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sábado, 21 de fevereiro de 2015

Top 8: Oscar de Melhor Filme 2015


Por Pedro Strazza

É a época de mais um Oscar, e, como no ano passado, organizo agora a lista deste ano de indicados ao principal prêmio concedido pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Bom lembrar, o site de novo contém críticas de TODOS os oito escolhidos pelos votantes ao troféu de Melhor Filme, e os links para esses textos estão incluídos em seus nomes no ranking.
Mas chega de papo furado e vamos conferir o que temos de bom (e mediano) dessa vez:

8) O Jogo da Imitação

Este de fato é o filme que não merece estar entre os indicados. Novelesco e raso do começo ao fim (OK, ali nos últimos minutos eles tentaram criar profundidade), a cinebiografia de Alan Turing feita pelo norueguês Morten Tyldum possui poucos momentos de destaque em sua narrativa convencional, e quando consegue é graças ao esforço de Benedict Cumberbatch em tornar seu papel mais interessante que o permitido pela produção. Havia coisa melhor no pacote, Academia.

7) A Teoria do Tudo

Outro cinebiografia de um acadêmico famoso, outro filme que também achei sem o necessário pra estar aqui. Embora aprecie a maneira como James Marsh evita tornar a história de vida de Stephen Hawking em um dramalhão inconveniente, acho A Teoria do Tudo um filme também raso justamente pela ausência total de qualquer drama na história, impedindo que as atuações de Felicity Jones e Eddie Redmayne cheguem ao seu potencial total. No final, o longa parece encantar menos por seu conteúdo e (muito) mais pelo que sabemos ao entrar na sessão.

6) Selma - Uma Luta Pela Igualdade

Quando a temporada de premiações começou (láááá em novembro de 2014), Selma - Uma Luta Pela Igualdade saiu explosivo, aplaudido pela crítica e tomado como dos principais concorrentes ao prêmio. E ao sair da sessão, também tive a mesma sensação. Mas assim como na disputa pelo Oscar, o filme dirigido por Ava DuVernay caiu com velocidade na minha opinião, mesmo com uma mensagem poderosa sobre o racismo. Ao contrário de 12 Anos de Escravidão, Selma não consegue manter por tanto tempo o impacto no espectador, que em questão de poucos dias já parece esquecer de ter visto o filme.

5) Sniper Americano

Apesar dos problemas sérios de ideologia (e sua repercussão nos EUA só prova isso), o novo trabalho de Clint Eastwood faz jus à reputação feita em torno de seu talento. O diretor aplica com sucesso sua metodologia do cavaleiro solitário à figura do polêmico e falecido atirador Chris Kyle, e dessa mistura resulta mais uma história de como a guerra afeta o ser humano. Nada inédito, mas quando a fórmula funciona não se pode negar sua eficiência.

4) Whiplash - Em Busca da Perfeição

É muito difícil de pensar que esta obra é apenas a segunda na carreira do diretor Damien Chazelle. De ritmo intenso e capaz de tirar o fôlego sem você perceber, Whiplash é daqueles filmes que te fazem sair do cinema energético, e de quebra nos faz refletir sobre o ensino e os perigos da obsessão. E por sinal, o que foram aquelas incríveis atuações de Milles Teller e J. K. Simmons?

3) O Grande Hotel Budapeste

Conheço e aprecio os trabalhos de Wes Anderson desde sua experiência com stop-motion em O Fantástico Senhor Raposo, e mesmo que ainda tenha como favorito o pouco conhecido Moonrise Kingdom é preciso admitir seu ápice atingido com O Grande Hotel Budapeste. Mais Wes Anderson do que nunca, o diretor empregou todo o seu talento para conceber esta homenagem ao cinema dos anos 30 e 40, e com a ajuda sublime de um elenco invejável. Os aplausos e o reconhecimento merecido enfim vieram.

