Han Solo - Uma História Star Wars

Leia a nossa crítica do mais novo derivado da saga!

Deadpool 2

Continuação tenta manter a subversão do original enquanto se rende às convenções hollywoodianas

Desejo de Matar

Eli Roth aterroriza ação do remake e não deixa os temas caírem na ingenuidade

Nos Cinemas #1

Nossos comentários sobre O Dia Depois, Submersão e Com Amor, Simon

Jogador N° 1

Spielberg faz seu comentário sobre o próprio legado em Hollywood sem esquecer do espetáculo no processo

Mostrando postagens com marcador Hugh Dance. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Hugh Dance. Mostrar todas as postagens

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Crítica: O Jogo da Imitação

O cinema de obviedades aplicado a uma pessoa brilhante.

Por Pedro Strazza.

O Jogo da Imitação é acima de tudo uma cinebiografia de convenções. De seus aspectos mais técnicos aos mais artísticos, o filme dirigido pelo norueguês Morten Tyldum busca em todos os momentos evitar riscos e executa a trama sem grandes floreios na narrativa. O que salva a produção do esquecimento total, porém, é a personalidade histórica que é tema do longa, cuja complexidade mesmo pouco explorada pela obra é suficiente para deixar seu público interessado.
No caso, a figura mencionada logo acima é Alan Turing, matemático inglês que além de patrono das ciências da computação foi responsável por quebrar o código criptográfico dos alemães (intitulado Enigma) na Segunda Guerra Mundial, acelerando o fim do conflito. A genialidade de Turing e suas conquistas científicas, entretanto, de nada significaram alguns anos depois, quando foi condenado por sua homossexualidade (um crime na época) e se suicidou dois anos após ser sentenciado a um tratamento hormonal obrigatório, feito para "acabar com tal obscenidade".
A personalidade do matemático daria uma interessante análise, mas o roteiro escrito por Graham Moore não dá conta disso. Adaptado do livro "Alan Turing: O Enigma", de Andrew Hodges, o filme dividi-se em três épocas distintas - a infância do protagonista, durante a Segunda Guerra e nos dias de sua condenação, todas trabalhadas sem nenhuma distinção visual entre si pelo design de produção de Maria Djurkovic - para se aprofundar no perfil de Turing, concebendo-o no início como um mistério a ser desvendado.
Mas essa elaboração inicial parece não existir na narrativa: Em nenhum momento Moore e Tyldum se esforçam em fazer de Alan um enigma, e isso se deve principalmente à ausência de profundidade em todos os personagens, postos em uma trama das mais convencionais. Está lá o protagonista de perfil esquisito, cercado por todos lados de coadjuvantes de única função e arcos previsíveis ao extremo (nem mesmo a protofeminista interpretada por Keira Knightley escapa), executados por atores que sabem muito bem o fazê-los (Matthew Goode é o gênio antagonista, Charles Dance faz o homem da lei, Mark Strong repete o tipo misterioso). As situações, conflitos, vitórias revigorantes e derrotas arrasadoras se enfileiram prontas para acontecerem na ordem esperada, causando surpresa e descontentamento no público nos momentos habituais - e se há alguma revelação, usa-se de imediato do flashback para lembrar o espectador do porquê aquilo ser surpreendente.
Dito isso, é importante ressaltar a maneira como Benedict Cumberbatch é eficaz em sua incorporação de Turing. Ainda que seu papel seja de total unidimensionalidade, o ator consegue dar ao espectador uma falsa sensação de profundidade ao matemático, graças à adaptação de determinados toques de sua postura habitualmente confiante para a fragilidade do personagem, como a voz falha e gaguejante ou a figura franzina. É um trabalho, claro, sem muito destaque se pensarmos na carreira de Cumberbatch, mas é suficiente para tirar a produção de seu marasmo criativo.
Pontuado também por um humor feito para o público se apegar à detestável pessoa de Turing e uma trilha sonora de Alexandre Desplat que não arrisca nem petisca, O Jogo da Imitação surge como mais um filme mediano sobre uma pessoa fantástica, que subjuga todo o potencial contido nesta para entregar o óbvio. Há quem curta? Sem dúvida. Mas não poderia ser algo a mais?

Nota: 6/10

Gostou? Assista Também: