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terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

ESPECIAL: Oscar 2017

Tudo sobre a 89° edição dos Academy Awards!

Outros indicados

Edições anteriores

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Oscar 2017: Indicados

Academia repara erros e traz surpresas em sua 89° edição.

Por Pedro Strazza.

Na manhã desta terça-feira (24), a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas anunciou a lista de indicados à 89° edição do Oscar. A divulgação dos filmes nomeados, feita por meio de uma transmissão nas redes sociais, confirmou a presença de obras favoritas ao prêmio como La La Land - Cantando Estações e Moonlight - Sob a Luz do Luar nas principais categorias e trouxe grandes surpresas, além de atender os pedidos de muitos na questão de diversidade racial.

Grande exemplo disso está nas categorias de atuação, que depois de dois anos com somente indicados brancos trouxeram em 2017 forte presença negra. Denzel Washington, Ruth Negga e Mahershala Ali foram lembrados respectivamente em Melhor Ator, Atriz e Ator Coadjuvante, ao passo que a trinca formada por Viola Davis, Octavia Spencer e Naomie Harris dominou as nomeações de Atriz Coadjuvante - que conta ainda com Michelle Williams e Nicole Kidman no páreo. Em Melhor Filme, uma grata surpresa: Dos nove indicados, três produções são protagonizadas por negros, o que por si só já evidencia a maior heterogeneidade das obras escolhidas como melhores do ano.

Nos números, quem dominou as atenções foi La La Land. Graças à lembrança dupla na categoria de Melhor Canção, o musical de Damien Chazelle chegou ao recorde de nomeações para um mesmo filme, empatando no histórico da premiação com A Malvada e Titanic com 14 indicações. Atrás dele ficaram Moonlight e A Chegada (que teve a nomeação para Amy Adams em Melhor Atriz esnobada), com 8 indicações, e Manchester à Beira-Mar, Lion - Uma Jornada Para Casa e Até o Último Homem, com 6.

Falando em Até o Último Homem, o filme foi protagonista de uma das grandes surpresas da manhã com sua indicação inesperada para Melhor Diretor - Mel Gibson, afinal, não é lá tão querido assim na indústria graças às suas inúmeras polêmicas nos últimos anos. Outras entradas de última hora foram Isabelle Huppert em Melhor Atriz - cuja vitória no Globo de Ouro impulsionou sua nomeação, apesar da interminável polêmica com relação ao filme que protagoniza, Elle -, Michael Shannon por Animais Noturnos em Melhor Ator Coadjuvante, a dupla indicação de Passageiros (para Trilha Sonora e Design de Produção!) e Esquadrão Suicida (?!) em Melhor Maquiagem e Penteados.

Os 62 filmes nomeados saberão se levaram a estatueta mais cobiçada de Hollywood na noite do dia 26 de fevereiro. Confira abaixo a lista final de indicados do Oscar 2017:

Melhor Filme

Melhor Direção

  • Mel Gibson (Até o Último Homem)
  • Dennis Villeneuve (A Chegada)
  • Damien Chazelle (La La Land - Cantando Estações)
  • Kenneth Lonergan (Manchester à Beira-Mar)
  • Barry Jenkins (Moonlight - Sob a Luz do Luar)

Melhor Roteiro Adaptado

  • A Chegada
  • Estrelas Além do Tempo
  • Lion - Uma Jornada Para Casa
  • Moonlight - Sob a Luz do Luar
  • Um Limite Entre Nós

Melhor Roteiro Original

  • Mulheres do Século 20
  • La La Land - Cantando Estações
  • O Lagosta
  • Manchester à Beira-Mar
  • A Qualquer Custo

Melhor Ator

  • Andrew Garfield (Até o Último Homem)
  • Viggo Mortensen (Capitão Fantástico)
  • Ryan Gosling (La La Land - Cantando Estações)
  • Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar)
  • Denzel Washington (Um Limite Entre Nós)

Melhor Atriz

  • Isabelle Huppert (Elle)
  • Meryl Streep (Florence - Quem é Essa Mulher?)
  • Natalie Portman (Jackie)
  • Emma Stone (La La Land - Cantando Estações)
  • Ruth Negga (Loving)

Melhor Ator Coadjuvante

  • Michael Shannon (Animais Noturnos)
  • Dev Patel (Lion - Uma Jornada Para Casa)
  • Lucas Hedges (Manchester à Beira-Mar)
  • Mahershala Ali (Moonlight - Sob a Luz do Luar)
  • Jeff Bridges (A Qualquer Custo)

Melhor Atriz Coadjuvante

  • Octavia Spencer (Estrelas Além do Tempo)
  • Michelle Williams (Manchester à Beira-Mar)
  • Naomie Harris (Moonlight - Sob a Luz do Luar)
  • Nicole Kidman (Lion - Uma Jornada Para Casa)
  • Viola Davis (Um Limite Entre Nós)

Melhor Animação

Melhor Animação em Curta-Metragem

Melhor Documentário

  • A 13° Emenda
  • Eu Não Sou Seu Negro
  • Fogo no Mar
  • Life, Animated
  • O.J.: Made in America

Melhor Documentário em Curta-Metragem

  • 4.1 Miles
  • Extremis
  • Joe's Violin
  • Watani: My Homeland
  • The White Helmets

Melhor Filme Estrangeiro

Melhor Fotografia

  • A Chegada
  • La La Land - Cantando Estações
  • Lion - Uma Jornada Para Casa
  • Moonlight - Sob a Luz do Luar
  • Silêncio

Melhor Montagem

  • Até o Último Homem
  • A Chegada
  • La La Land - Cantando Estações
  • Moonlight - Sob a Luz do Luar
  • A Qualquer Custo