Antes de continuarmos, quero esclarecer que os dois primeiros colocados desta lista para mim estão empatados tecnicamente. Cada um à sua maneira, eles fazem por merecer o prêmio máximo da 87° edição dos Academy Awards.

2) Boyhood - Da Infância à Juventude

Desde que foi indicado a Melhor Filme, venho ouvido em conversas com amigos que Boyhood - Da Infância à Juventude só ganhou destaque por causa dos seus famosos 12 anos para ser feito (e não de escravidão, como é sempre bom lembrar). E eles estão certos. Ousado por escolher realizar este projeto, Richard Linklater conseguiu fazer do seu aspecto técnico mais chamativo a medula óssea do filme, tornando Boyhood uma reflexão interessante sobre o tempo e seus efeitos no ser humano. Poderoso, sem dúvida alguma.
Mas o Melhor Filme de 2015 pra mim é:

1) Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)

Uma piração enlouquecida desde seu primeiro minuto, o filme dirigido por Alejandro González Iñarritu atira com precisão pra onde mira. Colocando o seu "falso plano-sequência eterno" na perspectiva dos atores, o mexicano (e um Michael Keaton embirutado) se aprofundam nos bastidores para falar dos egos enlouquecidos que dominam Hollywood, e de como estes afetam produções inteiras ao se chocarem. Foi um voo arriscado, mas muito bem sucedido

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Crítica: Sniper Americano

Retrato profundo do maior atirador dos EUA fraqueja sem ideologia de guerra.

Por Pedro Strazza.

É inegável que a figura do cavaleiro solitário esteja presente em toda a carreira de Clint Eastwood. De sua revelação como ator na Trilogia dos Dólares de Sergio Leone aos seus trabalhos como diretor nos dias atuais, Eastwood carrega certo fascínio por personagens que carreguem certo mistério em sua solidão e sejam justiceiros ocasionais, oferecendo seus serviços aos mais desamparados. Não a toa, seus filmes na direção muitas vezes trazem essa pessoa (presente bastante no faroeste) para os mais diferentes contextos e situações, e não somente aplicam esse homem a uma nova realidade como também oferece ao cineasta a oportunidade de desconstruí-lo e analisá-lo.

Em Sniper Americano, essa sua metodologia segue inalterada, mas ganha curiosas pinceladas. A cinebiografia do soldado estadunidense Chris Kyle, considerado pelo governo o maior atirador da história do país (foram mais de 160 mortes atribuídas à sua pessoa), traz ao diretor a oportunidade de fazer sua análise em meio à Guerra do Iraque, um contexto atual e ainda polêmico nos EUA. Além disso, Eastwood tem em mãos uma figura controversa a ser retratada: Se Kyle serviu como anjo para seus colegas militares, ele também é responsável por realizar sozinho um banho de sangue, assassinando homens, mulheres e crianças.

Essa questão é justamente o tema central do filme. Da infância aos últimos dias da vida de Kyle (Bradley Cooper), o diretor emprega sempre na narrativa uma dualidade sensível aos atos do protagonista, ressaltando tanto as boas intenções quanto os efeitos danosos de seus atos. E nessa problemática da moralidade de ações, o discurso do pai de Chris (Ben Reed) sobre ovelhas, lobos e cães pastores surge como um norte para o espectador se guiar na personalidade complexa do personagem, mesmo que esta seja à primeira vista bastante superficial e estereotipada - e nesse ponto é importante ressaltar o talento de Eastwood ao compor a figura sulista conservadora tradicional em Kyle apenas no início visando nos dar essa falsa impressão.

Mas se na realidade do dia-a-dia o peso das escolhas já é sensível, na guerra elas são extrapoladas. É aí que aparece a grande força da produção: A cada tiro disparado e morte assinalada, a figura solitária de Kyle torna-se mais presente e suas próximas escolhas são ainda mais duras, chegando a pontos de limite dolorosos. O tão conhecido vício da guerra do cinema é aqui transformado pelo roteiro de Jason Hall e a direção de Eastwood em um vício de justiça distorcido, gerado pela formação patriótica do protagonista na infância ("O mal está em todos os lados"). E como o Justiceiro da Marvel, a justiça que Kyle busca é só a do momento, como bem atesta seus encontros com soldados fora do conflito.

