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domingo, 28 de fevereiro de 2016

Oscar 2016: Indicados e Vencedores

Em cerimônia auto-indulgente, Academia premia Mad Max e Spotlight.

Por Pedro Strazza.

Na noite deste domingo (28), a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas realizou no Dolby Theater em Los Angeles a 88° cerimônia de entrega do Oscar. A premiação foi conduzida por Chris Rock, que tomou a polêmica questão do Oscar branco como tema único da festa e a tratou com ironia, errando mais que acertando. Os filmes, enquanto isso, pareciam ter sido deixados de lado, lembrados ocasionalmente no anúncio dos vencedores em meio a diversos esquetes e piadas em cima do tema do racismo na indústria.

Na distribuição das estatuetas, quem se deu melhor foi Mad Max. Tirando Efeitos Visuais - que inacreditavelmente acabou nas mãos de Ex Machina, talvez o longa com menor orçamento a levar na categoria - O faroeste pós-apocalíptico de George Miller arrebanhou seis estatuetas na parte técnica, todas praticamente concentradas no início da cerimônia. Nas principais, a maior reviravolta aconteceu com Melhor Filme, vencida por Spotlight mesmo o filme tendo levado apenas uma outra estatueta na noite (Melhor Roteiro Original). É a primeira vez que isso acontece desde 1953, quando O Maior Espetáculo da Terra levou os mesmos dois prêmios.

No resto, poucas surpresas, muita sensação de uma entrega de prêmios burocrática. DiCaprio emocionou o público ao enfim levar sua estatueta de Melhor Ator, emendando com um discurso correto e grato a todos que o ajudaram na carreira; Vikander e Brie Larson confirmaram o favoritismo nas de atuações femininas; Lubezki levou pela terceira vez o Oscar de Fotografia, batendo recorde na categoria e desbancando pela terceira vez consecutiva o eterno azarado Roger Deakins; Iñárritu se juntou a John Ford e Joseph L. Mankiewicz ao vencer por dois anos seguidos a categoria de Melhor Diretor; e Ennio Morricone finalmente levou uma estatueta competitiva, graças a seu trabalho em Os Oito Odiados.

Duas outras surpresas aconteceram em Melhor Canção Original e Ator Coadjuvante. Na primeira, Sam Smith acabou com o troféu, pouco depois de Lady Gaga arrebatar o público no Dolby Theater com uma performance emocionante de Til It Happens to You. Já Mark Rylance surpreendeu ao levar o segundo no lugar de Sylvester Stallone, tido como favorito até então desde o SAG Awards.

Entupido de piadas pouco eficazes e esquetes de puro merchandising (a participação dos minions e de C3PO, R2-D2 e BB-8, por exemplo), o Oscar 2016 soou como uma grande paródia de si mesmo, muito mais preocupado em sua imagem como premiação mais conhecida e pouco na importância da entrega dos prêmios em si. Enquanto Chris Rock, em seu terno branco, fazia piada sobre os problemas da Academia, a premiação da indústria cinematográfica mais conhecida no mundo parecia se afundar na própria ignorância.

Confira a lista completa abaixo. Os vencedores estão em negrito.

Melhor Filme

  • Brooklin
  • A Grande Aposta
  • Mad Max – Estrada da Fúria
  • O Quarto de Jack
  • Perdido em Marte
  • Ponte dos Espiões
  • O Regresso
  • Spotlight – Segredos Revelados

Melhor Direção

  • Adam McKay (A Grande Aposta)
  • Alejandro González Iñárritu (O Regresso)
  • George Miller (Mad Max – Estrada da Fúria)
  • Lenny Abrahamson (O Quarto de Jack)
  • Thomas McCarthy (Spotlight – Segredos Revelados)

Melhor Ator

  • Bryan Cranston (Trumbo - Lista Negra)
  • Eddie Redmayne (A Garota Dinamarquesa)
  • Leonardo DiCaprio (O Regresso)
  • Matt Damon (Perdido em Marte)
  • Michael Fassbender (Steve Jobs)

Melhor Atriz

  • Brie Larson (O Quarto de Jack)
  • Cate Blanchett (Carol)
  • Charlotte Rampling (45 Anos)
  • Jennifer Lawrence (Joy – O Nome do Sucesso)
  • Saoirse Ronan (Brooklin)

Melhor Ator Coadjuvante

  • Christian Bale (A Grande Aposta)
  • Mark Ruffalo (Spotlight – Segredos Revelados)
  • Mark Rylance (Ponte dos Espiões)
  • Sylvester Stallone (Creed – Nascido Para Lutar)
  • Tom Hardy (O Regresso)

Melhor Atriz Coadjuvante

  • Alicia Vikander (A Garota Dinamarquesa)
  • Jennifer Jason Leigh (Os Oito Odiados)
  • Kate Winslet (Steve Jobs)
  • Rachel McAdams (Spotlight – Segredos Revelados)
  • Rooney Mara (Carol)

Melhor Roteiro Adaptado

  • Brooklin
  • Carol
  • A Grande Aposta
  • Perdido em Marte
  • O Quarto de Jack

Melhor Roteiro Original

  • Divertida Mente
  • Ex Machina
  • Ponte dos Espiões
  • Spotlight – Segredos Revelados
  • Straight Outta Compton

Melhor Fotografia

  • Carol
  • Mad Max – Estrada da Fúria
  • Os Oito Odiados
  • O Regresso
  • Sicario – Terra de Ninguém

Melhor Montagem

  • A Grande Aposta
  • Mad Max – Estrada da Fúria
  • O Regresso
  • Spotlight – Segredos Revelados
  • Star Wars – O Despertar da Força

Melhor Trilha Sonora

  • Carol
  • Os Oito Odiados
  • Ponte dos Espiões
  • Sicario – Terra de Ninguém
  • Star Wars – O Despertar da Força

Melhor Documentário

  • Amy
  • Cartel Land
  • The Look of Silence
  • What Happened, Miss Simone?
  • Winter on Fire: Ukraine’s Fight for Freedom

Melhor Animação

  • Anomalisa
  • Divertida Mente
  • As Memórias de Marnie
  • O Menino e o Mundo
  • Shaun, O Carneiro

Melhor Filme Estrangeiro

  • O Abraço da Serpente (Colômbia)
  • Cinco Graças (França)
  • Filho de Saul (Hungria)
  • Guerra (Dinamarca)
  • O Lobo do Deserto (Jordânia)

Melhor Curta-Metragem

  • Ave Maria
  • Day One
  • Everything Will Be Okay
  • Shok
  • Stutterer

Melhor Documentário em Curta-Metragem

  • Body Team 12
  • Chau: Beyond the Lines
  • Claude Lanzmann: Spectres of the Shoah
  • A Girl in the River: The Price of Forgiveness
  • Last Day of Freedom

