das histórias policiais com os toques multicoloridos do estúdio, com a famosa lição bonitinha no final. E pelo trailer, as risadas estão garantidas.
Previsão de estreia: 18 de fevereiro

10) Assassin's Creed

Outro filme que já tá pra sair há um tempo, o primeiro capítulo nos cinemas da série de games Assassin's Creed chega esse ano com um time até que invejável. Além do diretor Justin Kurzel (que vem de uma adaptação de Macbeth cheia de firulas e pouca substância), o filme conta no elenco com estrelas de primeiro porte como Michael Fassbender, Marion Cotillard e Brendan Gleeson, todos preparados para contar uma história inédita da franquia nas telonas.
Previsão de estreia: 22 de dezembro (sujeito a mudanças)

9) O Bom Gigante Amigo

Depois de fazer três filmes que emulavam os clássicos estadunidenses, Steven Spielberg volta à fantasia em sua primeira parceria com a Disney, numa história que envolve gigantes e crianças. Difícil de não empolgar.
Previsão de estreia: 8 de setembro

8) Batman Vs Superman - A Origem da Justiça/Capitão América - Guerra Civil/X-Men - Apocalypse

2016 decididamente é o ano dos apocalipses nos filmes de super-herói. Batman e Superman se confrontam para depois criar a Liga da Justiça com Mulher Maravilha (que faz sua estreia nos cinemas e pode ser uma das grandes personagens do ano); Capitão América e Homem de Ferro lutam entre si para decidir se os heróis serão controlados pelo governo enquanto estabelecem no Universo Marvel o Pantera Negra e o Homem-Aranha (dois personagens que podem se destacar no ano); e os X-Men literalmente enfrentam o fim do mundo na figura de Apocalipse enquanto introduzem mais uma vez alguns de seus integrantes mais famosos (personagens que podem... ok, nesse caso não).

De tanta destruição e sofrimento, eu só espero que não canse e fique chato.
Previsão de estreia: 24 de março/28 de abril/19 de maio

7) Independence Day - O Ressurgimento

O diretor Roland Emmerich pode ter feito muita bobagem nesses últimos anos (e não foi pouca), mas voltar a Independence Day pode ter sido sua melhor ideia. Com boa parte do elenco retornando - acho que só faltou o Will Smith mesmo - e com escala de destruição multiplicada, O Ressurgimento é o tipo de épico combinado a filme de desastre que soa divertido em essência. É torcer para que isso ocorra.
Previsão de estreia: 23 de junho

6) Ave, César!

Os Irmãos Coen estão de volta à direção e à comédia, em um filme situado na era de ouro de Hollywood e com grande elenco. Tem como não ficar animado???
Previsão de estreia: 10 de março (sujeito a mudanças)

5) Animais Fantásticos e Onde Habitam

Mais de cinco anos depois do fim da saga, o bruxo mais famoso da atualidade retorna às telonas... em parte. Baseado no livreto "teórico", Animais Fantásticos e Onde Habitam é tanto o primeiro esforço da franquia Harry Potter em expandir seu universo como a estreia de J.K. Rowling na redação de roteiros, em um filme que promete ser um suspense atmosférico de época com magia e criaturas famosas. Com David Yates de volta à direção (e pela primeira vez sem o nada criativo roteirista Steve Kloves para incomodá-lo) e forte time de atores e atrizes liderado pelo queridinho do público Eddie Redmayne, é o tipo de filme que pode surpreender em sua proposta.
Previsão de estreia: 10 de novembro

4) Esquadrão Suicida

Se no casting o filme não o convenceu, no trailer com certeza o fez. Comandado por David Ayer, a primeira incursão do Esquadrão Suicida nas telonas é a real grande promessa da DC para 2016, já que com personagens desconhecidos e consequente menor pressão de adaptação o filme pode surpreender mais o público - que já vai pagar o ingresso mesmo para ver o novo Coringa dos cinemas. E dado que Ayer sabe trabalhar com elencos inchados e dirigir ação (só ver Corações de Ferro), o longa tem bastante espaço para crescer.
Previsão de estreia: 4 de agosto

3) Doutor Estranho

Apesar de estar cada vez mais preso à fórmula que criou, a Marvel Studios tem em 2016 uma boa chance de se renovar com a estreia de Doutor Estranho nos cinemas. Contando com um diretor oriundo do terror, Scott Derrickson, e um elenco mais forte que o normal (Tilda Swinton? Chiwetel Ejiofor? Rachel McAdams? Mads Mikkelsen?), a primeira incursão do personagem interpretado aqui por Benedict Cumberbatch promete psicodelia e ideias loucas, algo que pode ser muito bem vindo ao Universo Cinematográfico Marvel depois de tanta repetição e produtos que, tirando algumas exceções, não escapam do mediano.
Previsão de estreia: 3 de novembro

2) Rogue One: A Star Wars Story

O episódio VIII ainda está um pouco longe de sair, mas Star Wars volta de novo às telonas em 2016 com um experimento diferente. Pela segunda vez apostando no formato de derivado (ou terceira, se contar o piloto cinematográfico de Clone Wars), a saga de fantasia investe numa história mais sóbria que Caravana da Coragem, contando a história dos rebeldes que foram responsáveis pelo roubo dos planos da Estrela da Morte original. O primeiro ponto forte do filme, deixando de lado os bons atores, é a escolha do diretor Gareth Edwards, que como provado no último Godzilla sabe muito bem ajustar a proporção de suas histórias na telona - algo que um filme paralelo à linha de eventos principal precisa saber fazer.
Previsão de estreia: 15 de dezembro

1) As Caça-Fantasmas

A princípio, o remake de Os Caça-Fantasmas parece ser o filme que vai fazer jus aos ensinamentos de 2015. Com um diretor que sabe fazer piada com os machismos da sociedade (Paul Feig, de Missão Madrinha de Casamento e A Espiã que Sabia de Menos) e um time só de mulheres - todas comediantes e que incluem as ótimas Melissa McCarthy e Kristen Wiig - auxiliados por um secretário interpretado por Chris Hemsworth (fantástico!), o filme parece ter o mesmo espírito marginal dos dois antecessores, disposto a enfrentar as hipocrisias da sociedade com muito humor. E isso é o tipo de coisa que o cinema precisa.
Previsão de estreia: 14 de julho