Para essa construção se concretizar na tela, Bradley Cooper faz uma verdadeira encarnação do monstro que é o soldado. Extremamente encorpado e com um sotaque texano bem aplicado, o ator concebe o sniper protagonista com todo o preconceito e patriotismo necessários, além de sempre tornar perceptível ao público a ingenuidade do lado patriótico do personagem, responsável por levá-lo às situações capazes de quebrar essa sua visão de mundo simplista. E Sienna Miller, como a esposa em desespero pelo marido na guerra, surge para complementar seu trabalho como contraponto ideal a sua obsessão por justiça desenfreada.

O grande problema de Sniper Americano, porém, surge da própria maneira como Eastwood trabalha seus filmes. Ao preferir explorar a personalidade de seu protagonista em caráter exclusivo (algo comum a tantas outras obras suas), o diretor abandona quaisquer outros temas de importância variada ao longo da narrativa, como a relação com outros personagens (é aí que o trabalho de Miller acaba bastante prejudicado) e o julgamento da guerra. Mas esta última faz-se importantíssima para o gênero ao qual Clint trabalha aqui, e sem ela grande parte dos simbolismos do longa (as bandeiras dos EUA, o corredor de feridos, a retratação do povo iraquiano) soam vazios por essência. E no mundo de patriotas e tragédias em que vive Kyle, é estranho que a obra não procure ressaltar nem um dos dois lados - culpa, talvez, do próprio objetivo biográfico ao qual o filme é encarregado.

Atmosférico em seus conflitos (graças a um excelente trabalho da equipe de som), mas mal acabado em alguns quesitos técnicos (o uso de bonecos como bebês e as visões aéreas dos conflitos deixam evidente isso), Sniper Americano compensa sua falta de ideologia com um retrato profundo de uma pessoa fragmentada por ver suas escolhas serem questionadas e agraciadas em todos os momentos. O cavaleiro solitário de Clint Eastwood entrou em crise nos tempos contemporâneos, e ninguém melhor que o próprio Homem Sem Nome para ressaltar isso.

Nota: 8/10

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domingo, 15 de fevereiro de 2015

Bolão Oscar 2015

Por Pedro Strazza


A hora da decisão se aproxima! Na noite do próximo domingo, dia 22 de fevereiro, acontece no Dolby Theater em Los Angeles a 87° cerimônia de premiação do Oscar, concedido pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas aos melhores filmes de 2014. Com apresentação de Neil Patrick Harris, a edição 2015 de um dos troféus mais cobiçados do cinema promete muitas surpresas e reviravoltas, já que a competição está mais acirrada do que nunca.
Como de hábito, O Nerd Contra-Ataca faz esse ano o Bolão Oscar, que tenta ao mesmo tempo prever os vencedores da premiação e direcionar as suas apostas, caro leitor, para a vitória no bolão da firma. Dessa vez, porém, as coisas vão ser um pouco diferentes. Além de indicar os favoritos e os sem chances de levar o careca pra casa, o Bolão Oscar 2015 também aponta quem corre por fora na disputa, os queridinhos de quem vos fala na competição e introduz a ferramenta TROCA, que busca num cenário hipotético substituir as nomeações injustas das categorias por outras mais relevantes ou simplesmente melhores.
Mas chega de papo e vamos lá ver quem ganha e quem perde esse ano!