Melhor Animação em Curta-Metragem

  • Bear Story
  • Os Heróis de Sanjay
  • Prologue
  • We Can’t Live Without Cosmos
  • World of Tomorrow

Melhor Design de Produção

  • A Garota Dinamarquesa
  • Mad Max – Estrada da Fúria
  • Perdido em Marte
  • Ponte dos Espiões
  • O Regresso

Melhor Figurino

  • Carol
  • Cinderela
  • A Garota Dinamarquesa
  • Mad Max – Estrada da Fúria
  • O Regresso

Melhor Maquiagem e Penteados

  • Mad Max – Estrada da Fúria
  • O Centenário que Fugiu Pela Janela e Desapareceu
  • O Regresso

Melhor Canção Original

  • Earned It (Cinquenta Tons de Cinza)
  • Manta Ray (Racing Extinction)
  • Simple Song #3 (Juventude)
  • Til It Happens to You (The Hunting Ground)
  • Writings on the Wall (007 Contra Spectre)

Melhor Som

  • Mad Max – Estrada da Fúria
  • Perdido em Marte
  • O Regresso
  • Sicario – Terra de Ninguém
  • Star Wars – O Despertar da Força

Melhor Mixagem de Som

  • Mad Max – Estrada da Fúria
  • Perdido em Marte
  • Ponte dos Espiões
  • O Regresso
  • Star Wars – O Despertar da Força

Melhores Efeitos Visuais

  • Ex Machina
  • Mad Max – Estrada da Fúria
  • Perdido em Marte
  • O Regresso
  • Star Wars – O Despertar da Força

Top 8: Oscar de Melhor Filme 2016

Do pior ao melhor, um ranking para a categoria mais importante da premiação mais conhecida.

Por Pedro Strazza.

E mais uma vez estamos aqui, em dia de entrega do Oscar. Seguindo a tradição dos últimos dois anos, organizo agora a categoria de Melhor Filme desse ano em um ranking pessoal, que vai do pior ao melhor dos indicados desse ano. Bom lembrar, TODOS os oito filmes nomeados pelos votantes da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas ao prêmio máximo tem críticas no site, e você pode lê-las a qualquer instante clicando em seus nomes abaixo.

Também deixo o link para o ranking completo dos indicados ao Oscar 2016 que assisti, o qual você pode ver aqui.

Sem maiores delongas, vamos ao que interessa:

8) O Regresso

Talvez uma das maiores bombas a atingir a categoria desde O Discurso do Rei em 2010 e Extremamente Alto, Incrivelmente Perto em 2011, o novo trabalho de Alejandro González Iñárritu (que ficou em primeiro no ranking do ano passado, bom lembrar) é o filme que melhor simboliza o jogo de egos vigente em Hollywood e arrisca se tornar a produção predileta dos votantes da Academia para os próximos anos. Poucas coisas em O Regresso vão na contramão e realizam seu trabalho voltado para a construção do filme, enquanto no geral o que se vê são demonstrações constantes de cineastas que prezam por um cinema "superior" e "profundo" sem contudo nunca chegar a qualquer um destes.

É uma negação de gênero desgostosa, um faroeste incapaz de se assumir como tal, mais interessado em um existencialismo vazio e que dá voltas e voltas sem sair do mesmo lugar. Se o futuro do Oscar de Melhor Filme são produções assim, estamos prestes a entrar num período difícil da História cinematográfica estadunidense.

7) Spotlight - Segredos Revelados

Acho curioso que Spotlight, novo filme de Thomas McCarthy, esteja sendo venerado pela crítica e pelos fãs como "o filme que glorifica o Jornalismo". Claro que a produção, centrada no relato da investigação de uma equipe do Boston Globe sobre abusos cometidos por membros da Igreja, busca validar o processo jornalístico como algo sagrado (inclusive é inegável o tesão do longa pelo método old-school da profissão), mas a obra também não se segura em criticar as mais variadas instituições que formam e comandam a sociedade contemporânea, incluindo aí... o Jornalismo.

Um filme interessante, mas que no fundo não consegue fazer algo a mais da história além da proposta de recontar os acontecimentos com um grande elenco.

6) Brooklin

Quase uma versão soft do épico Era Uma Vez em Nova York de James Gray, Brooklin só funciona graças ao trabalho encantador de Saoirse Ronan, que conduz a narrativa do filme com a leveza e beleza necessárias. Como filme, o longa de John Crowley é bastante feliz em desarmar o espectador sobre qualquer tentativa de atribuir a história ao contexto histórico que se insere, apesar de no fim não resistir de fazer o mesmo com o triângulo amoroso que tem em mãos. Ainda que batido, é difícil não se envolver com a trajetória da protagonista, de suas perdas a suas vitórias.

5) O Quarto de Jack

Ousado em contar uma história pesada sob o viés de um conto de fadas realista, O Quarto de Jack sabe como ninguém se aproveitar do estupendo trabalho de seus dois protagonistas para se conectar com o espectador e no processo esconder suas falhas deste. É mais um filme de ator, com Brie Larson e Jacob Tremblay brilhando neste mais novo conto de libertação do diretor Lenny Abrahamson - que também se destaca na narrativa de espaços concebida.

4) Perdido em Marte

Com tantas ficções-científicas depressivas por aí (todas fruto da dupla Alien/Blade Runner, do próprio Ridley Scott), acho muito legal que uma mais otimista tenha chegado ao páreo de Melhor Filme esse ano. Porque apesar dos perrengues e provações, a jornada de Mark Watney para sobreviver ao planeta vermelho e voltar para a Terra em Perdido em Marte na verdade é uma grande celebração à sociedade (e à NASA, mas deixemos isso de lado), com várias pessoas fazendo de tudo para ajudar no resgate ao astronauta.

Não bastasse isso, Perdido em Marte ainda é um grande festejo sobre a ciência, talvez o maior no cinema em anos. Decerto é um filme para todos os tipos de público.

3) A Grande Aposta

Quem vê A Grande Aposta geralmente se concentra na questão do se as explicações do filme sobre como a crise de 2008 aconteceu são compreensíveis ou não, mas para mim o valor da produção não está aí. Acima de tudo, o longa comandado por Adam McKay brilha por conseguir ser um dos poucos a de fato trazer ao espectador a sensação de quem viveu este momento problemático da economia mundial, primeiro o tornando parte do caos que gerou a crise e depois o chocando com os efeitos dessa festança na vida das pessoas.

Pois mesmo que sejamos todos o personagem de Steve Carell lá no finalzinho, no caminho rimos de toda a loucura testemunhada pelos personagens, despreocupados se isso é algo ruim ou péssimo para a sociedade.

2) Ponte dos Espiões

Novo triunfo na carreira de Steven Spielberg, Ponte dos Espiões é o filme que finalmente faz com que o celebrado diretor acerte em sua trajetória recente pela análise do espírito americano. Com uma ajudinha básica dos irmãos Coen no roteiro e de Tom Hanks e Mark Rylance nas atuações, o longa problematiza a fabricação desse ideal nacional na Guerra Fria ao mesmo tempo que retoma o herói comum do cinema estadunidense clássico, confrontando ambos em um cinema talvez consciente demais de sua importância.

Isso parece não importar muito a Spielberg, que nesse seu esforço de entregar algo grandioso também se preocupa em focar na trajetória de seu protagonista, alternando entre o simples e o complexo com eficiência fabulosa. Ponte dos Espiões é o resquício de uma época antiga, mas que mesmo assim funciona muito bem, obrigado.

Mas assim, o Oscar de Melhor Filme esse ano deveria ir para...

1) Mad Max - Estrada da Fúria

É o filme que revolucionou o cinema de ação como conhecemos no ano passado. É o filme que deu o pontapé inicial na discussão sobre o papel da mulher no gênero cinematográfico e no próprio cinema como um todo. E ainda ficou em segundo lugar no Melhores do Ano de 2015, atrás apenas de Divertida Mente.

Preciso. Falar. Mais?

ESPECIAL: Oscar 2016

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

ESPECIAL: Oscar 2016

Tudo sobre a 88° edição dos Academy Awards!

Edições Anteriores










terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Bolão Oscar 2016


Quem leva, quem perde e quem pode surpreender na premiação de domingo?

Por Pedro Strazza.

Está chegando a hora! No próximo domingo, dia 28 de fevereiro de 2016, acontece no Dolby Theater em Los Angeles a 88° cerimônia de entrega dos Academy Awards, também conhecido como Oscar 2016! E entre piadas feitas pelo apresentador Chris Rock e homenagens a vários membros da indústria cinematográfica estadunidense, as grandes questões permanecem: Quem ficará com a estatueta? Será que Leonardo DiCaprio leva dessa vez? E pelamor, será que a cerimônia dessa vez será minimamente interessante a ponto de não fazer adormecer o espectador casual?

Sobre a última não tenho como opinar, mas nas duas primeiras perguntas talvez possa ajudar. Pelo quarto ano consecutivo, O Nerd Contra-Ataca orgulhosamente apresenta o Bolão Oscar, que tenta ajudar a sua lista de apostas dos vencedores e prever os diferentes cenários possíveis da premiação. Também trouxemos de volta este ano o TROCA, nossa ferramenta justiceira que busca substituir os indicados que não sabem o que fazem na lista por outros mais interessantes e melhores.

Vamos aos indicados?

P.S. Importante: Foram desconsiderados do TROCA filmes que não foram assistidos por minha pessoa e todos os curtas, como Ave Maria, Bear Story, Body Team 12, Cartel Land, O Centenário que Fugiu Pela Janela e Desapareceu, Chau: Beyond the Lines, Claude Lanzmann: Spectres of the Shoah, Day One, Everything Will Be Okay, A Girl in the River: The Price of Forgiveness, Os Heróis de Sanjay, Prologue, Juventude, Last Day of Freedom, O Lobo do Deserto, The Look of Silence, Racing Extinction, Shok, Straight Outta Compton - A História do N.W.A., Stutterer, We Can’t Live Without Cosmos, Winter on Fire - Ukraine's Fight For Freedom e World of Tomorrow. 

Legenda

  • Negrito: O Favorito
  • Itálico: Ainda Disputa
  • (0): Sem Chances
  • (F): Favorito Pessoal

Melhor Filme

TROCA: Brooklin, O Quarto de Jack, O Regresso e Spotlight - Segredos Revelados por Carol, Divertida Mente, Os Oito Odiados e Magic Mike XXL.

Parece brincadeira escrever isso mais uma vez, mas a cada ano que passa a disputa pelo Oscar de Melhor Filme está ficando cada vez mais difícil. Esse ano, a briga não está apenas entre dois filmes, mas sim TRÊS, com O Regresso de Alejandro González Iñárritu disparando como favorito no último minuto. O faroeste no armário do mexicano pode não ter levado os prêmios dos sindicatos de produtores e atores de Hollywood ou entrado na lista de melhores do ano da American Film Institute (AFI), mas suas vitórias no DGA Awards e no BAFTA muito provavelmente deram o gás que ele precisava na corrida pela estatueta mais desejada.

Em seu caminho, o longa tem a comédia sobre a crise de 2008 A Grande Aposta, que levou o PGA Awards (prêmio do sindicato de produtores), e o drama sobre jornalismo Spotlight, vitorioso no SAG Awards (prêmio do sindicato de atores) e no início da temporada o principal candidato a Melhor Filme. O problema é que ambos perderam a força na disputa, o que possibilitou a situação instável que é o final da corrida desse ano pelo principal prêmio da indústria cinematográfica estadunidense.

A bem da verdade, tudo pode acontecer na categoria, incluindo reviravoltas protagonizadas por Mad Max, Ponte dos Espiões e Perdido em Marte, grandes produções que tem o perfil de agrado aos votantes. O que soa ser mesmo improvável a essa altura da votação são vitórias de Brooklin e O Quarto de Jack, duas produções menores que chegam a essa e outras categorias graças ao talento de suas atrizes protagonistas. Mas isso a gente vê daqui a pouco.

Melhor Direção

  • Adam McKay (A Grande Aposta)
  • Alejandro González Iñárritu (O Regresso)
  • George Miller (Mad Max – Estrada da Fúria) (F)
  • Lenny Abrahamson (O Quarto de Jack) (0)
  • Thomas McCarthy (Spotlight – Segredos Revelados)
TROCA: Adam McKay, Alejandro González Iñárritu, Lenny Abrahamson e Thomas McCarthy por Quentin Tarantino (Os Oito Odiados), Ryan Coogler (Creed - Nascido Para Lutar), Steven Spielberg (Ponte dos Espiões) e Todd Haynes (Carol).

George Miller é de longe o melhor dos candidatos, mas 2016 promete mais uma vitória de Iñárritu em Melhor Diretor. Pesa em seu favor a vitória inesperada no DGA e a publicidade em cima das dificuldades climáticas que ele e sua produção passaram para filmar O Regresso, bem o tipo de coisa que os votantes da Academia se encantam com relativa facilidade. Quem talvez surpreenda na noite (além do próprio Miller, que também sofreu para fazer seu Mad Max, mas não vendeu seu filme assim) é Adam McKay, com chances caso seu A Grande Aposta seja no fim o grande vencedor do prêmio de Melhor Filme.

Do outro lado da corrida, Lenny Abrahamson, que surpreendeu todo mundo ao roubar o lugar de Ridley Scott na categoria, está tranquilo em ser o azarão deste ano, contente talvez em ter chegado até onde chegou.

Melhor Ator

TROCA: Todo mundo por Jacob Tremblay (O Quarto de Jack), Michael B. Jordan (Creed - Nascido Para Lutar), Samuel L. Jackson (Os Oito Odiados), Tom Hanks (Ponte dos Espiões) e Tom Hardy (Mad Max - Estrada da Fúria).

No que talvez seja o ano mais fraco da categoria, o Oscar de Melhor Ator enfim irá para as mãos de Leonardo DiCaprio. Ele ganhou tudo: SAG, BAFTA, prêmios dos críticos, Globo de Ouro... aparentemente não há obstáculos a serem encarados pelo ator de 41 anos para na quinta tentativa levar a estatueta para casa.

Ainda assim, na possibilidade bastante remota do prêmio não ir para DiCaprio (tipo 0,001% de chance, sério), quem está na rebarba é Michael Fassbender, cuja atuação em Steve Jobs deve angariar alguns dos votos contrários à escolha principal. Já Bryan Cranston, que entregou a melhor atuação dentre os cinco, vai comparecer à cerimônia apenas à espera de um bom espetáculo de Chris Rock.

Melhor Atriz

  • Brie Larson (O Quarto de Jack) (F)
  • Cate Blanchett (Carol)
  • Charlotte Rampling (45 Anos) (0)
  • Jennifer Lawrence (Joy – O Nome do Sucesso)
  • Saoirse Ronan (Brooklin)
TROCA: Cate Blanchett, Charlotte Rampling e Jennifer Lawrence por  Charlize Theron (Mad Max - Estrada da Fúria), Juliette Binoche (Acima das Nuvens) e Rooney Mara (Carol).

Outro páreo que parece definido é o de Melhor Atriz, de cabo a rabo liderado por Brie Larson. A atriz levou o SAG e o BAFTA, além de ter sido responsável por puxar as outras indicações de O Quarto de Jack. Sua maior concorrente no caso é Saoirse Ronan, outra que trouxe mais nomeações para o filme que protagoniza e tem sido a alternativa em alguns circuitos de críticos e premiações pequenas.

Agora, quem está realmente sem chances na categoria é Charlotte Rampling. Suas polêmicas declarações sobre a questão do #OscarsSoWhite fizeram a atriz perder grande parte dos poucos votos que tinha, quebrando a simpatia de sua figura de azarona na corrida.

Melhor Ator Coadjuvante

  • Christian Bale (A Grande Aposta)
  • Mark Ruffalo (Spotlight – Segredos Revelados) (0)
  • Mark Rylance (Ponte dos Espiões)
  • Sylvester Stallone (Creed – Nascido Para Lutar) (F)
  • Tom Hardy (O Regresso)
TROCA: Christian Bale e Mark Ruffalo por Idris Elba (Beasts of No Nation) e Walton Goggins (Os Oito Odiados).

Melhor Ator Coadjuvante está um páreo interessante esse ano. A princípio, Mark Rylance estava na frente, com Christian Bale e Sylvester Stallone um pouco atrás. No SAG, Rylance e Bale foram indicados e Stallone acabou de fora, mas quem levou o prêmio-termômetro no fim foi Idris Elba, ausente no Oscar sem motivo maior além de "seu filme ser da Netflix".

Dessa forma, a estatueta parece estar nas mãos do eterno Rocky Balboa e Rambo, que tem a seu favor o carinho dos votantes por sua pessoa e sua fantástica performance na sétima interpretação do Garanhão Italiano. Considerando que Rylance e Bale perderam fôlego na corrida, seu maior opositor no momento é Tom Hardy, outro de fora do SAG e que tem como surpreender no fim. Mark Ruffalo, coitado, ficou pra trás há um bom tempo.

Melhor Atriz Coadjuvante

  • Alicia Vikander (A Garota Dinamarquesa)
  • Jennifer Jason Leigh (Os Oito Odiados)
  • Kate Winslet (Steve Jobs)
  • Rachel McAdams (Spotlight – Segredos Revelados) (0)
  • Rooney Mara (Carol) (F)
TROCA: Alicia Vikander, Rachel McAdams e Rooney Mara por Cate Blanchett (Carol), Jada Pinkett Smith (Magic Mike XXL) e Kristen Stewart (Acima das Nuvens).

Alicia Vikander é a óbvia favorita aqui (levou a cota de prêmios necessários para garantir este status), mas o Oscar de Atriz Coadjuvante tem todo o cheiro de surpresa de última hora esse ano.

Mas quem poderia levar no lugar da atriz sueca, você se pergunta? A resposta é Kate Winslet, que levou inesperados BAFTA e Globo de Ouro (que, de novo, vale absolutamente NADA na disputa do Oscar) e pode somar mais uma estatueta esse ano graças à vibe dos votantes em premiar seu eterno par romântico de Titanic em Melhor Ator. Só isso para explicar o porquê dela estar à frente dos incríveis trabalhos de Rooney Mara e Jennifer Jason Leigh, que juntas a Rachel McAdams devem ficar a ver navios no anúncio de domingo. 

Melhor Roteiro Adaptado

  • Brooklin (0)
  • Carol
  • A Grande Aposta
  • Perdido em Marte (F)
  • O Quarto de Jack
TROCA: Nada, tá decente.

Melhor Roteiro Original

  • Divertida Mente (0) (F)
  • Ex Machina
  • Ponte dos Espiões
  • Spotlight – Segredos Revelados
  • Straight Outta Compton
TROCA: Ex Machina por Mistress America.

Se A Grande Aposta e Spotlight no momento estão em segundo na corrida pelo Oscar de Melhor Filme, aqui em Roteiro tudo parece certo para que ambos saiam com alguma coisa. Vitoriosos no WGA (o sindicato de roteiristas), os dois frontrunners tem a seu favor o peso de temas difíceis, se destacando ou pela pesquisa do material em mãos (é fascinante perceber que Spotlight não foi baseado em nenhum livro) ou sua abordagem criativa (transformar a tragédia da crise de 2008 em comédia trabalha a favor de A Grande Aposta).

Quem ameaça suas vitórias? Perdido em Marte é a adaptação de um livro com reconhecido séquito, e sua popularidade pode conduzi-lo à vitória em Roteiro Adaptado; já Roteiro Original tem um rumo mais certo, mas não é lá tão difícil imaginar um "inesperado" anúncio de Straight Outta Compton ou Ponte dos Espiões no domingo.

Melhor Fotografia

TROCA: Sicario - Terra de Ninguém por Creed - Nascido Para Lutar.

Vai rolar recorde em Melhor Fotografia sim, e duplo. Não apenas Emmanuel Lubezki será o primeiro na categoria a faturar três vezes seguidas a estatueta, graças a seu trabalho puramente estético e trabalhado em luz natural em O Regresso, como também teremos a 13° nomeação sem vitória de Roger Deakins, eterno azarado na premiação que este ano concorre pelo bom trabalho em Sicario.

Se há alguém que possa desafiar o cinturão de Chivo? Mad Max e Oito Odiados são os maiores oponentes, mas correm por fora.

Melhor Montagem

TROCA: O Regresso e Spotlight - Segredos Revelados por Creed - Nascido Para Lutar e Os Oito Odiados.

Montagem é conhecido por ser a categoria que define vencedores de Melhor Filme no Oscar, e talvez por isso O Regresso mantenha algum lugar à frente na corrida. O favorito esse ano, porém, é A Grande Aposta, que ganhou no sindicato de montadores e tem sido bastante elogiado no meio. O Despertar da Força, enquanto isso, está feliz por estar entre os indicados e espera parabenizar quem quer vença no domingo.

Melhor Trilha Sonora

  • Carol
  • Os Oito Odiados
  • Ponte dos Espiões
  • Sicario – Terra de Ninguém (0)
  • Star Wars – O Despertar da Força
TROCA: Sicario - Terra de Ninguém por Corrente do Mal.

"Se não for agora, não vai nunca mais" deve estar pensando Ennio Morricone, que com 87 anos é dono de um Oscar honorário mas não de um disputado. Quem está em seu caminho é Thomas Newman, outro compositor que está na fila do prêmio há onze indicações, e talvez John Williams, que fez um retorno arrebatador na franquia Star Wars com O Despertar da Força. Johánn Johánnsson, por outro lado, não tem o mesmo favoritismo do ano passado e amargará o segundo ano consecutivo sem a estatueta.

Melhor Documentário

  • Amy
  • Cartel Land (0)
  • The Look of Silence
  • What Happened, Miss Simone?
  • Winter on Fire: Ukraine’s Fight for Freedom
TROCA: Amy por The Hunting Ground.

A vitória de Citizenfour no ano passado foi mesmo uma anomalia na categoria, pois em 2016 o páreo de Melhor Documentário mais uma vez se resume a duas produções sobre música. What Happened, Miss Simone? poderia almejar alguma vitória, mas o rodo que Amy passou em todas as outras premiações são prova incontestável de seu favoritismo na disputa. Os outros candidatos, coitados, possuem temas polêmicos demais para sequer serem cotados à estatueta.

Melhor Animação

  • Anomalisa
  • Divertida Mente (F)
  • As Memórias de Marnie
  • O Menino e o Mundo
  • Shaun, O Carneiro (0)
TROCA: Nada, tá ótimo.

Em um ano marcado pela ótima variedade de indicados, Melhor Animação é mais uma categoria com resultado já assegurado do início: Divertida Mente manteve a ponta do início ao fim da temporada e tem tudo para trazer mais um Oscar para a Pixar.

É correto afirmar que O Menino e o Mundo ainda tem alguma chance de virar o jogo e sair vitorioso na noite do dia 28 e que Memórias de Marnie, até o momento o último longa-metragem produzido pelo Estúdio Ghibli (em pausa na produção desde agosto de 2014), tem toda a cara de alguém que pode aparecer de última hora na corrida, mas isso tudo está dissolvido em probabilidades muito baixas para qualquer consideração. De garantido temos que Shaun, O Carneiro está bem atrás dos outros indicados e terminará a cerimônia de mãos vazias.

Melhor Filme Estrangeiro

  • O Abraço da Serpente (Colômbia)
  • Cinco Graças (França) (F)
  • Filho de Saul (Hungria)
  • Guerra (Dinamarca) (0)
  • O Lobo do Deserto (Jordânia)
TROCA: O Abraço da Serpente e Guerra por Que Horas Ela Volta? e Um Pombo Pousou Num Galho Refletindo Sobre a Existência.

Desde a última edição do Festival de Cannes, o húngaro Filho de Saul domina as apostas dos especialistas da temporada de premiações como grande favorito ao Oscar de Filme Estrangeiro. É uma consideração que não foi feita à toa: com um formato diferente do habitual e um tema amado pelos votantes da Academia - o Holocausto, eterno símbolo universal de tragédia no mundo - o longa de László Nemes tem ampla vantagem aos outros indicados, ainda mais porque seu maior adversário, o brasileiro Que Horas Ela Volta?, nem conseguiu sobreviver à primeira votação da categoria. Agora, só o francês-que-na-verdade-é-turco Cinco Graças pode representar algum perigo a sua vitória, mas não tendo o mesmo poder de fogo do filme de Anna Muylaert tudo parece estar resolvido aqui.

Melhor Curta-Metragem

  • Ave Maria
  • Day One
  • Everything Will Be Okay
  • Shok
  • Stutterer

Melhor Documentário em Curta-Metragem

  • Body Team 12
  • Chau: Beyond the Lines
  • Claude Lanzmann: Spectres of the Shoah
  • A Girl in the River: The Price of Forgiveness
  • Last Day of Freedom

Melhor Animação em Curta-Metragem

A seção de curtas é sempre reservada aos bons e velhos chutes calculados em base nenhuma, mas é válido destacar a disputa entre os animados, esse ano bastante interessante. Não apenas pela ampla variedade temática entre os indicados (temos de ficção-científica a reprodução de guerra entre gregos), Melhor Animação em Curta-Metragem pode marcar a volta de uma vitória da Pixar na categoria, que concorre com Os Heróis de Sanjay e não sai vitorioso por aqui desde 2001. Em seu caminho há o espetacular trabalho de Don Hertzfeldt em World of Tomorrow, que dispara com merecimento ao título.

Melhor Design de Produção

  • A Garota Dinamarquesa
  • Mad Max – Estrada da Fúria (F)
  • Perdido em Marte
  • Ponte dos Espiões (0)
  • O Regresso
TROCA: A Garota Dinamarquesa, Perdido em Marte e O Regresso por Carol, A Colina Escarlate e Os Oito Odiados.

Páreo complicado, mas esta é uma das categorias que Mad Max deve passar o caminhão. Seus maiores adversários em Design de Produção, O Regresso e Perdido em Marte, também levaram prêmios no ADG Awards (premiação do sindicato de diretores de arte), mas o cuidadoso desenvolvimento visual do universo pós-apocalíptico de George Miller é claramente superior e o torna no óbvio favorito.

Melhor Figurino

  • Carol (F)
  • Cinderela
  • A Garota Dinamarquesa
  • Mad Max – Estrada da Fúria
  • O Regresso
TROCA: O Regresso por A Colina Escarlate.

