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terça-feira, 5 de maio de 2015

Não Perda!: Abril/2015

Filmes de máfia, de superação e de loucura se destacam no mês que prenuncia a temporada de blockbusters.

Por Pedro Strazza.

O mês acabou, e está na hora de ver aqueles lançamentos legais que ninguém viu (mas deveria ver) porque "Não deu tempo..." ou "Não quis arriscar minha grana suada com isso!". No Não Perda! de abril de 2015 - ou "O mês que teve Vingadores - A Era de Ultron e Velozes e Furiosos 7" - temos:

O que acontece quando um indivíduo tem que lidar sozinho com todo um sistema em decadência para deixar viva sua família e sua empresa? Terceiro longa-metragem dirigido por J.C. Chandor, O Ano Mais Violento é um filme de máfia que não se comporta como tal, empregando um olhar diferente sobre o subgênero e o crime dos dias de hoje. Sua ausência no Oscar 2015 foi sentida.

  • Cake - Uma Razão Para Viver

Outro que não deu as caras na cerimônia de premiação dos Academy Awards foi Jennifer Aniston, que entregou com Cake uma atuação diferente das de seus trabalhos habituais. Ainda que exiba nos fundos os mesmos trejeitos de patricinha mimada, a atriz deu um passo importante na tentativa de se distanciar da Rachel de Friends neste filme que se faz interessante pela sua abordagem na depressão. E mesmo que em alguns momentos caia nos trilhos da auto-ajuda superficial, Cake - Uma Razão Para Viver já se faz notado por encarar de frente um distúrbio tão pesado.

Enquanto Cake conversa sobre depressão, Entre Abelhas fala sobre solidão. A doença vivida pelo protagonista do filme dirigido por Ian Sbf, que consiste basicamente nele não conseguir mais enxergar as pessoas, funciona bem como retrato da individualização crescente da sociedade, cada vez mais uma multidão solitária. Sua maior força, porém, reside no humor, graças à influência do Porta dos Fundos que o diretor e seu elenco carrega para a produção.

Das situações inusitadas que estrearam nesse mês, entretanto, a mais esquisita com certeza é a do filme que coloca Michael Fassbender numa cabeça gigante de papelão. Encantador com uma trama simples, Frank faz o típico caminho trilhado por bandas na época contemporânea, onde os artistas se veem em conflito constante entre a fama comercial e o sucesso profissional. Poucas ousadias, mas bastante efetivo.

Não Perda Também!: Janeiro - Fevereiro - Março

sábado, 2 de maio de 2015

Crítica: Entre Abelhas

Comédia dramática problematiza menos e brinca mais com alienação progressiva da sociedade atual.

Por Pedro Strazza.

Bruno (Fábio Porchat) não está no melhor momento de sua vida. Seu casamento com Regina (Giovanna Lancellotti) foi por água abaixo sem motivo aparente, obrigando-o a voltar a viver na casa da mãe (Irene Ravache); o amigo Davi (Marcos Veras), apesar de preocupado com ele, tem problemas maiores para lidar que a "libertação" do camarada; e pra piorar tudo, Fabio inexplicavelmente começou a deixar de ver as pessoas.
Esse evento sobrenatural, típico de obras como a do falecido José Saramago, é o pontapé inicial de Entre Abelhas, e sua falta de sentido é o que conduz a narrativa desenvolvida pelo diretor Ian Sbf, que assina ao lado de Porchat o roteiro do filme. É uma doença, uma consequência do stress, um defeito do cérebro? Nenhuma interpretação racional dos fatos consegue trazer para a realidade a condição de Fabio, que dia após dia vê menos a sociedade a seu redor e começa até a não enxergar mais amigos, parentes e pessoas próximas.
Usada sem maiores elaborações como crítica ao alienamento do ser humano nos tempos atuais, o mistério da "cegueira humana" é desenvolvida aos trancos na comédia dramática, sendo muito mais utilizada para fins cômicos que qualquer outra coisa. Explica-se assim a estrutura esquemática da produção, feita para facilitar a construção das cenas humorísticas encadeadas uma atrás da outra, e a sensação de incompletude criada no desfecho da história. Falta ao longa uma maior ambição, que não subestime o potencial de sua curiosa premissa e capaz de levá-la para caminhos inusitados ao espectador.
A sorte de Entre Abelhas é que quem o conduz seu humor, tanto pelo lado técnico quanto de atuação, tem experiência no assunto. Assim como em seus trabalhos no Porta dos Fundos, Ian e Porchat sabem bem como evitar o uso simples do exagero e do estereótipo típicos da comédia nacional, e emprega-os de maneira inteligente nas situações concebidas no filme. Exemplos claros disso são os personagens de Davi e Nildo (Luis Lobianco): Enquanto o primeiro diverte pela caricatural postura preconceituosa e não pelos impropérios que dispara, o atendente de pizza não é motivo de risos pela aparência ou a condição social (algo que com certeza seria usado em mãos menos cientes), mas pelas loucuras ao qual é obrigado a passar para ajudar a curar o protagonista.
Enquanto isso, Porchat encanta pela maneira sóbria com a qual interpreta Bruno. Muitas vezes exagerado nas comédias que participa, aqui o humorista faz um personagem de poucos sorrisos, sem esperanças nas mudanças abruptas ocorridas em pouco tempo e incapaz de perceber a existência do próximo, fisicamente ou emocionalmente. Sua participação cômica nunca é estourada, e depende quase sempre dos diálogos protagonizados.
No fim, não chega a ser surpresa que Entre Abelhas se revele uma simples história de amor. Com poucas pretensões no tema que problematiza e muito mais interessado em questões de gênero cinematográfico, o filme frustra aqueles atrás de uma reflexão maior na trama contada por sua simplicidade, mas entretém o suficiente para que essa decepção passe tão desapercebida quanto a sociedade para o protagonista.

Nota: 6/10

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  • Ela: A mesma temática, só que com uma problematização maior e mais eficiente.
  • Ensaio Sobre a Cegueira: A representação cinematográfica mais eficiente da obra de Saramago.