Categorias fora da especulação: Melhor Curta-Metragem, Melhor Animação em Curta-Metragem, Melhor Documentário em Curta-Metragem

P.S.: Importante lembrar que para o TROCA não foram considerados os filmes O Ano Mais Violento (não indicado), Mr. Turner, Para Sempre Alice, O Conto da Princesa Kaguya, Song of the Sea, Life Itself (não indicado), Beyond the Lights, Glenn Campbell: I'll Be Me, Vício Inerente, Last Days in Vietnam, Finding Vivian Maier, O Sal da Terra, Citizenfour e Tangerines porque estes não foram lançados no Brasil e logo não tem como tiveram seus aspectos técnicos analisados.

Legenda

  • Negrito: O(s) grande(s) favorito(s).
  • Itálico: Corre(m) por fora, mas ainda pode(m) surpreender
  • (0): Praticamente sem chances de vitória
  • (F): Favorito(s) do site

Melhor Filme

TROCA: Selma - Uma Luta Pela Igualdade, A Teoria do Tudo e O Jogo da Imitação por Garota Exemplar, O Abutre e Foxcatcher - Uma História que Chocou o Mundo.

Se em 2014 a briga tava complicada, esse ano ela acirrou-se. Dessa vez, os dois peixes grandes que batalham a tapa o principal prêmio da noite são Birdman e Boyhood, com o primeiro levando uma ligeira vantagem graças às vitórias nos principais prêmios dos 3 principais termômetros do Oscar - o PGA (do sindicato de produtores de Hollywood), o SAG (do sindicato de roteiristas) e o DGA (do de diretores) -, fato que desde 1997 garante a vitória certa ao escolhido por essa trindade.
Mas com Boyhood ainda se mantendo como favorito da crítica e a forte campanha contra os dois crescendo a cada dia, é possível que em 2015 alguém que corre por fora no páreo aproveite a confusão para surpreender, e as duas produções com grandes chances de fazer isso são Sniper Americano e O Grande Hotel Budapeste - o primeiro pelo sucesso gigantesco de bilheteria nos EUA, o segundo pelo grande número de indicações alcançados mesmo com a campanha tímida. No outro extremo da corrida estão Whiplash, Selma e A Teoria do Tudo, que vão focar suas atenções em outras categorias.

Melhor Diretor

TROCA: Morten Tyldum (O Jogo da Imitação) por David Fincher (Garota Exemplar).

Outro duelo protagonizado por Boyhood e Birdman no Oscar é em Melhor Diretor, e a briga aqui é mais curiosa. De um lado, Linklater pode ser o primeiro estadunidense nos últimos cinco anos a levar o caneco e, se Birdman cumprir expectativas e garantir Melhor Filme, pode prorrogar a nova tradição da Academia de dividir os dois principais prêmios entre os principais indicados; do outro, Iñarritu (que levou o DGA e portanto tem maiores chances no quesito) confirmaria o segundo ano seguido em que um mexicano ganha o troféu e o quinto em que um estrangeiro conquista a honraria.
Se por um lado esta polarização da categoria facilita nosso bolão, do outro acaba com as chances dos outros indicados. Mas se Tyldum e Miller vão à cerimônia apenas para bater ponto, Wes Anderson tem uma tênue (bem tênue mesmo!) esperança de fazer surpresa na noite. 

Melhor Atriz

TROCA: Felicity Jones (A Teoria do Tudo) e Reese Witherspoon (Livre) por Amy Adams (Grandes Olhos) e Scarlett Johansson (Sob a Pele).

Na principal categoria de atuação feminina, as coisas parecem que vão acontecer sem muita surpresa. Moore começou silenciosa a temporada de prêmios, mas cresceu a cada vitória, e chega agora ao tapete vermelho com a certeza de que a estatueta é sua. O único porém que pode vir a atrapalhar sua caminhada para a glória e abrir espaço para uma Rosamund Pike ou uma Marion Cottilard, entretanto, é a sua bastante criticada atuação em O Sétimo Filho, que pode produzir aquele mesmo golpe feito à Eddie Murphy quando este estrelou Norbit anos atrás. 