Mais uma categoria técnica, mais uma vitória de Mad Max. Decerto uma maneira da Academia de compensar a desde já injusta derrota para O Regresso no fim da cerimônia.

Melhor Maquiagem e Penteados

  • Mad Max – Estrada da Fúria (F)
  • O Centenário que Fugiu Pela Janela e Desapareceu (0)
  • O Regresso
TROCA: Não precisa, ficou boa.

Se a equipe de maquiagem e penteados da comédia sueca de nome estranho - algo aparentemente comum no país, vide Um Pombo Pousou num Galho Refletindo sobre a Existência - chegará ao tapete vermelho pronto para o pós-festa, a briga entre Mad Max e O Regresso parece estar resolvida e pendendo para a insana ação pós-apocalíptica. Immortan Joe agradece.

Melhor Canção Original

TROCA: Earned It e Writings on the Wall por Fine on the Outside (As Memórias de Marnie) e See You Again (Velozes e Furiosos 7).

É talvez o ano mais depressão da categoria, com quatro canções para se ouvir na bad e uma de Cinquenta Tons de Cinza, então espere apresentações de cortar os pulsos na cerimônia do dia 28. O prospecto em Canção Original, pelo menos, é até que positivo... se você desconsiderar que a sonolenta música tema do 24° 007 está entre os favoritos. Mas se tudo der certo quem deve levar o Oscar é Lady Gaga e seu hino contra os abusos sexuais em universidades Til It Happens to You, então você pode respirar aliviado.

Melhor Som

  • Mad Max – Estrada da Fúria
  • Perdido em Marte (0)
  • O Regresso
  • Sicario – Terra de Ninguém
  • Star Wars – O Despertar da Força (F)
TROCA: Tá bom assim.

Melhor Mixagem de Som

  • Mad Max – Estrada da Fúria
  • Perdido em Marte
  • Ponte dos Espiões (0)
  • O Regresso
  • Star Wars – O Despertar da Força (F)
TROCA: Ponte dos Espiões por Os Oito Odiados.

Melhores Efeitos Visuais

  • Ex Machina (0)
  • Mad Max – Estrada da Fúria
  • Perdido em Marte (0)
  • O Regresso
  • Star Wars – O Despertar da Força (F)
TROCA: Ficou ótimo, relaxa.

Se O Regresso enfrenta a fúria de Mad Max nas categorias técnicas mais "artísticas", nas de som e efeitos seu adversário é Star Wars. Enquanto que nas primeiras o faroeste inibido tem a vantagem de ter faturado os dois troféus na premiação da Audio Society (principal termômetro na área), na última a corrida está mais acirrada e pode ser resumida a um "Ursa mãe enfrenta o planeta Jakku". O Despertar da Força, porém, está à frente em efeitos visuais, e se bobear pode também acabar com o troféu de Mixagem de Som no processo.

sábado, 30 de janeiro de 2016

SAG Awards 2016: Indicados e Vencedores

Spotlight e diversidade são os grandes vencedores da noite.

Por Pedro Strazza.

A corrida pelo Oscar de Melhor Filme ficou ainda mais acirrada. O SAG Awards, prêmio concedido pelo sindicato de atores e atrizes de Hollywood e um dos grandes termômetros ao prêmio máximo e de atuação da Academia, concedeu sua a honraria de Melhor Elenco a Spotlight na última noite de sábado (30), confirmando o filme sobre jornalismo como um dos grandes favoritos do Oscar 2016. O resultado, porém, difere ao do sindicato de produtores, outro termômetro da estatueta e que deu a A Grande Aposta seu troféu de Melhor Filme, colocando um ponto de interrogação ainda maior na disputa do maior prêmio da indústria hollywoodiana.

O SAG também mostrou os primeiros sinais do impacto da polêmica do "Oscars So White", o debate sobre a predominância de brancos na produção cinematográfica e do pouco reconhecimento para o trabalho de atores e atrizes negros na indústria. Além dos vários discursos que fizeram referência ao assunto - principalmente nas categorias de série de comédia, que foram dados a uma negra (Uzo Aduba, Melhor Atriz em Série de Comédia por Orange is the New Black), um ator que faz o papel de um transsexual (Jeffrey Tambor, Melhor Ator em Série de Comédia por Transparent) e a um elenco de ampla diversidade étnica (Orange is the New Black, Melhor Elenco em Série de Comédia) - e do domínio de atrizes negras nas categorias femininas de televisão, a premiação surpreendeu ao dar dois SAGs de performance individual para o ator Idris Elba, que se torna o primeiro ator na história a realizar tal feito na mesma noite. Ausente no Oscar, Elba ganhou nas categorias de Melhor Ator Coadjuvante (Beasts of No Nation) e Melhor Ator em Minissérie ou Telefilme (Luther).

Ainda em relação à Academia, o sindicato de atores confirmou os favoritos aos quatro prêmios de atuação na cerimônia do dia 28 de fevereiro: Brie Larson, Leonardo DiCaprio e Alicia Vikander ganharam em suas respectivas categorias, e com Mark Rylance e Christian Bale perdendo para Elba, o troféu de Melhor Ator Coadjuvante parece estar nas mãos de Sylvester Stallone. As surpresas podem acontecer, é claro, mas a cada dia que passa elas minguam mais e mais.

As grandes reviravoltas aconteceram mesmo na televisão. Com as produções da Netflix e da Amazon ampliando o domínio no prêmio (foram 3 para a primeira e 1 para a segunda), o SAG surpreendeu ao ignorar Jon Hamm - que nunca levou o trófeu por performance individual - e Mad Men para conceder Melhor Ator em Série Dramática e Melhor Elenco em Série Dramática a Kevin Spacey (House of Cards) e Downton Abbey, respectivamente.