Melhor Trilha Sonora

  • Jackie
  • La La Land - Cantando Estações
  • Lion - Uma Jornada Para Casa
  • Moonlight - Sob a Luz do Luar
  • Passageiros

Melhor Canção

  • "The Empty Chair" (Jim: The James Foley Story)
  • "Audition (The Fools Who Dream)" (La La Land - Cantando Estações)
  • "City of Stars" (La La Land - Cantando Estações)
  • "How Far I'll Go" (Moana - Um Mar de Aventuras)
  • "Can't Stop The Feeling" (Trolls)

Melhor Design de Produção

Melhor Figurino

  • Aliados
  • Animais Fantásticos e Onde Habitam
  • Florence - Quem é Essa Mulher?
  • Jackie
  • La La Land - Cantando Estações

Melhor Maquiagem e Penteados

Melhores Efeitos Visuais

Melhor Edição de Som

Melhor Mixagem de Som

Melhor Curta-Metragem

  • Ennemis Intérieurs
  • La Femme et le TGV
  • Silent Nights
  • Sing
  • Timecode

sábado, 26 de novembro de 2016

Crítica: A Chegada

Villeneuve aposta no emocional em ficção-científica intimista.

Por Pedro Strazza.

É muito por causa do gênero ao qual ambas as produções se inserem, mas é inevitável comparar A Chegada - o novo longa do canadense Denis Villeneuve - com o Interestelar de Christopher Nolan. Os dois filmes, afinal, são a primeira incursão pela ficção-científica de dois cineastas acostumados com a materialidade da realidade (Os Suspeitos, Incêndios, a trilogia O Cavaleiro das Trevas) e as tramas labirínticas dos dilemas psicológicos (O Homem Duplicado, A Origem), que usam tramas aparentemente complexas para disfarçar estruturas lúdicas bastante simples. Villeneuve e Nolan são diretores apreciados pelo público e a crítica por saberem transitar muito bem entre esferas de narrativa básicas e intrincadas, mas também coletam posições contrárias às suas obras por não mostrarem o mesmo talento na hora de trabalhar o lado emocional da coisa.

O curioso é que é justo na ficção-científica - gênero habituado a trabalhar as emoções humanas da forma mais racional possível - que os dois vejam seu cinema entrar em um ponto semelhante de crise. Pois o foco inesperado que ambos os diretores dão a uma trama sentimental e na maneira como eles optam por trabalhar seus temas a partir desta base, tanto em seus erros quanto em seus acertos, é a maior semelhança que os dois trabalhos compartilham.

Escrito por Eric Heisserer, o filme acompanha a chegada de doze espaçonaves alienígenas a diversos pontos da Terra e as reações de diversos governos e indivíduos frente a este evento extraordinário. A protagonista da história é a doutora Louise Banks (Amy Adams), linguista que é chamada pelos militares estadunidenses para junto do físico Ian Donnelly (Jeremy Renner) tentar decifrar a linguagem e se comunicar com os alienígenas que habitam o estranho casulo localizado na região central do país. Quanto mais eles demoram para quebrar o código, porém, mais tensas ficam as relações entre as nações sobre a questão.

Não convém aqui dissecar a estrutura do longa e o formato ao qual a narrativa aos poucos adquire porque a grande surpresa da obra está justo nestas, mas é válido dizer que como ficção-científica A Chegada é um bom drama intimista. O arco de luto ao qual a personagem de Adams é submetida é o maior ponto de interesse do diretor no filme, com o resto da produção dedicado a alimentar e avançar no desenvolvimento de suas angústias.

Essa afirmação, entretanto, soa quase paradoxal ao gênero, que prescinde os conflitos interiores do indivíduo não para torná-los ainda mais interiorizados, mas sim de extrapolá-los ao campo do dilema existencial coletivo. É aí que Villeneuve se aproxima de Nolan: assim como Interestelar, A Chegada tem em mãos uma trama de relações ao qual busca firmar na ficção-científica, mas não exatamente almeja usá-la a seu favor, relegando-a no processo à função de um mecanismo que movimenta a história. Se a odisseia espacial de Matthew McConaughey aproveitava o lado racional apenas para chegar a um propósito fantasioso que não compreendia o lado lógico (é bom recordar, toda a situação no buraco negro se apoia no sentimentalismo barato), a história de Banks flerta a todo instante com o cenário político e o mistério em cima dos alienígenas para no fim somente usá-los para mover a trama. À obra só interessa mesmo a parte interior, a emoção em seu estado mais primário.

É um viés que se percebe aos poucos no roteiro, mas que ocorre justo nos momentos onde o longa mais tem chances de decolar e não o faz. Cenas como do clímax ou do primeiro encontro de Banks e Donnelly com os extraterrestres - a narrativa vai em uma escalada para privilegiar essa situação e no fim a suprime sem grandes retornos, algo infelizmente repetido em todos os momentos de contato da dupla com os aliens - e elementos como discursos políticos e últimas palavras antes da morte - usados mais para alimentar alguma tensão ocasional - servem como reforço da dedicação exclusiva do filme com a situação emocional de sua protagonista, que nunca chega a ser extravasada ou contamina o ambiente ao seu redor.

E esse sentimentalismo, no fim, também é usado por Villeneuve como artifício. Pois A Chegada, afinal, também é mais um filme do diretor em que a trama é mero dispositivo lúdico e onde a reviravolta é a grande arma para arrebatar o espectador. Mas se em outros trabalhos essa estrutura tinha uma justificativa (mesmo Sicario conseguia encaixar isso em seus sets de suspense), aqui ela apenas esvazia a proposta da história e torna seu lado emocional mais brega - um fim curiosamente parecido com o da ficção-científica de Nolan.

Nota: 5/10