Melhor Ator

  • Steve Carell (Foxcatcher - Uma História que Chocou o Mundo) (0)
  • Benedict Cumberbatch (O Jogo da Imitação) (0)
  • Michael Keaton (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)) (F)
  • Eddie Redmayne (A Teoria do Tudo)
  • Bradley Cooper (Sniper Americano)
TROCA: Benedict Cumberbatch (O Jogo da Imitação) e Bradley Cooper (Sniper Americano) por Jake Gyllenhaal (O Abutre) e Miles Teller (Whiplash - Em Busca da Perfeição).

A única categoria de atuação que está indefinida ainda é a de Melhor Ator. Michael Keaton começou a disputa como favorito absoluto, mas a atuação de Redmayne como Stephen Hawking cresceu entre os votantes e inverteu o jogo a favor do inglês, agora levemente favorito na competição. Sempre existe, entretanto, uma chance de uma nova reviravolta, e quem pode aproveitá-la é Bradley Cooper, que já está há três anos esperando sua hora de brilhar na Academia.

Melhor Ator Coadjuvante

  • Robert Duvall (O Juiz) (0)
  • Ethan Hawke (Boyhood - Da Infância à Juventude)
  • Edward Norton (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)) (F)
  • Mark Ruffalo (Foxcatcher - Uma História que Chocou o Mundo)
  • J.K. Simmons (Whiplash - Em Busca da Perfeição) (F)
TROCA: Robert Duvall (O Juiz) e Ethan Hawke (Boyhood - Da Infância à Juventude) por Logan Lerman (Corações de Ferro) e Tyler Perry (Garota Exemplar).

Dá até pena de Duvall, Hawke, Norton e Ruffalo ao dizer isso, mas Ator Coadjuvante esse ano já tem dono. A atuação monstruosa de J.K. Simmons em Whiplash dominou a categoria desde o começo, e em nenhum momento abriu espaço para qualquer um dos outros indicados abrir uma possibilidade de tomar o prêmio. Norton e Ruffalo são os que mantém a esperança, e somente porque ela é a última que morre.

Melhor Atriz Coadjuvante

  • Patricia Arquette (Boyhood - Da Infância à Juventude)
  • Laura Dern (Livre) (0)
  • Keira Knightley (O Jogo da Imitação)
  • Meryl Streep (Caminhos da Floresta) (0)
  • Emma Stone (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)) (F)
TROCA: Laura Dern (Livre), Keira Knightley (O Jogo da Imitação) e Meryl Streep (Caminhos da Floresta) por Carmen Ejogo (Selma - Uma Luta Pela Igualdade), Rene Russo (O Abutre) e Agata Kulesza (Ida).

Num ano bastante esquecível para a categoria (sério, Meryl Streep de novo?), o Oscar de Atriz Coadjuvante parece também definido para Patricia Arquette e seu papel como mãe em Boyhood. Mas vai que uma Emma Stone surpreende né?

Melhor Canção Original

TROCA: -

O prêmio de Melhor Canção Original todo ano parece sempre definido, mas ele não é uma categoria de favoritos. Dito isso, Glory manteve a ponta desde o começo da temporada, mas a melancolia da letra e do contexto de I'm Not Going to Miss You e a beleza da meiga Lost Stars fazem frente à música de Selma. E quem sabe a viciante Everything is Awesome faz justiça à esnobada feita a Uma Aventura LEGO em Animação e garante um troféu pro filme? Briga difícil.

Melhor Roteiro Adaptado

  • Sniper Americano (F)
  • O Jogo da Imitação
  • Vício Inerente (0)
  • A Teoria do Tudo
  • Whiplash - Em Busca da Perfeição
TROCA: O Jogo da Imitação e A Teoria do Tudo por Garota Exemplar e O Homem Mais Procurado.