Confira abaixo a lista completa de indicados e vencedores (em negrito) do SAG Awards 2016:

Cinema

Melhor elenco
  • Beasts of No Nation
  • A Grande Aposta
  • Spotlight: Segredos Revelados
  • Straight Outta Compton - A História do N.W.A.
  • Trumbo
Melhor atriz
  • Cate Blanchett - Carol
  • Brie Larson - O Quarto de Jack
  • Helen Mirren - A Dama Dourada
  • Saoirse Ronan - Brooklyn
  • Sarah Silverman - I Smile Back
Melhor ator
  • Bryan Cranston - Trumbo
  • Johnny Depp - Aliança do Crime
  • Leonardo DiCaprio - O Regresso
  • Michael Fassbender - Steve Jobs
  • Eddie Redmayne - A Garota Dinamarquesa
Melhor atriz coadjuvante
  • Rooney Mara - Carol
  • Rachel McAdams - Spotlight: Segredos Revelados
  • Helen Mirren - Trumbo
  • Alicia Vikander - A Garota Dinamarquesa
  • Kate Winslet - Steve Jobs
Melhor ator coadjuvante
  • Christian Bale - A Grande Aposta
  • Idris Elba - Beasts of No Nation
  • Mark Rylance - Ponte dos Espiões
  • Michael Shannon - 99 Homes
  • Jacob Tremblay - Room

Televisão

Melhor elenco de série dramática
  • Downton Abbey
  • Mad Men
  • Game of Thrones
  • Homeland
  • House of Cards
Melhor atriz de série dramática
  • Claire Danes - Homeland
  • Viola Davis - How to Get Away with Murder
  • Julianna Margulies - The Good Wife
  • Maggie Smith - Downton Abbey
  • Robin Wright - House of Cards
Melhor ator de série dramática
  • Jon Hamm - Mad Men
  • Peter Dinklage - Game of Thrones
  • Rami Malek - Mr. Robot
  • Bob Odenkirk - Better Call Saul
  • Kevin Spacey - House of Cards
Melhor elenco de série cômica
  • The Big Bang Theory
  • Key & Peele
  • Modern Family
  • Orange is the New Black
  • Veep
Melhor atriz de série cômica
  • Uzo Aduba - Orange is the New Black
  • Edie Falco - Nurse Jackie
  • Ellie Kemper - Unbreakable Kimmy Schmidt
  • Julia Louis-Dreyfus - Veep
  • Amy Poehler - Parks and Recreation
Melhor ator de série cômica
  • Ty Burrell - Modern Family
  • Louis C.K. - Louie
  • William H. Macy - Shameless
  • Jim Parsons - The Big Bang Theory
  • Jeffrey Tambor - Transparent
Melhor atriz em minissérie ou filme feito para a TV
  • Nicole Kidman - Grace of Monaco
  • Queen Latifah - Bessie
  • Christina Ricci - The Lizzie Borden Chronicles
  • Susan Sarandon - The Secret Life of Marilyn Monroe
  • Kristen Wiig - The Spoils Before Dying
Melhor ator em minissérie ou filme feito para a TV
  • Idris Elba - Luther
  • Ben Kingsley - Tut
  • Ray Liotta - Texas Rising
  • Bill Murray - A Very Murray Christmas
  • Mar Rylance - Wolf Hall

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Crítica: A Grande Aposta

Filme de desilusão encara crise de 2008 com humor e olhar documental.

Por Pedro Strazza.

Apesar de incluir um animal pra valer só no fim do primeiro ato de A Grande Aposta, é peculiar a maneira como o diretor Adam McKay e seu diretor de fotografia Barry Ackroyd estabelecem com velocidade na narrativa o seu viés de documentário típico do National Geographic. A alternância constante entre planos abertos e fechados em planos tremidos, auxiliados pela montagem esperta de Hank Corwin, serve para dar ao espectador a mesma sensação que ele experimenta ao assistir esses filmes sobre a natureza, em que o didatismo é peça central para ele entender as relações predatórias primordiais e "a beleza desses belos animais selvagens em seu habitat natural" enquanto as encara de longe. Mas ao invés de ferozes onças e gigantescos elefantes, ele oferece um tipo de fera bastante diferente.

Baseado em um livro escrito por Michael Lewis, o filme conta a história de vários grupos de especialistas econômicos que previram o advento da crise financeira e imobiliária de 2008 e tiraram proveito dela, investindo em inúmeros CDSs (Credit Default Swaps) que apostavam contra os bancos responsáveis pelo colapso. Recorrendo a exposições constantes nos diálogos exercidos pelos três principais núcleos - liderados por Steve Carell, Christian Bale, Ryan Gosling e Brad Pitt - a obra se comporta como tantas outras dispostas a se debruçar sobre o tema, explicando como foi possível que essa Grande Recessão mundial ocorresse.

A maior mudança, aqui, é de tom: ao invés de manter constante o tom de tragédia sobre os acontecimentos, o roteiro de McKay e Charles Randolph prefere empurrar essa consciência mais pesada para o terceiro ato, e ocupa os dois primeiros terços da trama de um humor sarcástico e focado nos absurdos que o longa apresenta ao longo do caminho. E como Nero tocando a harpa do alto de seu palácio enquanto Roma se consumia em chamas, o espectador rapidamente se diverte com os choques de realidade que ele e os protagonistas recebem ao se dispor a olhar o estado geral da economia estadunidense antes de tamanho desastre.

O curioso dessa abordagem é que A Grande Aposta parece reconhecer o universo que adentra com a mesma estranheza com a qual o homem da cidade encara a vida selvagem na televisão, e isso não acontece apenas pelos maneirismos documentais da fotografia. As constantes quebras de quarta parede para reafirmar a veracidade (ou não) dos fatos e o uso de estrelas conhecidas por atributos de valor imediato (Margot Robbie, Selena Gomez, o famoso chef de cozinha Anthony Bourdain) servem não só para o filme chamar a atenção do público para seu conteúdo e impedi-lo de ficar preso à sua estética dinâmica - em nenhum momento incômoda, vale acrescentar - como também funciona em seu esforço de mostrar a este o nível de delírio que a sociedade estadunidense chegou em sua eterna ambição pelo lucro, eternizadas nas intercalações rápidas de imagens de uma cultura dominada pelo irreal.

Talvez seja por essa motivação que ele se permita a se levar pelo contraponto traumático ao começar a mostrar os efeitos da crise na população. Seja quando o personagem de Pitt repreende a comemoração de seus parceiros (interpretados por John Magaro e Finn Wittrock) ou na depressão que abate o investidor interpretado por Carell e sua peruca sempre descabelada, essa mudança repentina na narrativa acaba reforçando no longa o impacto da ação devastadora da crise, e traumatiza o próprio espectador por rir da trajetória que levou àquilo.

E é isso que encanta. Mesmo que assuma no fim a sua estrutura de filme de desilusão, A Grande Aposta sabe diluir isso em uma de impacto, muito mais eficaz no choque em relação à melancolia, e promover uma mistura funcional de olhares quase antagônicos - humor, documental e dramático - em torno de uma trama quase de Alice no País das Maravilhas. E ainda que o espectador termine como o personagem de Carell, em um misto de arrependimento por seus atos e de revolta pela natureza do sistema, é fascinante a forma como McKay o prende sem este conseguir compreender mais de 50% do que é dito pelos personagens em cena.

Nota: 9/10

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Oscar 2016: Indicados

O Regresso lidera, e o Oscar continua retrógrado.

Por Pedro Strazza.

Na manhã desta quinta-feira (14), a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas anunciou a lista de indicados do Oscar 2016. Em sua 88° edição, a premiação confirmou várias expectativas, mas também surpreendeu com algumas escolhas inusitadas.