Sem Garota Exemplar para liderar o bloco, a Academia parece disposta a dar o prêmio de Melhor Roteiro Adaptado para uma produção de época esse ano, e O Jogo da Imitação ganha o favoritismo pela vitória no WGA (o sindicato de roteiristas de Hollywood) e a forte campanha dos Irmãos Weinstein para o Oscar. A Teoria do Tudo, entretanto, segue bem de perto a cinebiografia de Alan Turing, e Whiplash também está atento aqui.

Melhor Roteiro Original

  • Birdman ou A Inesperada Virtude da Ignorância
  • Boyhood - Da Infância à Juventude
  • Foxcatcher - Uma História que Chocou o Mundo (F)
  • O Grande Hotel Budapeste
  • O Abutre (0) (F)
TROCA: -

Desde 2012 o Oscar parece querer fazer de Melhor Roteiro Original uma espécie de prêmio de consolação para os indies e queridinhos do público. E quem atende essas duas demandas esse ano é O Grande Hotel Budapeste, que também venceu a categoria no WGA. Seria uma felicidade ver Wes Anderson subir ao palco para receber sua primeira estatueta, mas há uma enorme sombra de um certo homem-pássaro azul que pode estragar a festa pros hóspedes do hotel cor-de-rosa. Nesse meio tempo, Boyhood está lá, quietinho observando o momento certo para atacar e talvez vencer na categoria.

Melhor Longa de Animação

TROCA: Operação Big Hero por Uma Aventura LEGO.

Com o favorito fora da disputa (foi mal Uma Aventura LEGO), a estatueta de Melhor Animação pertence à Dreamworks e seu Como Treinar o Seu Dragão 2, que venceu todos os outros prêmios da área. Para fazer frente ao blockbuster tem o igualmente gigante Operação Big Hero e o pequeno Ghibli O Conto da Princesa Kaguya.... acho. 

Melhor Documentário em Longa-metragem

  • Citizenfour
  • Last Days in Vietnam (0)
  • Virunga
  • Finding Vivian Maier
  • O Sal da Terra
TROCA: -

Na categoria em que a Academia prefere sempre a produção menos polêmica, é estranho ver que um documentário sobre um escândalo político envolvendo o atual governo estadunidense seja o grande favorito. O medo da controvérsia causada por Edward Snowden e a NSA, ainda assim, é a grande barreira que precisa ser passada por Citinzefour, e nesse meio tempo um Virunga (sobre uma questão também política, mas não sobre os EUA) ou um Finding Vivian Maier (que fala de um famoso fotógrafo) pode compensar o tempo perdido e levar a estatueta.

Melhor Longa Estrangeiro

TROCA: Leviatã por Dois Dias, Uma Noite.

Disputa polarizada, mas aparentemente definida: O prêmio de Melhor Filme Estrangeiro esse ano está destinado para a Polônia. Com as duas mãos na taça, Ida conseguiu afastar o elogiado pela crítica Leviatã graças à indicação ganha em Fotografia, além de ter conquistado a mesma honraria nos não-termômetros Globo de Ouro e BAFTA. Mas em um ano em que a categoria está dominada por produções críticas às sociedades de seus respectivos países, poderia a menos incisiva (Relatos Selvagens) abocanhar o caneco no último instante?

Melhor Fotografia

  • Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (F)
  • O Grande Hotel Budapeste
  • Ida (F)
  • Mr. Turner (0)
  • Invencível (0)
TROCA: Invencível por Era Uma Vez em Nova York.

Fotografia esse ano é outra briga entre Budapeste e Birdman e outra leve vantagem do longa de Wes Anderson sobre o de Iñarritu. Quem circunda o conflito dessa vez, porém, é Ida, mas sem as mesmas altas pretensões de Boyhood em roteiro. 

Melhor Figurino

  • O Grande Hotel Budapeste (F)
  • Vício Inerente (0)
  • Caminhos da Floresta
  • Malévola
  • Mr. Turner (0)
TROCA: Caminhos da Floresta por A Teoria do Tudo.