Em número de indicações, O Regresso, novo filme de Alejandro González Iñárritu, lidera com doze indicações, seguido de perto por Mad Max - Estrada da Fúria, que tem dez. Favorito ao prêmio de Melhor Filme, Spotlight - Segredos Revelados conquistou seis nomeações, uma à frente do por enquanto seu maior adversário, A Grande Aposta, com seis.

Além desses quatro, também foram indicados ao prêmio principal da cerimônia Perdido em Marte (7 nomeações), Ponte dos Espiões (6), Brooklyn e O Quarto de Jack (cada um com 3), totalizando oito filmes. Entre os que ficaram de fora, surpreende as esnobadas dadas a Carol (que tem seis menções na lista), Straight Outta Compton - A História do N.W.A. (1) e Sicario - Terra de Ninguém (3), esses dois últimos porque pareciam ter espaço na competição após suas nomeações no PGA Awards. Atual terceira maior bilheteria mundial, Star Wars - O Despertar da Força marca presença na disputa, com cinco indicações em categorias técnicas.

Apesar de Que Horas Ela Volta? ter ficado de fora da disputa de Melhor Filme Estrangeiro, o Brasil tem um representante na premiação desse ano: O Menino e o Mundo, de Alê Abreu, foi indicado à categoria de Melhor Animação, desbancando junto do provável último filme do Estúdio Ghibli, As Memórias de Marnie, os favoritos O Bom Dinossauro e Snoopy e Charlie Brown - O Filme.

O Oscar, por outro lado, tem poucos motivos para festejar, já que continua a se mostrar cada vez mais retrógrado em suas listas. Pelo segundo ano consecutivo, a premiação nomeou apenas candidatos brancos nas categorias de atuação, ignorando atores como Benicio Del Toro, Idris Elba (que não conseguiu emplacar a primeira indicação da Netflix nos prêmios principais com seu Beasts of No Nation) e Michael B. Jordan. Além disso, a Academia continua a diferenciar os indicados a Melhor Filme das de atuação femininas: enquanto Melhor Ator e Melhor Ator Coadjuvante possuem somados seis indicados presentes no prêmio máximo, as de Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante possuem apenas três representantes.

Mais uma vez, a premiação faz por merecer o título "Oscar All White and All Men" (Oscar todo branco e masculino), e num ano tão importante para a discussão de gênero isso é grave.

A seguir, a lista final de indicados à 88° edição dos Academy Awards:

Melhor Filme

Melhor Ator
  • Bryan Cranston (Trumbo)
  • Eddie Redmayne (A Garota Dinamarquesa)
  • Leonardo DiCaprio (O Regresso)
  • Matt Damon (Perdido em Marte)
  • Michael Fassbender (Steve Jobs)

Melhor Ator Coadjuvante
  • Christian Bale (A Grande Aposta)
  • Mark Ruffalo (Spotlight – Segredos Revelados)
  • Mark Rylance (Ponte dos Espiões)
  • Sylvester Stallone (Creed – Nascido Para Lutar)
  • Tom Hardy (O Regresso)

Melhor Atriz
  • Brie Larson (O Quarto de Jack)
  • Cate Blanchett (Carol)
  • Charlotte Rampling (45 Anos)
  • Jennifer Lawrence (Joy – O Nome do Sucesso)
  • Saoirse Ronan (Brooklyn)

Melhor Atriz Coadjuvante
  • Alicia Vikander (A Garota Dinamarquesa)
  • Jennifer Jason Leigh (Os Oito Odiados)
  • Kate Winslet (Steve Jobs)
  • Rachel McAdams (Spotlight – Segredos Revelados)
  • Rooney Mara (Carol)

Melhor Animação
  • Anomalisa
  • Divertida Mente
  • As Memórias de Marnie
  • O Menino e o Mundo
  • Shaun, O Carneiro

Melhor Fotografia

Melhor Figurino
  • Carol
  • Cinderela
  • A Garota Dinamarquesa
  • Mad Max – Estrada da Fúria
  • O Regresso

Melhor Direção
  • Adam McKay (A Grande Aposta)
  • Alejandro González Iñárritu (O Regresso)
  • George Miller (Mad Max – Estrada da Fúria)
  • Lenny Abrahamson (O Quarto de Jack)
  • Thomas McCarthy (Spotlight – Segredos Revelados)

Melhor Documentário
  • Amy
  • Cartel Land
  • The Look of Silence
  • What Happened, Miss Simone?
  • Winter on Fire: Ukraine’s Fight for Freedom

Melhor Documentário em Curta-Metragem
  • Body Team 12
  • Chau: Beyond the Lines
  • Claude Lanzmann: Spectres of the Shoah
  • A Girl in the River: The Price of Forgiveness
  • Last Day of Freedom

Melhor Montagem

Melhor Filme Estrangeiro
  • O Abraço da Serpente (Colômbia)
  • Cinco Graças (França)
  • O Filho de Saul (Hungria)
  • Guerra (Dinamarca)
  • Theeb (Jordânia)

Melhor Maquiagem e Penteados
  • Mad Max – Estrada da Fúria
  • The 100-Year-Old Who Climbed Out the Window and Disappeared
  • O Regresso

Melhor Canção Original

Melhor Trilha Sonora
  • Carol
  • Os Oito Odiados
  • Ponte dos Espiões
  • Sicario – Terra de Ninguém
  • Star Wars – O Despertar da Força

Melhor Design de Produção
  • Garota Dinamarquesa
  • Mad Max – Estrada da Fúria
  • Perdido em Marte
  • Ponte dos Espiões
  • O Regresso

Melhor Animação em Curta-Metragem

Melhor Curta-Metragem
  • Ave Maria
  • Day One
  • Everything Will Be Okay
  • Shok
  • Stutterer

Melhor Som
  • Mad Max – Estrada da Fúria
  • Perdido em Marte
  • O Regresso
  • Sicario – Terra de Ninguém
  • Star Wars – O Despertar da Força

Melhor Mixagem de Som
  • Mad Max – Estrada da Fúria
  • Perdido em Marte
  • Ponte dos Espiões
  • O Regresso
  • Star Wars – O Despertar da Força

Melhores Efeitos Visuais
  • Ex Machina
  • Mad Max – Estrada da Fúria
  • Perdido em Marte
  • O Regresso
  • Star Wars – O Despertar da Força

Melhor Roteiro Adaptado
  • Brooklyn
  • Carol
  • A Grande Aposta
  • Perdido em Marte
  • O Quarto de Jack

Melhor Roteiro Original
  • Divertida Mente
  • Ex Machina
  • Ponte dos Espiões
  • Spotlight – Segredos Revelados
  • Straight Outta Compton