A partir daqui começa o domínio certo de O Grande Hotel Budapeste nas categorias técnicas. Principalmente se levarmos em conta com quem ele disputa o Melhor Figurino aqui - Malévola e Caminhos da Floresta, é sério isso?

Melhor Montagem

  • Sniper Americano (0)
  • Boyhood - Da Infância à Juventude (F)
  • O Grande Hotel Budapeste
  • O Jogo da Imitação (0)
  • Whiplash - Em Busca da Perfeição (F)
TROCA: O Jogo da Imitação por Garota Exemplar.

Whiplash segue de perto e O Grande Hotel Budapeste mantém alguma atenção aqui, mas vai ser complicado tirar o Oscar de Melhor Montagem de Boyhood. Estamos falando, afinal, da edição de 12 anos de filmagens feitas, e isso os votantes do prêmio não vão ignorar com facilidade.

Melhor Maquiagem e Cabelo

TROCA: -

Mesmo com Guardiões da Galáxia criando uma enorme variedade de criaturas alienígenas com forte auxílio da maquiagem e a equipe de Foxcatcher sendo decisiva na composição facial de Steve Carell com John Du Pont, essa é outra categoria aparentemente pertencente ao Grande Hotel Budapeste. Pelo menos os dois concorrentes vão dar maior trabalho.

Melhor Trilha Sonora

  • O Grande Hotel Budapeste
  • O Jogo da Imitação
  • Interestelar (F)
  • Mr. Turner (0)
  • A Teoria do Tudo
TROCA: O Jogo da Imitação, A Teoria do Tudo e O Grande Hotel Budapeste por Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância), Garota Exemplar e Sob a Pele.

No prêmio que ignorou com facilidade absurda as três melhores trilhas sonoras do ano e que muito provavelmente vai deixar a quarta para trás na disputa (não foi dessa vez de novo, Hans Zimmer, mas belo trabalho com Interestelar), a disputa parece ser protagonizada por Alexandre Desplat pelo O Grande Hotel Budapeste e Jóhann Jóhannsonn por A Teoria do Tudo. O trabalho sutil e minimalista do último, porém, dá a ele a liderança - mesmo esta sendo bastante questionável.

Melhor Design de Produção

  • O Grande Hotel Budapeste (F)
  • O Jogo da Imitação
  • Interestelar (0)
  • Caminhos da Floresta (0)
  • Mr. Turner
TROCA: Caminhos da Floresta por Guardiões da Galáxia.

O Jogo da Imitação até almeja ganhar alguma coisa em Design de Produção, mas a categoria é outra vitória certa de O Grande Hotel Budapeste. De novo? É, de novo.

Melhor Edição de Som

TROCA: Interestelar por Corações de Ferro.

Até o momento quieto e só de vigília nas outras categorias, Sniper Americano tem o campo livre pra acertar em cheio as estatuetas de som no dia 22. Seus maiores antagonistas são Birdman em Edição e Whiplash em Mixagem, mas francamente? Sem Corações de Ferro pra balancear é fácil o caminho para a vitória da cinebiografia dirigida por Clint Eastwood.

Melhor Mixagem de Som

  • Interestelar (0)
  • Whiplash - Em Busca da Perfeição (F)
  • Invencível (0)
  • Sniper Americano
  • Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)
TROCA: Interestelar por Corações de Ferro.

Ver Melhor Edição de Som.

    Melhores efeitos visuais

    TROCA: Capitão América 2 - O Soldado Invernal por Godzilla.

    E pelo segundo ano consecutivo uma ficção-científica vai levar o Oscar de Efeitos Visuais. O segundo filme do segundo reboot do Planeta dos Macacos e a estreia dos Guardiões da Galáxia nos cinemas fizeram progressos muito importantes na área, mas nenhum deles teve tanta importância como os de Interestelar, que ajudaram estudos científicos ao reconstruírem buracos-negros tridimensionalmente pela primeira vez na História. Aí complica pra qualquer um se atrever a roubar o prêmio, né.